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Folclore Político (CXLVIII) O dia do difícil reencontro

Uma amiga comum, da família Jafet, reaproximou Waldemar e Paulo Maluf

A caminho de chegar aos 95 anos, em outubro próximo, o engenheiro Jamil Hallage é portador de privilegiada memória, que lhe permite lembrar fatos que testemunhou, quando era um dos homens da mais absoluta confiança do então prefeito de Mogi, Waldemar Costa Filho. A história que se segue me foi contada por ele, tempos atrás. E vale a pena ser relembrada: “Uma senhora da família Jafet, antiga conhecida de Waldemar e de Paulo Maluf, à época secretário de Estado dos Transportes, não se conformava com o fato de que os dois estavam distanciados, brigados mesmo, sabia-se lá por qual motivo. E fazia o possível para reaproximá-los. Num encontro casual com Maluf, a senhora não perdeu a chance para lhe dizer que havia estado com Waldemar e sentido que ele gostaria de falar com seu desafeto. Perguntou se poderia intermediar o reencontro de ambos e recebeu o sinal verde de Maluf. A reaproximação ocorreria na Secretaria de Transportes, na Capital, graças ao respeito que a senhora merecia dos dois. Fui convocado pelo Waldemar para acompanhá-lo e lá fomos para a Secretaria, no prédio da avenida do Estado. Lá chegando, fomos levados para o gabinete do secretário e, após os cumprimentos de praxe, só ficamos os três na sala: Maluf, Waldemar e eu. Silêncio absoluto. Nenhum dos três falava. O tempo passava. Trocas de olhares interrogativos. Não sei quanto tempo durou. De repente, o Waldemar fala em voz alta: ‘Jamil, vamos embora…’ Levanta-se e se dirige para a porta de saída. Eu fiz o mesmo… O Maluf, então, levantou-se, correu em direção à porta, onde chegamos praticamente juntos. Com o bico do sapato, ele manteve a porta fechada e disse: ‘Waldemar, vamos conversar como amigos!’ Ao que Waldemar respondeu: ‘Como amigos? Vamos!’ Voltamos para a mesa e os dois conversaram por muito tempo, como velhos e bons amigos. Hoje posso dizer que quem saiu ganhando com tudo aquilo foi Mogi das Cruzes.”

Em português

Agenor Pereira, o feirante mineiro de Teófilo Ottoni, que se elegeu vereador por Poá, era conhecido por suas ideias extravagantes, que sempre chegavam à Câmara. Foi de sua autoria, o projeto de lei que proibia a execução de música estrangeira em espetáculos ou solenidades da Prefeitura, nos anos 90. A proposta era cristalina: se, porventura, Frank Sinatra viesse a se apresentar na cidade, deveria cantar três músicas em português para cada uma em inglês. A exótica proposta está engavetada até hoje.

Ferroada

O livro “Marimbondos de Fogo”, lançado pelo ex-presidente e acadêmico José Sarney, só recebia loas dos críticos amigos, até que chegou a vez de ser analisado pelo intelectual e humorista Millôr Fernandes, que foi rápido e sutil: “É um livro que quando você larga, não consegue mais pegar.”

Em Biritiba

Há quem conte que, em certa sessão, na Câmara de Biritiba Mirim, um vereador chamou o seu companheiro de plenário de “beócio”. O colega levantou-se e disse, em alto e bom som: “Nobre vereador, se a palavra beócio foi agradativa ou adulativa, muito obrigado a vossa excelência, mas se for atacativa, beócio é a mãe de vossa excelência”. Era atacativa.

Traições

Lembram os mais antigos que logo após haver abandonado a batina para se casar, Padre Melo desfez o noivado com uma conhecida dama da sociedade local. Desgostoso, por tabela, mandou demitir todos os parentes da moça que trabalhavam na Universidade. Alfredo Nahum, pai do desembargador aposentado Marco Nahum, foi um deles. Dias depois, ele estava sentado no Salão Elegante, de Roberto Escobar, no centro, quando chega o espalhafatoso engenheiro Antonio Costa Leite: “Quer dizer que o Padre lhe deu um pontapé no traseiro?” Ao que Nahum, sempre muito calmo, respondeu: “E o que mais eu poderia esperar? Se ele enganou até Cristo, não iria enganar o pobre Alfredinho?” Os risos foram inevitáveis…

Tem uma boa história do folclore político regional para contar? Então envie para

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