EDITORIAL

Fios enrolados

Pode até ser verdadeiro o resultado da reorganização da rede aérea compartilhada por empresas de energia elétrica, telefonia, internet e televisão a cabo divulgado durante as reuniões realizadas na Câmara Municipal. Mas a realidade das ruas se mostra incompatível com as informações dadas à Comissão de Obras, Habitação, Meio Ambiente e Urbanismo pelos representantes dos grupos empresariais que têm lucros estratosféricos no setor de telecomunicações brasileiro e agem como se fossem os donos da cidade.

O que se constata é um grande descontrole dessa situação – os fios ficam soltos durante semanas, e ninguém cobra efetivamente dessas empresas a responsabilidade pela manutenção e conservação e muito menos a correção imediata dos problemas.

Muito válida, a pressão feita pelos vereadores não resulta, infelizmente, nas soluções práticas para garantir sobretudo, a segurança da população. Além dos riscos de acidentes, os fios soltos poluem a paisagem urbana, provocam a apreensão de quem passe debaixo deles.

Dizem as empresas que 41% dos 20.799 postes já passaram pela reorganização. O próprio ritmo desse trabalho pontual é questionável porque essas empresas têm lucros exorbitantes no Brasil, praticam tarifas apontadas como as mais caras do mundo, e não agem com o respeito esperado nas cidades onde … engordam seus caixas. Em meia década, nem metade da rede aérea de Mogi das Cruzes foi revista pelas empresas.

E o que se tem de concreto é a indignação de pessoas como Iraci de Abreu Nemer, moradora na Rua Ipiranga. Após a reportagem publicada ontem por este jornal, sobre a promessa de reorganização dos fios no Distrito de Braz Cubas, ela ligou para a redação. E contou que há alguns dias, um acidente na via deixou os fios soltos, em frente a um ponto de ônibus utilizado por diversas pessoas. Uma semana depois, ninguém apareceu para organizar a fiação, nem para limpar o entulho na calçada.

Não há uma fiscalização efetiva sobre o uso da rede aérea. Aliás, uma sugestão feita pelo vereador Carlos Evaristo da Silva, que acompanha os encontros na Câmara, dá um sinal claro sobre toda essa desorganização. O vereador sugere uma melhor comunicação entre as empresas compartilhantes e as empresas terceirizadas que prestam serviços na mesma rede. Como assim, não há uma boa comunicação entre todos os atores que usam a rede aérea?

Pela situação esse setor, parece haver algo muito enrolado nessa história.