Fit EXL carrega o “preço” da fama

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O mercado automotivo se divide naturalmente em segmentos, mas o Honda Fit parece se posicionar em uma classe à parte dentro dele. O modelo tem carroceria de monovolume, disputa espaço entre os hatches compactos e tem um interior projetado com tamanha funcionalidade que é capaz de atender às necessidades de diferentes públicos. Desde o jovem que precisa levar a prancha de surfe à praia até as famílias, que buscam alternativa para um sedã ou utilitário esportivo compacto em busca de um porta-malas mais eficiente para as viagens ou compras do mês.

Outra particularidade chama atenção no Fit: graças ao prestígio da marca japonesa no Brasil – compartilhado por aqui apenas com a rival Toyota -, seus carros atuam em faixas de preços superiores aos da concorrência. Mas sem que isso signifique necessariamente perda de vendas, mesmo em meio ao cenário de crise. Tanto que a configuração EXL, a mais cara, que custa R$ 70.900, é responsável por 24% de seu total de emplacamentos. E isso não é pouco: das 3.546 unidades mensais registradas entre janeiro e novembro de 2015, ela responde por 851.

A EXL é a versão que mais aproxima o Fit dos hatches compactos mais sofisticados das marcas generalistas e dos SUVs menores de entrada. Não há luxos, mas tudo parece pensado para atrair quem busca um pouco além do essencial para garantir o conforto e a habitabilidade a bordo. A central multimídia tem tela LCD de cinco polegadas com CD, rádio, entrada USB, Bluetooth e câmara de ré, além de comandos no volante. Há controle de cruzeiro, trio elétrico, direção elétrica, ar-condicionado e revestimentos dos bancos e volante e couro. Além disso, airbags laterais se juntam aos frontais obrigatórios.

O motor, no entanto, é sempre o mesmo em todas as configurações. Trata-se do 1.5 litro que já existia na geração passada, mas com coletor em plástico de alta resistência e comando de válvulas redesenhado para diminuir índice de atrito e peso e, desta forma, beneficiar o torque em baixas rotações. A potência é de 115/116 cv a 6.000 giros com gasolina e etanol, respectivamente, enquanto o torque é de 15,2/15,3 kgfm, sempre a 4.800 giros, com os mesmos combustíveis. A transmissão é CVT, uma grande aliada na redução de emissões e melhora da eficiência energética.

Quando foi lançada no Brasil, em maio do ano passado, a terceira geração do Fit estava projetada para chegar às cinco mil vendas mensais e, assim, se tornar o principal produto da Honda no país. Talvez até tivesse conseguido, não fossem dois fatores muito importantes: além da queda acentuada do mercado automotivo, o sucesso do SUV compacto HR-V, da própria Honda, fez com que a fabricante reorganizasse sua produção local, para dar mais espaço ao utilitário e fazer dele o mais vendido do segmento no ano. O fato é que o Fit não vende o esperado inicialmente, mas não encalha nos estoques. (Márcio Maio/AutoPress)

PONTO A PONTO

Desempenho – O motor 1.5 litro de 116 cv não impressiona, mas também não faz feio. A transmissão CVT deixa o hatch com uma tocada mais pacata, mas ao pisar fundo no acelerador e trabalhar em giros altos, é possível extrair saídas e retomadas um pouco mais vigorosas. O torque máximo de 15,3 kgfm só aparece em 4.800 rpm. Mas a proposta não é mesmo ser um modelo esportivo. Nota 7

Estabilidade – O Fit é um Honda, ou seja, trata-se de um carro que gosta de curvas. O conjunto suspensivo mostra enorme equilíbrio entre a rigidez necessária para enfrentar os caminhos mais sinuosos e a maciez suficiente para aliviar os passageiros das irregularidades dos pisos brasileiros. A sensação de segurança é constante.Nota 8

Interatividade – O compacto da Honda é um carro extremamente funcional. Todos os coma ndos mais importantes são bem localizados e com leituras bem intuitivas. A direção tem peso correto, é precisa e ajuda tanto na condução quanto nas manobras. O painel de instrumentos tem visualização clara. É um carro simples, mas muito prático. Nota 9

Consumo – O Programa de Etiquetagem do InMetro aferiu uma unidade do novo Honda Fit EXL. Com etanol, o hatch registrou 8,3 km/l na cidade e 9,9 km/ na estrada. Abastecido com gasolina, as médias foram 12,3 km/l em trajeto urbano e 14,1 km/l na estrada. Esses números garantiram “A” tanto no segmento quanto na classificação geral, com índice de eficiência energética de 1,66 MJ/km. Nota 9

Conforto – Em sua nova geração o Fit ganhou em dimensões, apesar do espaço nunca ter sido um problema. Por ser “altinho”, é ainda mais fácil se acomodar em seu interior, inclusive na traseira. Os bancos recebem bem os ocupantes e o isolamento acústico agrada em baixas e médias rotações. Aliás, às vezes, o carro parece até estar desligado quando está em movimento. Nota 9

Tecnologia – A plataforma da terceira geração do Fit é nova, compartilhada com o sedã compacto City e o SUV compacto HR-V. O interior também foi repensado e o monovolume ganhou comodidades como central multimídia com Bluetooth e câmara de ré, mas não há navegador GPS. A nova transmissão CVT assegura economia de até 17% de combustível em relação ao câmbio automático anterior. O freio traseiro, que antes era a disco, regrediu e agora é com tambores. E não existe controle de tração ou estabilidade. Nota 7

Habitabilidade – Esse é um dos pontos altos do Fit. As portas abrem em um ângulo ótimo e os porta-objetos são bem posicionados e capazes de guardar tudo que é preciso estar mais à mão. O sistema de configuração dos bancos em várias posições permite aproveitar o espaço interno de maneira suficiente para, por exemplo, transportar uma bicicleta ou uma prancha de surfe ou, se necessário, até levar um móvel, por exemplo, já que o teto alto ajuda bastante nisso. Nota 9

Acabamento – Os encaixes são precisos e os materiais aparentam resistência, mas não há qualquer charme ou requinte: é um verdadeiro excesso de plásticos rígidos. O revestimento dos bancos na versão EXL é em couro, o que melhora um pouco essa situação. Mas, de maneira geral, o habitáculo não condiz com o de um carro com preço acima dos R$ 70 mil. Nota 6

Design – O visual é bem contemporâneo e até um tanto agressivo, graças aos para-choques com largas tomadas de ar. A nova identidade visual da Honda foge do conservadorismo nipônico que normalmente se vê nas linhas e formas dos carros japoneses. As lanternas traseiras, com extensores que invadem a tampa do porta-malas, não chegam a impressionar tanto, mas se equilibram com a proposta jovial. Nota 8

Custo/benefício – Um Honda Fit EXL custa R$ 70.900. A Hyundai cobra R$ 63.535 pelo HB20 Premium com transmissão automática de seis marchas e equipado à altura do Fit EXL. Um Peugeot 208 1.6 Griffe automático é mais bem equipado – tem GPS e seis airbags, ar condicionado de duas zonas e até teto solar – e é vendido por R$ 62.990. Por R$ 66.490, a Ford entrega o Fiesta mais caro, que conta com acesso ao veículo e partida do motor sem chave, sete airbags e controle de tração e estabilidade. O Fit é caro em sua configuração de topo e, a não ser pela credibilidade que a Honda carrega e que diminui sua desvalorização, sua decisão de compra não é nem um pouco racional. Nota 6

Total – O Honda Fit EXL somou 78 pontos em 100 possíveis.


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