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Folclore Político (CXVII) A herança maldita de Mogi

Primeiro prefeito, Lourenço Marques lembra o que Poá herdou após se emancipar

Mais uma do escritor Fermin Puerta Filho, em seu livro “José Massa… Momentos de uma vida”, onde ele relembra fatos da política da cidade de Poá, que já foi um distrito de Mogi das Cruzes, até obter sua emancipação político-administrativa, no final da década de 40. O autor conta que ouviu de José Lourenço Marques da Silva, um orador vibrante que ocupou inúmeros cargos na vida administrativa da cidade, o caso que se segue. Diz Puerta que quando Poá se emancipou, deixando, finalmente, de ser distrito de Mogi e assumindo a condição de município, Lourenço Marques, como seu primeiro prefeito, eleito para o período de 1949 a 1953, encontrou sérias dificuldades para prover a nova cidade dos serviços minimamente necessários. Pelo visto, o processo de separação não foi nada amigável, a julgar pelo fato de que a Prefeitura Municipal de Mogi não teria ajudado, nem um pouco, o novo município a dar os seus primeiros passos com a autonomia que lhe caberia daquele momento em diante. Mogi não teria dado a mínima atenção para a organização burocrática da nova cidade e nem tampouco se preocupado com a situação financeira daquela comunidade que alçava vôo solo e independente. Não houve, contou o prefeito, qualquer ajuda no apoio financeiro e nem na permanência dos bens que haviam sido conseguidos com os impostos pagos pelos moradores do antigo distrito de Poá. Lourenço Marques, após sobreviver a todos esses desafios no cargo de prefeito, sempre que possível, fazia questão de contar que “a única herança que Mogi das Cruzes deixou para Poá foi…uma carroça e dois burros”.

Meu voto

Contam os mais antigos que certo candidato a vereador por Mogi, de nome João Bento, teria provocado uma enorme confusão durante a apuração dos votos, que era feita manualmente, à época, a ponto de chamar a atenção do juiz eleitoral que fiscalizava o trabalho. Ao tentar descobrir o que estava ocorrendo, o candidao explicou à autoridade que numa cédula eleitoral o eleitor havia grafado “Jumento”, mas que a sua intenção teria sido de escrever “João Bento”. O voto não valeu. Nem o candidato se elegeu.

A ponte

A história que se segue é atribuída – mas nunca confirmada – ao ex-prefeito de Suzano, Firmino José da Costa. Num de seus comícios de campanha, no Jardim Colorado, o então candidato à reeleição discursa e anuncia que irá construir uma ponte. Junto com ele, no palanque, um de seus secretários diz que é impossível. Firmino vai em frente: “Se o secretário diz que não pode, vamos colocar uma daquelas pontes do Exército”. Outro secretário fala ao seu ouvido: “Não dá, prefeito. O Exército diz que não há condições técnicas”. Firmino, então, explode. E mesmo dando um passo para trás, o microfone captou: “Merda de secretários! Não me deixam nem prometer uma ponte”.

No tribunal

Esta foi contada à coluna por um antigo juiz de Direito mogiano, que curtia por aqui sua aposentadoria, depois de passar por várias comarcas do Interior. Um dia antes do julgamento, a única testemunha de um grave crime praticado na cidade era uma figura folclórica, que teria sido procurado por familiares do réu para negar terminantemente que presenciara o crime. Durante o julgamento, a testemunha, devidamente qualificada, ouve a pergunta definitiva do juiz: “O senhor estava presente ao assassinato de Chico Ferreira?” A testemunha levanta a cabeça, fita o réu e, calmamente, se dirige ao juiz: “Espere, doutor, e o compadre Chico Ferreira morreu???”

Obra difícil

O coreto que estava sendo construído ao lado da única igrejinha do bairro de Várzea Alegre, no Vale do Paraíba, era aquilo que se conhecia como “obra da paróquia”, aquela que nunca terminava. Todos criticavam a demora, mas ninguém ousava cobrar do padre que lá aparecia uma vez por mês para a missa, celebrada na entrada da capela, bem ao lado do fatídico coreto que, mesmo parcialmente coberto, servia de local de descanso a um dos bêbados famosos do lugarejo. A certa altura da cerimônia, eis que ele acorda do sono profundo, olha para o padre, e tasca, em tom de comício: “Coreto não sai! Santo não bebe e não come! Leilões e mais leilões! Centavos e mais centavos!” Todos pararam estupefatos. O padre silenciou e o bêbado, após o discurso, voltou a dormir. No coreto inacabado.

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