INFORMAÇÃO

Folclore Político (CXIV) Corredores da primeira hora

Tadao Sakai correu mais de 5 km em busca de socorro para feridos

Ao viajar, recentemente, para a Turquia, o atual presidente da Câmara de Mogi, vereador Sadao Sakai, aproveitou para participar da 41ª edição da Maratona de Istambul, onde correu 15 km junto com a esposa Eliane. Ao ler a notícia publicada por este jornal, houve quem se lembrasse de outra corrida, solitária, feita pelo seu pai, o também vereador Tadao Sakai, no dia 5 de junho de 1979, que ajudou a salvar a vida de mogianos, feridos num grave acidente ocorrido quando a Mogi-Bertioga, ainda estava em construção. Naquele dia, acontecia uma das muitas visitas, organizadas pela administração do ex-prefeito Waldemar Costa Filho, com objetivo de levar pessoas da cidade para ver de perto o andamento das obras da rodovia, ao longo da Serra do Mar. Naquela manhã, o ponto final seria na altura da futura ponte sobre o rio Guacá. Ali, para que as máquinas pudessem chegar à pista definitiva da rodovia, eram feitos cortes quase verticais nas encostas dos penhascos, onde somente caminhonetes com tração nas quatro rodas conseguiam subir e descer. Os três veículos que levavam os mogianos chegaram até a margem direita do rio e, algum tempo depois, teve início a viagem de volta. A primeira caminhonete subiu sem problemas, mas a segunda não teve a mesma sorte. Ao atingir a metade da rampa, a marcha escapou e o veículo voltou de ré pelo estreito caminho da encosta. O acidente, inevitável àquela altura, acabou se agravando quando uma das rodas atingiu uma pedra, o que fez com que o veículo capotasse, em sequência, sobre a própria carroceria, de onde iam sendo lançadas as pessoas que lá estavam: vereadores, empresários, profissionais liberais e até um policial. Todos feridos gravemente. A estrada não era asfaltada, não havia celulares à época e o único telefone para pedir socorro ficava no acampamento da empreiteira, a uns cinco quilômetros de distância. A estrada, cheia de pedras e muita terra, não permitia que os veículos trafegassem a mais que 10 km por hora. A viagem a pé duraria menos tempo. E foi então que surgiu Tadao Sakai, que decidiu seguir serra adentro, correndo, na busca de socorro. Como bom maratonista, chegou ao telefone de onde noticiou o ocorrido. Depois de algum tempo, chegaram as primeiras ambulâncias para recolher os feridos. Entre eles estava o vereador Narciso Yague Guimarães, que viria a morrer, dias depois, na Santa Casa de Mogi. Graças a Tadao, os demais foram socorridos a tempo. E salvos.

Sem fio3

A história de certo vereador de César de Souza é contada pelo morador do distrito, Joel Avelino Ribeiro. Segundo ele, com ajuda dos colegas de fábrica e familiares, o jovem conquistou uma vaga na Câmara. Até que, chegando ao fim do mandato, um colega foi lhe pedir um favor. O vereador logo pegou o telefone, discou um número e começou a falar com entusiasmo para impressionar o amigo. Este, a certa altura, se levantou, o interrompeu e disse, antes de deixar a sala: “Se você ligar o fio do telefone à tomada vai ouvir melhor a ligação”. A história ganhou a Rádio Peão e o dito cujo político, até hoje, nunca mais se reelegeu.

Vingança cruel

Conta o jornalista Claudio Humberto que em Vajota (CE), o candidato a prefeito Gentil Pires (PSB) convenceu um adversário a ser vice, prometendo renunciar em dois anos. E entregou a ele um papel em branco com sua assinatura. Eleito, Gentil não cumpriu o trato. E a vingança foi cruel: a Câmara Municipal recebeu uma carta-renúncia, onde ele confessava bater na mulher, beber muito e não se sentir “em condições morais” para o cargo. Destituído, reconheceu sua assinatura, mas não a carta. Moral da história: assinar em branco hoje pode ser a sentença de morte amanhã.

Visitante

Fossem outros os tempos, e o Festival Furusato, que acontece neste final de semana, no Cocuera, certamente receberia a visita do ex-governador Laudo Natel, frequentador assíduo da festa dos agricultores mogianos. Hoje, aos 99 anos, se permite apenas algumas saídas para visitar alguns endereços gastronômicos de São Paulo, ao lado dos filhos, como foi testemunhado, semanas atrás, pelo jornalista Chico Ornellas, deste diário.

Gerações

Amigo pessoal de Waldemar Costa Filho, desde que foi governador do Estado, Natel passou a ser presenteado pelo prefeito mogiano com pacotes semanais do Café Lourenço, pelo qual, tinha especial apreço. Waldemar se foi, mas o filho, Valdemar Costa Neto, fez questão de dar continuidade ao hábito do pai. E manteve o envio dos pacotes de pó de café ao antigo aliado político.

Frase

No Brasil de hoje, os cidadãos têm medo do futuro. Os políticos têm medo do passado.

Chico Anysio (1931-2012), humorista, ator, comentarista, compositor, escritor, pintor e radialista brasileiro

Deixe seu comentário