ARTIGO

Fogo

Diego Capua

Que histeria desenfreada está sendo a situação dos incêndios na região amazônica. Sem qualquer dúvida a situação é preocupante, posto que os focos de incêndio estão numericamente superiores aos anos anteriores, e dessa vez houve um alarde muito grande, com países como a França chegando até mesmo a defender uma “internacionalização”, o que, no meu ponto de vista é inaceitável.

Não é aceitável uma vez que aquele território é nosso, é parte do Brasil e, em que pese a importância que aquela região possui para o mundo, o máximo que pode ser feito por outras nações é dar auxílio no combate ao fogo e na preservação, mas nunca deixar que as decisões, ações e administração sejam tomadas por outro país ou mesmo um pool de nações.

Há questões de soberania e falo aqui com toda a certeza: caso uma situação semelhante ocorresse em qualquer país desenvolvido e houvessem manifestações nesse sentido de internacionalização, a reação não seria diferente a do nosso governo, devendo ser lembrado que quando Estados Unidos e Espanha sofreram com os incêndios em anos anteriores, além de uma ajuda internacional, ninguém se atreveu a tomar qualquer conduta ou tentou ordenar nada que fosse contrária a soberania daquelas nações.

É fato que o atual presidente precisa adquirir mais conhecimento sobre a importância da floresta amazônica e o equilíbrio do nosso planeta, dando maior proteção aos (reais) indígenas e combatendo com maior afinco o desmatamento, mas internacionalmente estamos vendo uma quantidade de ataques e acusações que acabam por deixar transparecer mais existem de questões comerciais que estão influenciando no debate.

Produtores europeus não estão nada satisfeitos com os acordos comerciais fechados nos últimos tempos, visto que, em razão da competitividade de preços que isso gerará a nossos produtos, há pressões de todos os lados para que alguns países se posicionem contrariamente e inviabilizem a ratificação dos acordos.

Precisamos muito defender essa nossa floresta, precisamos acabar com o desmatamento, mas isso não pode ser uma autorização para afronta ao nosso país. Se as nações desenvolvidas querem ajudar, um bom caminho seria eles não mais explorarem os materiais tirados ilicitamente de lá. Vale lembrar que a madeira extraída ilegalmente é muito utilizada por esses países e isso eles nada falam.

Assim, em que pesem os problemas pelos quais passa a administração federal, desde que somente desqualificados assumiram o poder (isso não se resume a essa administração e nem a anterior), o cuidado é necessário ao ouvirmos críticas externas. Todo mundo está, na verdade, mais preocupado em defender mais seu mercado do que o planeta.

Diego Capua é advogado