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Folclore Político (CXVI) Serguei, república africana

Livro do escritor Fermin Puerta lembra o incrível Agenor

O ex-vereador Agenor Pereira volta a ser assunto na coluna, por conta do escritor paulistano radicado em Poá, Fermin Puerta Filho, autor do livro “José Massa… momentos de uma vida”, que ele fez chegar até este repórter, por meio do amigo comum, Josemir Ferraz de Campos. O livro que revela histórias de vida do ex-prefeito poaense, José Massa, primeiro a ser eleito pelo voto popular após o período ditatorial, em que os dirigentes da estância turística eram indicados pelo governo militar, também conta um episódio envolvendo o feirante que se tornou um dos vereadores mais comentados, à época. Eleito com o slogan “O macaco tá certo”, numa referência ao bordão utilizado por personagem do “Planeta dos Homens”, humorístico da Rede Globo, Agenor era uma pessoa simples, formada, como ele dizia, pela “universidade da vida”, mas de uma criatividade ímpar, capaz de apresentar as mais inesperadas propostas na Câmara. O folclórico vereador, no entanto, não escapava das “brincadeiras e pilhérias dos colegas de vereança que se referiam à sua pouca escolaridade”, como lembra Puerta, em seu livro. Um dos poucos representantes da raça negra na Câmara, seus colegas não se impressionaram quando ele apresentou uma moção de congratulações ao “novo País criado na África”, conforme notícia atribuída por ele Estadão de “domingo passado”, que trazia dobrado debaixo do braço. A nova nação teria se libertado da dominação inglesa e se transformado, “após anos de luta”, na República de Serguei. A moção foi aprovada por unanimidade para ser encaminhada ao Itamarathy, que ficaria encarregado de fazê-la chegar aos dirigentes daquele País. Antes que isso acontecesse, no entanto, Agenor voltou à tribuna para dizer aos colegas que não ficaria bem para pessoas tão cultas como eles aprovarem uma moção congratulando-se com um País que não existia, só porque alguém lhes sugeriu tal aprovação. Lembrou ainda aos colegas, que tanto o espicaçavam: “dessa forma, vocês podem acabar avalizando a própria renúncia ou uma sentença de morte.” A dura lição de Agenor serviu para acabar com as brincadeiras de gosto duvidoso, que eram feitas com ele na Câmara de Poá.

Fala, Zé!

Zé Abelha, escritor mineiro especialista em causos da política, conta que nos anos de chumbo, falar em Juscelino era pecado mortal. Mas era também tempo de mudança das placas dos carros, as chamadas alfanuméricas. A Câmara de Diamantina oficia ao Contran solicitando as letras JK para as placas dos carros do município, “como uma forma de homenagear o grande estadista John Kennedy”. O Contran não atende. Um conterrâneo de Juscelino desabafa: “Esse pessoal do Conselho deve ser republicano, eleitor do Nixon”.

E os meninos?

A história já foi atribuída a muita gente. Na região, dizem que se passou com Francisco Rodrigues Corrêa, o Quico, ex-prefeito de Salesópolis. Contam que certo dia, caminhando por um dos bairros rurais da cidade, ele encontrou um de seus muitos compadres, o qual não via fazia tempo: “E aí, como vai? E a comadre? E as crianças?” “Tudo bem”, respondeu o amigo, mas com uma ressalva: “Minha mulher está ótima, mas, por enquanto, ainda é só um menino, certo?” E Quico, sem perder a pose: “Ora compadre… e eu não sei que é um filho só? Mas é um menino que vale por muitos. Então, como vão os meninos?”

Chamado…

Outra do Zé Abelha. Comício em um distrito de Caratinga/MG. A política fervia. Os grupos iam aos palanques armados até aos dentes. Zé Augusto, candidato, para onde ia, levava a tiracolo seu famoso violino, a pequena metralhadora, cuja capa lembrava o instrumento de Paganini. Fazia parte da comitiva do candidato um famoso padre da região, o monsenhor Aristides Marques da Rocha, que militava no PSD e exercia grande influência sobre as massas.

…divino

O religioso só andava armado. Revólver em um bolso e as balas embrulhadas num lenço, bem amarradas, no outro. Um adversário de Zé Augusto, ao ver o monsenhor armado, toma coragem e tenta, desconcertado: “Uai, monsenhor, o senhor não vive dizendo que homem só morre quando Deus chama?”. E ele: “É isto mesmo, meu filho, mas hoje eu estou armado porque posso encontrar algum udenista que Deus está chamando com urgência e, aí, eu presto um serviço ao Criador, matando o filho da p….” O comício de Zé Augusto transcorreu na santa paz.

Frase

Político mineiro é como cola adesiva. Adere, depois começa a melar e finalmente descola; aí, desprega.

Filosofia do escritor Zé Abelha para fechar a coluna de hoje, com um “bom domingo” a todos.


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