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Folclore Político (CVI) O papaya do papai

IMAGEM Cabelo à escovinha e grandes óculos escuros: perfil que caracterizava os ditadores sul americanos dos anos 80 e 90 era marca registrada de Waldemar. (Foto: arquivo O Diário)
IMAGEM Cabelo à escovinha e grandes óculos escuros: perfil que caracterizava
os ditadores sul americanos dos anos 80 e 90 era marca registrada de Waldemar. (Foto: arquivo O Diário)

O maître foi até a mesa tentando ser gentil com o amigo do “general”

Amante de um bom joguinho de cartas, Waldemar Costa Filho era frequentador assíduo de alguns cassinos paraguaios, para onde costumava viajar, nos fins de semana, sozinho ou em companhia de amigos mais próximos. Quem o acompanhava nestas aventuras geralmente voltava impressionado com o tratamento dispensado ao prefeito de Mogi das Cruzes pelos funcionários das casas de jogos. Geralmente, era tratado como “general” pelos solícitos atendentes, fato para o qual poucos, como o amigo Minor Harada, tinham uma explicação. Num período em que a América Latina era governada por ditadores militares, o cabelo cortado à escovinha e os óculos escuros, invariavelmente utilizados por Waldemar, lhe asseguravam o estereótipo de algum alto comandante militar do Brasil. Algo que ele, convenientemente, nunca fez questão de negar ou explicar, o que justificava todas as mesuras e mordomias que lhe eram oferecidas durante as incursões noturnas pelas mesas de carteado, roleta ou outros jogos. Mas a história de hoje não se passou nos salões principais de algum cassino, mas num hotel, onde, certa vez, Waldemar se hospedou juntamente com um amigo muito próximo que lhe fazia companhia naquela incursão paraguaia. Minor Harada lembrava que logo após um lauto almoço, o tal acompanhante de Waldemar –cujo nome ele fazia questão de preservar – foi até o bufê e pegou uma sobremesa, um suculento pedaço de mamão. Sabendo que se tratava de um amigo do “general” e querendo mostrar serviço e ser amável, o maître foi até à mesa e perguntou: “Como está su papaya (mamão em espanhol)?”. E o amigo de Waldemar, demonstrando consternação, responde, resignado: “My papaya infelizmente já morrió! Pero mi mamanha está viejita, mas ainda muy fuerte”.

Carne fraca

E tem outra história que Minor Harada costumava lembrar: a de um grupo de mogianos que viajou para a Argentina, onde um dos integrantes, saudoso da comidinha de casa, decidiu pedir uma carne de porco ao garçom, em Buenos Aires. “Ustedes tienes carne de puerco?”, indagou ele, diante do atendente que parecia nada entender. Ele insistiu no menu à base de puerco, que continuou deixando o garçom aéreo. O episódio caminhava para uma confusão, quando outro membro do grupo, que acabava de chegar à mesa, explicou que a iguaria suína deveria ser pedida como carne de cerdo, ou de chancho. Jamais como o puerco mogiano.

Ora bolas!

Duas historietas lembradas pelo jornalista Claudio Humberto com um mesmo personagem. Quando se especializava em música, na União Soviética, o genial pianista Arthur Moreira Lima e sua família eram monitorados pela ditadura que grampeava seus telefones, no Rio. Em tempos de comunicação difícil, ele esperou horas por uma ligação para saber o resultado de um jogo decisivo de seu time querido, o Fluminense. Mas sua mãe de nada sabia e não havia ninguém por perto para ela perguntar. Arthur praguejava lá de Moscou, quando o sujeito que escutava a ligação clandestinamente, também Fluminense doente, gritou: “Flusão venceu! Foi 2 a 1!” E desligou.

Tricolor

Além de salutar irreverência, o genial pianista Arthur Moreira Lima é reconhecido, talvez, como o mais “doente” dos torcedores do Fluminense do Rio. Certa vez, ao ser apresentado a um conhecido e respeitado embaixador brasileiro, o músico ouviu do diplomata: “Muito prazer, Vasco Leitão da Cunha”. Arthur respondeu de bate-pronto: “Prazer, Fluminense Moreira Lima”.

Sem letras

Dizem que quando governador de São Paulo, Adhemar de Barros encontrou-se com um velho amigo, numa viagem pelo Interior. Perguntou como andavam as coisas e o amigo respondeu que casado, com oito filhos e desempregado, nada poderia estar bem. Adhemar chamou a secretária e ordenou: “Na segunda-feira, nomeie o meu amigo professor do Estado”. Na segunda, a secretária foi ao gabinete: “Doutor Adhemar, seu amigo é analfabeto. Como vamos nomeá-lo professor?” Adhemar coçou a cabeça, mas foi rápido: “Realmente, se ele é analfabeto, não pode ser professor. Por isso, trate de aposentá-lo”. E assim foi feito.

Tem alguma boa história do folclore político para contar? Então envie para:

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