EDITORIAL

Foco na pandemia

Há de se buscar o distanciamento das paixões e dos interesses políticos e eleitorais na análise do condicionamento da abertura de leitos para a Covid-19, no Centro de Reabilitação Terapêutica Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, em Mogi das Cruzes, ao ritmo da pandemia.

Prometidas em abril, as 60 vagas de enfermaria e de Unidade de Terapia Intensiva serão ativadas no antigo hospital Santo Ângelo apenas se houver necessidade, segundo admite, a Secretaria de Estado da Saúde, em resposta a este jornal sobre o assunto.

A decisão chega enquanto as cidades do Alto Tietê experimentam a bem-vinda desaceleração das internações e óbitos provocados pelo novo coronavírus, situação que reflete a interiorização da doença, o que acontece, aliás, em todo o país.

Com acerto, a se manter o atual quadro epidemiológico, o Governo do Estado redireciona os recursos para outras áreas. A pandemia tem um relógio biológico próprio e dinâmico.

Evidentemente que a abertura dos leitos, especialmente os de UTI, viria a atender um antigo deficit do Alto Tietê. Porém, em meio à pandemia, essa discussão terá de ser adiada.

Há outras graves deficiências. Uma delas, o que será feito para reduzir as mortes registradas em cidades e até em bairros mais pobres, como está acontecendo no distrito de Jundiapeba, em Mogi?

Outra demanda urgente é tratar da situação crítica do Hospital Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba, onde os registros da ocupação de leitos de UTI batem à porta do estrangulamento.

Não há descanso nessa batalha: uma parte dos pacientes continuará dependente de uma UTI para sobreviver.

As cidades da região tendem a avançar nas fases do Plano São Paulo, e demandarão ainda mais vigilância às normas sanitárias para não colapsar o sistema hospitalar – que começará a sentir o reflexo do represamento de outros tipos de tratamento de saúde.

Os políticos e a sociedade organizada precisam, agora, cuidar disso. É bom saber que o Dr. Arnaldo pode servir de esteio para internações, a qualquer momento. Mas, o foco do enfrentamento da Covid-19 é outro: reduzir a curva dos casos que podem surgir com a flexibilização do isolamento social e não deixar o discurso eleitoral contaminar o que segue como desafio e prioridade – a proteção da vida dos mais vulneráveis.


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