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Folclore Político (CXVIII) O V do Carvalho mogiano

Mogi já viveu os tempos das campanhas eleitorais feitas em faixas de pano

João Anatalino Rodrigues é conhecido na cidade não apenas pelos textos escorreitos com os quais presenteia, semanalmente, os leitores deste jornal, abordando de política nacional a outros assuntos relacionados a Mogi. Autor de vários livros sobre temas palpitantes, como “Fernando Pessoa e o Efeito Borboleta” e “O Filho do Homem”, entre outros, ele já viveu experiências como auditor da Receita Federal, provedor da Santa Casa de Misericórdia e fundador da Associação Oficina Mogiana dos Aprendizes (Amoa). Pois hoje, Anatalino atende ao desafio semanal da coluna e volta no tempo para nos brindar com uma história ligada a uma das campanhas eleitorais da cidade, em épocas passadas: No fim dos anos 50 e início dos anos 60, em Mogi das Cruzes, o vereador Arlindo Mineiro de Carvalho era um dos políticos mais votados nos bairros do São João, Vila Natal, Caputera e adjacências. Na época costumava-se fazer propaganda dos candidatos pintando seus nomes nos muros (de quem permitisse) e colocando faixas de pano nos frontispícios das casas dos apoiadores dos postulantes. Os garotos da rua Ana Elvira de Souza Mello (hoje João Batista Fittipaldi), tiveram uma idéia genial: sair à noite e roubar essas faixas de pano para fazer camisas para o time de futebol que tínhamos lá. Como a mãe de um dos garotos era costureira, bastava lavar os panos e tingi-los com a cor do time, que logo saía uma bela coleção de uniformes. O candidato Arlindo é que não gostou do arranjo e, como vereador que era, propôs à Prefeitura cercar o campinho onde a molecada jogava, pois o terreno era patrimônio municipal. Em represália, a molecada saiu de novo, à noite, e onde encontrava o nome dele pintado em um muro, apagava o V do Carvalho. O nome dele virou palavrão. O vereador ficou uma fera. Mas depois de algum tempo, como bom político que era, relevou e passou a contar o fato com muito humor.

Coroinha

Durante a missa das 11 horas de domingo passado, na Catedral de Santana, o deputado Marco Bertaiolli, chamado ao altar pelo padre, lembrou seus tempos de infância ligados ao templo. “Cresci aqui, fiz minha primeira comunhão no banco número 6, da direita, onde sentava com meus avós. Fui coroinha do padre Vicente Morlini e do padre Xavier”. Em seguida, mostrou o final inesperado da história: “Só parei quando padre Vicente quis me mandar para o seminário. Aí eu vi que iria acabar virando padre.” Parou e virou político.

Mobiliário

Reza a lenda que um antigo deputado federal, ao encerrar o mandato, recebeu um parlamentar, vindo do Norte do País, que iria ocupar o gabinete da Câmara que, até então, era usado por ele. Conversa vai, conversa vem, o político convenceu o estreante que os móveis da sala eram dele. E acabou por vendê-los ao inexperiente recém-eleito. Só depois de algum tempo, o novato descobriu que a mobília era parte do patrimônio do Congresso. Por via das dúvidas, preferiu deixar para lá. Para não passar por outro vexame.

Eu e Ele

Esta quem conta é o consultor político Gaudêncio Torquato, em suas impagáveis Porandubas Políticas. O mineiro comprou um pedaço de terra no cerrado, um cascalhão duro, seco, terrível. Passou 20 anos arando, irrigando, plantando. Um dia, estava tudo lindo, o capim alto, verde, o feijão viçoso, uma beleza, o mineiro chamou o padre para rezar uma missa em ação de graças. O padre fez o sermão: “Vejam, meus irmãos, o que Deus e o Homem podem fazer juntos.” Depois da missa, lá de trás o mineiro chamou o padre, deu uma baforada no cigarro de palha e tascou: “Senhor padre, o senhor precisava era ter visto isso aqui quando Deus estava sozinho.”

Sonhos

E para encerrar, uma contada pelo jornalista Claudio Humberto, grande colecionador de “causos” da política. Candidato a senador em 1986, Mauro Benevides estava em um palanque na praça dos Franciscanos, Juazeiro do Norte (CE), quando o candidato a deputado estadual Marcus Fernandes contou a lorota em forma de “sonho”: “Sonhei que Padre Cícero Romão Batista baixava num monte nuvens diante de mim e, com aquela voz tronitoante, que só os santos possuem, apontou pra mim e disse: ‘Marquinhos tu és um dos meus!’ Benevides cutucou o orador e implorou, ao pé do ouvido: “Marquinhos, por favor, me bota nesse sonho!…”

Tem uma boa história do folclore político regional para contar? Então envie para:

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