Folclore Político (CXLIII) O sub-prefeito de Sabaúna

Como o comerciante Adelino assumiu o cargo e o distrito recebeu uma praça de presente

Cleide Soares tem uma paixão explícita por Sabaúna, a pacata localidade onde vive desde a infância, acompanhando da janela de sua antiga casa, uma daquelas de pé direito alto, a passagem do tempo e as poucas mudanças que o distrito sofreu nas últimas décadas. Naquela casa, onde o café sempre quente é cortesia obrigatória para os visitantes, Cleide se lembra das muitas histórias que acompanhou de perto e que fazem parte da história do local. Como esta, contada especialmente para a coluna deste domingo. Aldo Raso foi vice-prefeito de Mogi das Cruzes de janeiro de 1956 a março de 1957. Neste ano, assumiu a Prefeitura da cidade, pois o titular eleito, Henrique Peres, o Vidam, havia sido cassado. Faltando alguns meses para finalizar sua administração, Aldo Raso decide mudar o sub-prefeito (hoje denominado administrador regional) do distrito de Sabaúna. Convida o comerciante Adelino Soares Ferreira, proprietário da Casa Soares, loja de tecidos e armarinhos, para ser o sub-prefeito. Adelino não aceita, pois não tinha nenhuma pretensão de ocupar cargo político. O prefeito pressiona Adelino e este declina do convite, mais uma vez. O prefeito Aldo Raso insiste e promete realizar alguma obra em Sabaúna, só para tê-lo na administração do Distrito. E Adelino Soares Ferreira apresenta então o pedido: a construção de um jardim na área central de Sabaúna, junto ao pátio da Igreja Nossa Senhora do Carmo. O prefeito ponderou que não seria possível, pois teria apenas seis meses até o final do mandato. O comerciante, argumentando que era a única condição para aceitar a empreitada do cargo, conquistou, finalmente, a aprovação do prefeito. E no final de 1959, o jardim foi inaugurado, com banda de música, prefeito e outras autoridades. Hoje tem o nome de praça Jesuíno Franco. E o comerciante Adelino Soares Ferreira, que acabou conquistando a sonhada praça central do distrito era o pai de Cleide Soares, que nos brindou com estas significativas lembranças do passado da acolhedora Sabaúna.

Sussurros

Contam que numa de suas campanhas para deputado, Estevam Galvão de Oliveira chegou em Jundiapeba para um comício. Mal começou o discurso, alguém gritou: “Fala mais alto, Estevam!” E ele, no mesmo tom: “Não posso. Não quero que os suzanenses me ouçam pedindo votos para os mogianos”.

Armistício

O jornalista Sebastião de Souza Lemos, dono do Diário Quatro Cidades, com sede em Ferraz de Vasconcelos, todo ano entregava o “Troféu Quatro Cidades”, uma espécie de Oscar regional, para os que mais se destacassem em suas áreas de atuação, segundo sua própria avaliação. Era a época da perestroika, período de abertura política na antiga União Soviética e ele não titubeou em convidar os presidentes Mikhail Gorbatchev e Ronaldo Reagan (EUA) para receberem o prêmio pela contribuição à humanidade. Nenhum deles apareceu. Mas mandaram seus representantes diplomáticos. Aquela foi a noite gloriosa de Souza Lemos.

Comadre Jackie

Outra na mesma linha: o prefeito paranaense, José Amâncio Costa, batizou toda sua prole com nome de personalidades famosas, como Maria Antonieta, Bismarck, Getúlio, Juscelino e Kennedy. Para batizar o derradeiro, convidou o próprio presidente americano, que não pôde vir, mas se fez representar pelo cônsul dos EUA. Pouco tempo depois, Kennedy foi assassinado. Amâncio chorou a morte como poucos. E a quem tentava consolá-lo, ele respondia: “O que me preocupa mesmo é a minha comadre Jacqueline!”

Apelido

Lembram os mais antigos que Manoel Mello Freire não gostava de ser chamado de Manecão, apelido pelo qual era conhecido entre os mais próximos de sua tradicional família. Dizem que certo dia, um amigo foi bater à porta de sua casa e, ao ser atendido pela mulher, indagou: “O Manecão está?” Ao que ela, irritada com a petulância do interlocutor, respondeu:

“O cão está no quintal; já o Maneco saiu alguns minutos atrás”.

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