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Folclore Político (C) Madame X e a política

BOM HUMOR Waldemar Costa Filho reagiu a seu modo às previsões da vidente Madame X, que lançou dúvidas sobre sua posse, em 1976. (Foto: arquivo O Diário)
BOM HUMOR Waldemar Costa Filho reagiu a seu modo às previsões da vidente Madame X, que lançou dúvidas sobre sua posse, em 1976. (Foto: arquivo O Diário)

A sinistra previsão que tanto incomodou um prefeito eleito de Mogi

Ao completar a centésima edição deste ‘Folclore Político’, a coluna relembra a história de Madame X, uma vidente que marcou época nas páginas deste jornal, nas décadas de 70 e 80. A respeitada senhora era sempre consultada para as tradicionais previsões de final de ano e em épocas de campanhas políticas. Como aquela de 1976, quando o candidato da Arena, Waldemar Costa Filho, decidiu enfrentar, sozinho, três candidatos do MDB oposicionista, Rubens Magalhães, Padre Herval Brasil e Américo Kimura. Mesmo durante a vigência do voto de legenda, quando vencia aquela que somasse o maior número de votos de seus candidatos. Na véspera da eleição, este jornal foi entrevistar Madame X para saber quem seria o futuro prefeito. A resposta da vidente: o vitorioso iria ser uma grande surpresa para a cidade, pois se tratava de alguém distante da política. Deu Waldemar na cabeça. E, já no final do ano, o jornal voltou a ouvir a vidente, questionando-a sobre o resultado da eleição. “Waldemar ganhou!” – disse-lhe o repórter. Ao que a vidente respondeu: “Ganhou, mas ainda não tomou posse”, disse ela, fazendo muita gente lembrar que o vice de Waldemar era Álvaro de Campos Carneiro, que nunca havia disputado um cargo eletivo em sua vida. O tempo passou e veio a transmissão do cargo de Sebastião Cascardo para Waldemar, no antigo prédio da Prefeitura, na Praça Norival Tavares, que mais tarde abrigaria a sede da Imot. A cerimônia ocorreu em clima de festa dos partidários de Waldemar que, mesmo entre abraços, brandia nas mãos dois envelopes fechados. Em meio à confusão, ele chamava pelo repórter deste jornal, Chico Ornellas, a quem entregou o invólucro lacrado da correspondência, aberta pelo jornalista, no meio do público. Lá dentro, apenas uma folha de papel com as seguintes inscrições: “Madame X se f… Quero que ela vá pra p.q.p.”. Sem dúvida, a política de Mogi das Cruzes já foi muito mais interessante e divertida.

Outro envelope

Curioso, o repórter questionou sobre o conteúdo do segundo envelope, entregue pelo prefeito ao seu antecessor, Sebastião Cascardo. Waldemar, então, lhe contou que era uma passagem para o Japão, pois o promotor público sempre dissera que gostaria de conhecer a Terra do Sol Nascente e ele lhe dera aquele presente. Mentira pura. Só mais tarde se descobriu que no envelope estava cópia de um decreto nomeando a filha de Cascardo professora da rede municipal de ensino.

São Geraldo – 1

A propósito da história da vidente, vale lembrar outra, contada por Gaudêncio Torquato e envolvendo Tancredo Neves. Geraldo Rezende, editor político do mineiro O Diário, sábio e santo, conversava com Tancredo no final da campanha para o governo de Minas, contra Magalhães Pinto, em 1960: “Tancredo, você precisa ter fé. Dê uma passada no Santuário de São Geraldo, em Curvelo, que São Geraldo não esquece seus devotos, Tancredo foi. Perdeu as eleições para Magalhães e telegrafou ao amigo jornalista: “Geraldo, São Geraldo esquece seus devotos.”

São Geraldo – 2

Meses depois, o presidente da República Jânio Quadros renuncia e assume o vice João Goulart, num governo parlamentarista. Tancredo é escolhido primeiro-ministro. O sábio e santo Geraldo telegrafa de volta: “Tancredo, São Geraldo não esquece seus devotos.”

Futuristas

Verdadeiras ou não, algumas videntes famosas marcaram época entre políticos e empresários de Mogi . Alguns deles chegaram a ser sócios de Neila Alckmin, a mineira que tinha o poder de identificar fontes de determinados minerais que chegaram a ser explorados por mogianos. Uma outra, de São Paulo, levou um conhecido incorporador da cidade a suspender uma festa de lançamento já programada, anunciada e contratada, após os conselhos de que a data não era favorável. Já um famoso comerciante mudou o logotipo de seu grupo, feito por uma renomada agência de publicidade, também aconselhado pela mesma pessoa.

Tem uma boa história do folclore político da região para contar? Então envie para:

darwin@odiariodemogi.com.br