EDITORIAL

Fios da discórdia

“Sabe-se lá por quais motivos os vereadores abriram mão do importante apoio do Procon”

O assunto já se tornou maçante e cansativo pela inexistência de soluções práticas e definitivas para ele. Ainda assim, alguns vereadores diretamente envolvidos com a questão dos fios e cabos eternamente dependurados pelos postes e ruas de Mogi insistem em voltar ao assunto, tentando mostrar que desta feita parece ter sido encontrada a solução mágica para eliminar de vez o velho e desgastante problema.

Informa a repórter Silvia Chimello, na edição de ontem deste jornal, que a Câmara quer criar normas para acabar com o festival de abusos que assolam a cidade por meio de um projeto de lei que estabelece um conjunto de regras para padronizar a fiação em todo o território mogiano. Tal proposta vai ainda mais além ao estabelecer punições, caso a nova legislação não vier a ser seguida à risca pelas empresas prestadoras de serviço de energia elétrica e telecomunicações.

As justificativas para que os demais vereadores aprovem a futura lei são sobejamente conhecidas de todos: além de garantir maior segurança à população, o fim dos equipamentos excedentes nos postes reduzirá drasticamente a poluição visual.

Os vereadores já definiram até um alvo principal: a EDP São Paulo, concessionária de energia elétrica e proprietária dos postes que são alugados para receber os equipamentos e a fiação das empresas de telecomunicações que oferecem às residências dos mogianos serviços que vão desde telefonia até televisão a cabo e internet.

Há que se louvar mais esta tentativa do grupo de vereadores formado por Antonio Lino (PSD), Carlos Evaristo (PSD) e Caio Cunha (PV), mas o tempo gasto ao longo dos últimos anos em reuniões e mais reuniões realizadas na Câmara, onde sempre sobraram promessas – nunca cumpridas por inteiro, lembre-se – dos envolvidos com a poluição visual da cidade, nos dá o direito de aguardar a colocação em prática das novas regras para saber se desta vez irão realmente funcionar. Ou se acabarão esbarrando em alguma medida que acabe por impedir ou postergar tal solução.

Sabe-se lá por quais motivos, os vereadores abriram mão, nesta nova investida, do importante apoio do Procon, que se dispôs a ajudar a cidade, conforme mostrou este jornal, em recentes reportagens.

Independente disso, há que se torcer para que as novas medidas levem a bons resultados; muito embora já se saiba que isso somente acontecerá por completo quando toda a fiação da cidade estiver sob a terra. Mas isso é algo bem mais difícil de se realizar.

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