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Folclore Político (CXLIV) O candidato e o pai de santo

De repente, Estevam pisou nas velas acesas e a sua capa de chuva pegou fogo

Mesmo após o filósofo do futebol, Neném Prancha, ter dito que se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminaria sempre empatado, alguns políticos parecem não concordar. E por mais que tentem esconder, muitos costumam procurar uma ajudazinha espiritual extra, especialmente em épocas de eleições. E aí vale tudo: de templos católicos ou evangélicos, até os terreiros, com seus pais e mães de santo. Afinal, uma forcinha a mais para as eleições é sempre bem-vinda. Sem contar que a presença do candidato nesses locais já desperta a simpatia dos habituais frequentadores. Francisco Quadra Andrez, o Ticão, em seu livro de memórias – Suzano – A história que você não leu – conta, bem a seu estilo: “Durante a primeira campanha de Estevam Galvão de Oliveira para prefeito de Suzano, eu fechei o trabalho com um chefe de terreiro de candomblé, lá no incipiente bairro de Jardim Revista. O caboclo marcou um dia e lá fomos, eu e o candidato, receber os passes. Era uma sexta-feira chuvosa e o Estevam vestia uma capa que havia comprado dois dias antes. Entramos no terreiro, colocaram o candidato no meio do salão, de costas para uma centena de velas acesas. Um guerreiro paramentado tirou uma enorme espada e, cortando o ar, rapidamente, se aproximou do Estevam, que, assustado, começou a recuar. De repente, ele estava pisando nas velas e sua capa pegou fogo. Aí, foi uma correria para apagar as chamas, antes que o candidato ficasse torrado. Tudo ocorreu muito rapidamente, mas para Estevam pareceu durar uma eternidade. No carro, na volta, perguntei: ‘Tudo bem agora?’. ‘Tudo bem, Ticão’, respondeu ele, cheirando à vela e pano queimado. ‘Amanhã você vai receber uns passes num terreiro lá do Rio Abaixo’, lembrei o candidato. ‘Estarei lá’, disse ele, ‘mas não esquece de levar um extintor’.”

Telefone mudo

O chefe de gabinete é uma espécie de para-raios do prefeito. Que o diga João Gilberto Moro que, certa tarde, foi procurado por um correligionário, na porta do gabinete de Junji Abe. “Vim saber do emprego que o senhor me prometeu na campanha”. Na hora, Moro pega o telefone, tecla alguns números aleatoriamente, espera algum tempo e começa a falar: “Chefe, lembra-se daquela vaga prometida para nosso amigo do Cocuera? Como, você esqueceu, Junji? Mas vai dar um jeitinho, não vai?” Posso ficar sossegado? Então tá ótimo!”. Bate o telefone, e diz: “Ele garantiu. Qualquer novidade, eu te ligo!”. O correligionário sai satisfeito, sem perceber que o fio do telefone não estava conectado a nenhuma tomada.

Puro treino!

Alguns anos após ter chegado a Mogi, Padre Melo encontra-se com um amigo, beirando os 80 anos, cuja casa ele havia visitado, lá pelos lados do Sertão dos Freire. Os dois se abraçaram efusivamente, nas proximidades da Catedral, e Melo, solícito: “João, que prazer, esses meninos são seus netos?”. “Não, Padre, são meus filhos”, responde o idoso, sem perder o rumo. “São filhos, mas você já com essa idade?” “Pois é, Padre, o segredo é treinar, treinar sempre!”. Por via das dúvidas, Melo encerrou a conversa por ali mesmo.

Fake news

Os boatos e as falsas notícias que costumam circular em épocas eleitorais não são novidades. Só ganharam uma denominação e meios de divulgação mais sofisticados. Há quem conte que José Maria Alkmin (sem o “c”), deputado por Minas Gerais, foi se queixar a Tancredo Neves das denúncias feitas contra ele e que, segundo assegurava, eram falsas. “Você sabe, não é Tancredo?”, perguntou ao seu adversário, à época. “Sei, mas o problema é saber se as pessoas acreditam que você seria capaz de fazer isso. Se acreditarem, pouco adiantará negar”, respondeu-lhe Tancredo.

Parabéns a você!

Sebastião Nery conta mais uma da dupla mineira. Alkmin fez aniversário. Tancredo Neves não lembrou. Dia seguinte, encontrou Alkmin na Câmara dos Deputados. “Não pude visitá-lo, nem sequer telefonar. Mas passei um telegrama.” E o interlocutor, rapidíssimo: “Recebi e já respondi”.

Tem uma boa história do folclore político da região para contar? Pois então envie para:

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