EDITORIAL

Fios incômodos

Fundação Procon pode ser aliada de Mogi no combate dos fios e cabos soltos

Mogi das Cruzes não pode perder a oportunidade de se valer da ajuda oferecida pela Fundação Procon para combater as irregularidades na fiação aérea, um problema que a cidade não conseguiu resolver sozinha.

Há seis anos, ação da Câmara Municipal iniciou uma ofensiva contra os fios e cabos soltos encontrados em trechos das 2.788 ruas e avenidas mogianas. Ao longo desse período, os vereadores constataram que as cobranças surtem resultados parciais e temporários, o que não muda um cenário que revolta a opinião pública. Pedestres e motoristas enfrentam os riscos e a insegurança provocados pelos fios rebaixados ou soltos, que deterioram o visual da cidade.

A reorganização da fiação começou pela região central após um acordo firmado entre a EDP e as empresas dos ramos de telefonia e internet que compartilham a mesma estrutura para sustentar a distribuição de seus serviços. Antes mesmo de se terminar a limpeza do centro, os problemas eram registrados onde os trabalhos haviam começado. Não por acaso, o combate é comparado a “enxugar gelo” por alguns dos vereadores que se mantiveram no legislativo durante todo esse tempo.

A explicação: falta pulso na fiscalização e punição aos responsáveis pelo que se transformou um péssimo exemplo sobre a zeladoria do espaço público.

Há um grande número de empresas terceirizadas ou não, fazendo ligações e desligamentos dos fios. Aliado à falta de fiscalização e cobranças, isso provoca o descontrole generalizado no uso dos fios e cabos dependurados nos postes. Ninguém fiscaliza, na verdade, o que cada empresa faz nessa estrutura.

No final de semana, em uma entrevista ao jornalista Darwin Valente, o diretor de Relações Institucionais da Fundação Procon, João Silvestre Bórro, prometeu estender a Mogi das Cruzes a Operação Gambiarra realizada em 23 cidades paulistas.

A atuação visa mapear as empresas que agem fora dos padrões exigidos pelas regulamentações brasileiras, autuá-las e, se necessário, interditá-las temporariamente até a resolução dos problemas que afetam a segurança das pessoas.

Agora, diante dessa disposição também confirmada pelo diretor executivo do Procon, Fernando Capez, caberá as autoridades municipais se mobilizarem para Mogi ter a principal fundação de proteção ao consumidor como aliada na busca de melhores resultados no combate aos fios e cabos soltos.

Embora seja atuante, apenas a Câmara Municipal não terá força para mudar o que não anda bem – e já faz tempo.