ARTIGO

Folclore Político (CIX) Cerveja na ambulância

Veículo da Santa Casa foi utilizado para conduzir bebidas para uma festa

Um dos fatos mais comentados nas redes sociais da região, nesta semana, foi a história de uma ambulância que foi usada para transportar pacotes de latas de cerveja para uma festa na periferia de Guararema. O veículo foi flagrado, por volta de 22h30 de sábado (28), estacionado na porta de um mercadinho localizado na área central daquela cidade. Com as portas traseiras abertas, o veículo – que, mais tarde, soube-se que pertencia à Santa Casa da Cidade – foi filmado recebendo uma respeitável quantidade de cerveja. O vídeo viralizou nas redes, o que acabou obrigando um posicionamento da diretoria do hospital. E coube ao presidente da instituição, o conhecido arquiteto José Luiz Eroles Freire, dar as devidas explicações para o fato. Um tanto constrangido, é verdade, ele apareceu na tevê expondo que já determinara a abertura de um procedimento administrativo para apurar direito toda a história, cujo enredo, ele próprio se encarregou de revelar. Naquela noite, acontecia num bairro distante do centro de Guararema, a Parateí Fest, onde a Santa Casa de Misericórdia mantinha uma barraca para venda de salgados e bebidas, com objetivo de arrecadar fundos para a instituição. A certa altura da noite, a ambulância que estava de plantão da festa, foi acionada para trazer até ao hospital uma pessoa que estava passando mal e precisava de atendimento médico. Como começava a faltar cerveja na barraca foi solicitado que o veículo aproveitasse a viagem até o centro para levar as bebidas que estavam faltando. E assim aconteceu. No centro, o dono do mercado foi chamado para vender a cerveja e até ajudou os funcionários a carregar a ambulância com os fardos de cerveja. Os condutores só não contavam com a presença de um celular que, nas mãos de um morador, filmou toda a cena, que logo fez grande sucesso no Facebook e afins. Mas entre ambulâncias e cervejas, lucrou a Santa Casa, que conseguiu, segundo o presidente, arrecadar R$ 4 mil na quermesse. Ah, José Luiz também garantiu que a higiene da ambulância foi feita no próprio local da festa. Resta agora esperar o resultado do procedimento interno e seus desdobramentos, já que na opinião de José Luiz, tal fato “não poderia ter ocorrido”.

Gilvan

O ex-vereador Gilvan Rudge foi um daqueles personagens mogianos sempre lembrado por suas histórias. Bom vivant, com pinta de galã, ele logo caiu nas graças de Chico Nhambu, um produtor de pornochanchadas, gênero de sucesso nas décadas de 60 e 70. Nhambu morava em Mogi e costumava aproveitar a estação ferroviária de Sabaúna e as cachoeiras de Guararema para seus filmes, cheios de cenas tórridas. E não é que em plena campanha de Gilvan para vereador, em 1976, um desses filmes entrou em cartaz, justo no Cine Urupema? As fotos ousadas do cartazes, republicadas por este jornal, fizeram muita gente se benzer. Gilvan, no entanto, ganhou a eleição, com folga.

Dr. Mourão

Já fora da política, mas sempre em busca de novas aventuras, Gilvan foi morar nos Estados Unidos, onde passou a atuar como corretor de imóveis. Poucos se lembravam dele na cidade quando alguns canais de televisão, em plena madrugada, passaram a apresentar uma propaganda de um miraculoso medicamento capaz de promover mudanças radicais na vida sexual de quem os tomasse. A eficácia do remédio era atestada nos comerciais por um desconhecido “Doutor Mourão”. Desconhecido menos para os mogianos que logo identificaram o tal “médico”: era o próprio Gilvan, que jamais estudou Medicina e que certamente não esperava que tal vídeo fosse mostrado justamente para Mogi.

Não é a mamãe!

O jornalista Claudio Humberto conta que, certa vez, Carlos Lacerda fazia mais um discurso devastador, na Câmara dos Deputados, contra o “mar de lama” do governo Getúlio Vargas. A deputada Ivete Vargas, sobrinha do presidente, pedia – em vão – um aparte. Cansada da insistência e muito irritada, Ivete perdeu a paciência: “F.D.P!” – gritou ao microfone a expressão sem iniciais. Com sua estonteante rapidez de raciocínio, Lacerda respondeu na bucha: “Vossa Excelência é muito nova para ser minha mãe!”

Compensação

Outra de Claudio Humberto, em seu impagável “Poder Sem Pudor”: Aloysio Nunes Ferreira era líder do governo na Assembleia paulista e confessou ao governador Orestes Quércia que, sem tempo para campanha, temia ser derrotado na disputa para deputado. O pior é que o prefeito de Rio Preto, Manoel Antunes, era seu concorrente na mesma base. Quércia ligou para Antunes: “Soube da sua candidatura, parabéns. Conte comigo!” Aloysio quase tem um infarto. Quércia tentou acalmá-lo: “Tenho algo melhor para você.” De fato, ele acabaria eleito vice-governador na chapa de Luiz Antônio Fleury Filho.

Tem alguma boa história do folclore político da região para contar? Então envie para:

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