Folclore Político (CXLVII) A ‘sala do ócio’ da Prefeitura

Espaço teria cafezinho e água gelada, além de jornais e muitas revistas

Vale relembrar aqui que Waldemar, quando prefeito pela segunda vez, tinha verdadeira ojeriza dos privilégios em excesso que gozavam os funcionários públicos. A estabilidade era o que mais lhe incomodava, pois impedia que o empregado ficasse subordinado ao seu estilo mandão, ditatorial mesmo, como ele próprio se autodefinia. Em suas entrevistas, era comum Waldemar desfiar os muitos privilégios das pessoas “do quadro” – benefícios como qüinqüênio, licença-prêmio, abono de faltas, entre outros – para reclamar que não conseguiu colocá-los no ritmo de trabalho por ele preconizado. Não eram todos, ressalvava; apenas um pequeno grupo. Possivelmente ligado à oposição. Certo dia, num de seus encontros com o jornalistas, Waldemar, demonstrando ainda mais irritação com a turma da marcha lenta, disse que havia encontrado uma solução para acabar de vez com a indolência do pessoal, que já estaria começando a contaminar os demais estáveis. E anunciou que, a partir da próxima semana, iria instalar na sede da Prefeitura, uma “sala do ócio”. “Irei reservar uma sala totalmente envidraçada, para que possa ser vista por todas, colocar cafezinho, água gelada, os jornais do dia, as revistas da semana e outras publicações; e transferir para lá todo esse pessoal que não quer nada com a dureza e está atrapalhando a administração municipal. Pelo menos, eles terão algo de útil para fazer, já que não gostam de trabalhar e ainda atrapalham o ritmo daqueles que colaboram com o prefeito”, disse ele, demonstrando animação incontida com sua grande ideia. A “sala do ócio” chegou aos jornais da Capital, mas nunca chegou a ser implantada. Não se sabe se por autocrítica do prefeito, por questões legais, ou por mudança de comportamento dos “ociosos”.

Dando bode

Firmino José da Costa era prefeito de Suzano quando publicou um edital anunciando a venda de um bode que fora apreendido pela Fiscalização e nunca reclamado pelo dono. Repetido, o anúncio chamou a atenção do vereador Francisco Quadra Andréz, o Ticão, conhecido algoz do prefeito, que fez as contas e foi à tribuna denunciar Firmino por excesso de gastos. O valor de mercado do bode era inferior aos gastos com o edital no jornal. O caso repercutiu e, como não houve comprador no leilão, o bode comeu e bebeu até o fim da vida, às expensas do erário suzanense.

Proteção

A historinha já entrou para o folclore político, mudança apenas o personagem central, quase sempre um governador. No caso, Geraldo Alckmin. Dizem que ele foi procurado, certo dia, por um velho conhecido de Pindamonhangaba, sua cidade natal, que lhe pediu: “Governador, estou precisando de sua proteção.” E, ele: “Certo, ande direito e pode contar comigo.” E o amigo: “Muito obrigado, governador. Eu andando direito, não preciso da ajuda de ninguém.”

Plural, por favor

Uma de Sebastião Nery, o rei do folclore político. Enéas da Cruz Nunes era irmão do secretário de Segurança do antigo estado do Rio, Edézio Nunes. Foi nomeado funcionário, mas saiu “Enéa”, no Diário Oficial. Foi ao governador da época: “Governador, quero que o jornal conserte. Todo mundo sabe que meu nome é escrito no plural.”

A sogra

Guaraci Galocha, primeiro vereador mogiano eleito com apoio da Igreja Universal do Reino de Deus, incomodava Waldemar por conta de um lixão que se formara no Parque Morumbi, perto da casa de sua sogra, que também não dava tréguas ao genro.Waldemar mandou filmar o local. Passados alguns dias, chamou Galocha e mais um grupo de vereadores. Um filme traria revelações do lixão. Quando a sessão de cinema começou, num telão do gabinete, a surpresa: lá estava a sogra de Galocha despejando detritos no local. “Vai levar uma multa, agora!”- anunciou o prefeito, diante de um Galocha enrubescido e das gargalhadas dos demais presentes.

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