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Folclore Político (CIII) O candidato e a igreja

LEGENDA (Arquivo O Diário)

MEMÓRIA Egberto Malta Moreira, conhecido advogado da cidade, disputou a Prefeitura em 1992, quando o prefeito eleito foi Francisco Ribeiro Nogueira. (Foto: arquivo O Diário)

Egberto receberia os votos, se conseguisse projetar um novo templo

O advogado Egberto Malta Moreira era candidato a prefeito de Mogi das Cruzes pelo PSDB nas eleições municipais de 1992, quando em campanha pelo Jardim São Pedro, no distrito de César de Souza, recebeu um desafio inédito de um grupo de moradores. Todos votariam nele, se o candidato encontrasse alguém capaz de projetar uma nova igreja para o bairro, já que a modesta construção ali existente já não comportava mais os fiéis que costumavam frequentar as missas e outras atividades religiosas. O candidato decidiu topar a parada e foi procurar um velho amigo, o arquiteto José João Mossri, para saber se ele entraria a seu lado naquela aventura. Mossri não pensou duas vezes e passou a trabalhar para atender a Egberto. Sua primeira preocupação foi ouvir os moradores do local para sondar suas expectativas em relação à futura obra. “Projetei uma igreja em estilo moderno para aquela época, dentro das condições da população”, lembra o profissional. E não foi preciso muito tempo para que o arquiteto e engenheiro se envolvesse com comunidade católica do bairro, cada vez mais interessada em levar adiante a construção por ele projetada. Foram longos meses de trabalho duro, sempre condicionado ao dinheiro sempre curto para a aquisição dos materiais exigidos pela construção. Demorou muito, mas a igreja ficou pronta e festejada até hoje como uma conquista da comunidade do Jardim São Pedro. Egberto Malta Moreira pode até ter recebido os votos dos moradores de lá, mas não conseguiu se eleger. Semanas atrás, José João Mossri, o prefeito Marcus Melo, o bispo diocesano dom Pedro Stringhini e integrantes daquela localidade se reuniram na igreja para comemorar os 50 anos da festa em homenagem a São Pedro, ali realizada. Naquela noite, a história da construção voltou a ser lembrada. Mas sem a presença de Egberto, já às voltas com os problemas cardíacos que o levariam à morte na última segunda-feira, aos 81 anos.

Zona rural

A história é contada pelo antigo morador do Vale do Ribeira, Joel Avelino Ribeiro, hoje em César de Souza. Longino era o nome de um antigo prefeito de Cajati, região localizada às margens da BR-116, a rodovia Régis Bittencourt, onde proliferavam zonas de meretrício, lá conhecidas como “casas das primas”. Certo dia, Longino estava no Palácio dos Bandeirantes e o governador Mário Covas lhe indagou como ia a zona rural de sua cidade. O prefeito, sem entender direito a pergunta, foi direto: “As zonas estão bem, com muita mulherada nova, mas a rural tem problema, está com o carburador pifado e sem funcionar”.

Decoro

Lembram-se daquele carnaval, em que o deputado Valdemar Costa Neto levou a modelo Lilian Ramos, sem calcinha, ao camarote do presidente Itamar Franco? Pois o assunto acabou indo parar na Câmara de Montes Claros, em Minas, onde o vereador Benedito Said (PTB) criticou a atitude de Itamar, mas foi repreendido pelo presidente da sessão, que considerou “falta de decoro” citar a palavra “calcinha” naquela Casa. Retomando a palavra, o vereador Said ironizou: “Então, senhor presidente, retiremos as calcinhas e fiquemos com o decoro!”

Barbuda é a mãe!

Esta é do jornalista Claudio Humberto: o ex-prefeito de Curitiba Maurício Fruet, incorrigível gozador, estava em campanha para deputado federal, em dobradinha com Paulo Furiatti (estadual). A caminho de um pequeno distrito de Antônio Olinto (PR), ele avisou a Furiatti para tratar muito bem a “Maria Barbuda”, dona de um bar que controlava uns 100 votos na localidade. Só não avisou que a mulher odiava o apelido. Ao chegar, Furiatti foi caloroso: “Dona Maria Barbuda! Agora tenho honra de conhecê-la pessoalmente!” Fruet teve 1.300 votos em Antônio Olinto; Furiatti, 100 votos a menos.

Pede mais!

Valer-se de um minuto de silêncio para reverenciar mortos é algo rotineiro entre políticos. Contam que o então candidato a prefeito de Salesópolis, Francisco Pereira, o Quico, fazendo comício num bairro rural da cidade, começou seu discurso pedindo aos presentes um minuto de silêncio pelo falecimento de um morador da localidade. Um assessor e cabo eleitoral, que conhecia o tamanho da família do falecido, soprou ao seu ouvido: “Um minuto é pouco. Peça cinco. Tem muito voto lá!” Quico chegou a pensar duas vezes, mais ficou só com um minuto mesmo…

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