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Folclore Político (CXL) Um jantar de campanha

HB lembra a participação de Waldemar em evento no Clube Náutico Mogiano

As afinidades entre o ex-prefeito de Mogi das Cruzes, Waldemar Costa Filho, e o empresário Henrique Borenstein sempre foram muitas. Em praticamente todos os seus quatro mandatos na Prefeitura, Waldemar se valeu, das mais diferentes maneiras, da experiência do economista para ajudar a controlar as contas do município. Sempre que uma crise maior se abatia sobre as finanças municipais, Borenstein era chamado a capitanear um grupo de chamados “notáveis” da cidade para opinar sobre os caminhos para levar aquele momento a um bom termo. Invariavelmente com sucesso. Borenstein, de invejável memória, guarda ótimas histórias do velho amigo, como a que ele contou, recentemente, em uma entrevista para a 100ª edição do Podcast Informação, deste jornal. Waldemar era inteligente, sabia como agradar as pessoas, embora não tivesse o dom da oratória. Era sempre curto e objetivo. E foi assim que, numa de suas candidaturas a prefeito, amigos decidiram promover um jantar, no Clube Náutico, buscando arrecadar fundos para a campanha. O ingresso para o regabofe, que custaria, no máximo, R$ 30 por pessoa, era vendido por R$ 500, por exemplo. O que valia era ajudar o candidato. Naquela noite, não foi diferente. Mais de umas 500 pessoas no superlotado salão social acompanhavam o desfile de políticos que, ao microfone, enalteciam as virtudes do candidato a prefeito, falando das obras de Waldemar, do que ele poderia fazer pela cidade. O último a falar, antes de Waldemar foi seu filho, Valdemar Costa Neto, o Boy, como era mais conhecido, antes ainda de se eleger deputado. Ele agradeceu a presença de todos e disse saber que as pessoas estavam ali para ouvir o “futuro prefeito” e que iria, portanto, passar a palavra ao “futuro prefeito Waldemar Costa Filho”, que permanecia sentado. Todos se levantaram e aplaudiram o candidato que, finalmente, se levantou e, microfone em punho, disse: “Boa noite. Já são nove e meia da noite e vocês já devem estar de saco cheio de ouvir esta papagaiada toda e com fome. Vamos jantar. E muito obrigado!” Nem plano de governo, nem promessas. Só palmas. Mais uma eleição estava garantida.

Um cruzeiro

Numa de suas primeiras administrações, Waldemar decidiu nomear Henrique Borentein, como secretário “ad hoc” das Finanças. A legislação travou tal propósito. Borenstein teria de cumprir horário e receber como qualquer outro, o que seus compromissos impediam. Waldemar optou por uma saída a seu estilo. Contratou o amigo pelo salário simbólico de Cr$ 1 (um cruzeiro, dinheiro da época) ao ano. Resolveu o problema legal. Mas quem perdeu foi o Centro Espírita Antonio de Pádua, de Álvaro Carneiro, a quem Henrique havia prometido repassar o subsídio real, que acabou não recebendo.

Tirada de Lacerda

O engenheiro e arquiteto José João Mossri envia mais uma do espirituoso político à coluna. Carlos Lacerda foi governador da Guanabara entre 1960 e 1965 e crítico ferrenho do presidente Getúlio Vargas (1951-1954). Em um evento, uma deputada getulista se dirigiu a ele e disse: “O senhor é um f. da p.!” Sem perder a calma, ele silenciou por alguns minutos e, em seguida, respondeu: “A senhora deputada é muito nova para ser minha mãe”. A conversa acabou por ali mesmo.

Ditadores

O consultor Gaudêncio Torquato costuma lembrar, de vez em quando, histórias de nossos ditadores de Terceiro Mundo. Como o dia em que um deles foi ao médico, a quem indagou: “E a pressão, doutor?” E o médico, querendo mostrar serviço e subserviência: “O senhor sabe o que faz, meu marechal. Neste momento, ela é imprescindível para manter a ordem.”

Mineirices

O conhecido “Zé Abelha” é autor de livros, como “A Mineirice”, onde relata histórias do folclore mineiro. Casos, como o de Mariana, cidade histórica, onde o religioso que trazia o cacófato no nome, cônego Amando, era conhecido pela verve de grande brincalhão. Certo dia, relata Abelha, viajando pelo interior do município, uma de suas assistentes caiu do cavalo. Rapidamente ficou em pé. Meio sem graça, indagou: “Cônego, o senhor viu minha agilidade?” E ele: “Minha filha, eu até que vi. O que eu não sabia é que agilidade tinha mudado de nome.”

Tem alguma boa história do folclore político da região para contar? Então envie para:

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