EDITORIAL

Foco: o futuro de Mogi

Seria oportuno em qualquer tempo o artigo “Tresloucado pedágio” assinado pelo ex-prefeito Junji Abe sobre o lastro de união e de mobilização que marca a história da rodovia Mogi-Dutra (SP 88), desde a construção, em 1972, à duplicação das pistas, entregue em 2005, e a necessidade de se blindar o movimento contra a instalação de um pedágio em Mogi das Cruzes das “pretensões políticas, partidárias ou individuais, da fogueiras das vaidades, diferenças e interesses outros”. Mas, nesse momento, quando a fervura dos ânimos se eleva por causa das eleições municipais, as ponderações se tornam ainda mais relevantes.

A campanha contra a proposta da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) de inserir no projeto do lote das rodovias do litoral paulista, uma praça de pedágio em Mogi das Cruzes em troca de praticamente zero investimento na cidade requer a defesa de um bem maior, como aconteceu quando a Mogi-Dutra foi aberta praticamente no peito para construir um caminho entre a cidade e a rodovia Presidente Dutra.

Essa história está a caminho de completar meio século, em 2022. E foi lembrada por Junji Abe para direcionar os ânimos e esforços ao que interessa a todos: a derrota de uma ideia que irá penalizar econômica e socialmente Mogi das Cruzes.

Durante a construção, comentou ele, “não houve guerra por paternidade, nem vaidades, nem pucuinhas de gente mal-amada. Independente de coloração partidária, ideologias e pretensões, todos se uniram pela causa, incluindo lideranças de outras cidades”. O mesmo se viu décadas mais tarde, quando a explosão no número de acidentes da Mogi-Dutra deu a ela o título de “a Rodovia da Morte”, o que ancorou a luta pela duplicação dos 10 quilômetros entre a Ayrton Senna e a Ponte Grande.

No século passado, a união de todos em torno de uma mesma bandeira incluiu Mogi na rota do crescimento no Estado de São Paulo. O mesmo ocorreu nos anos 2000: vidas foram poupadas pelo entendimento de que algo maior estava em jogo: a duplicação da estrada insegura. O Pedágio Não pode cumprir a mesma trajetória se o personalismo ceder lugar ao interesse coletivo. A se conferir no futuro.


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