INFORMAÇÃO

Folclore Político (CXX) Jânio Quadros mogiano

Osvaldo Regino, em seu  cartaz, para os adversários: No dia 15, papa-los-ei”

O advogado, mestre em Direito Tributário e escritor, João Anatalino Rodrigues, volta a colaborar com a coluna, lembrando histórias relacionadas ao último pleito municipal da década de 60, época em que a política doméstica era concorridíssima, por conta da força dos grupos que disputavam o comando administrativo da cidade. Com a palavra, o escritor. As eleições de 1968 para a Prefeitura de Mogi das Cruzes foram umas das mais concorridas da história. Três candidatos disputavam, palmo a palmo, os votos: Waldemar da Costa Filho, Jacob Cardoso Lopes e Osvaldo Regino Ornelas. Jacob e Waldemar eram os dois mais cotados e se envolveram numa verdadeira guerra de mútuas acusações, dignas das mais sórdidas campanhas políticas que já se viram por estas bandas. Ornelas resolveu aproveitar a briga entre os seus dois principais adversários e mandou desenhar, nos outdoors colocados nos carros que circulavam com sua propaganda, dois galos de briga se despedaçando em uma rinha. Em baixo dos dois brigões colocou a frase: “Briguem, meninos, briguem. No dia 15 de novembro papá-los-ei.” Quem gostava de usar verbos com pronomes em mesóclises era o ex-presidente Jânio Quadros. Uma anedota da época dizia que, certa vez, apresentaram para ele uma foto da atriz Sonia Braga, naquela cena famosa do filme “Gabriela, Cravo e Canela”, onde ela sobe em um telhado para pegar uma pipa que lá ficou enroscada. Jânio, ao olhar para a foto teria dito: “Se eu tivesse trinta anos comê-la-ia. Mas como já tenho mais de setenta, comê-lo-á”. Eloá era o nome da esposa dele. Quanto ao candidato Ornelas, ele não conseguiu vencer as eleições com a sua “janiesca” frase, mas ganhou o apelido de “Jânio Quadros de Mogi das Cruzes”.

A sogra

Guaraci Galocha, primeiro vereador da cidade eleito com apoio da Igreja Universal do Reino de Deus, costumava atormentar o prefeito Waldemar Costa Filho por conta de um lixão existente nas proximidades da casa de sua sogra, que também não dava trégua ao genro. Waldemar mandou filmar o local. Dias depois, chamou Galocha e um grupo de vereadores em seu gabinete, prometendo revelações sobre o lixão. Mal a sessão de cinema começou, veio a surpresa: lá estava, na tela, a sogra de Galocha despejando um balde de detritos no local. “Vai levar uma multa agora” – anunciou Waldemar, diante de um Galocha enrubescido e das risadas gerais dos demais presentes.

Cadê elas?

Um político com assento no Congresso chega a uma festa no distrito de Taiaçupeba e é recebido pela anfitriã: “É um grande prazer recebê-lo em minha casa. Pois saiba que já ouvi muito falar do senhor”. E ele: “É bem possível, minha senhora, mas garanto que ninguém tem provas.”

No radar

A denominação de um radar meteorológico, inaugurado em maio de 1988, na Barragem de Ponte Nova, colocou em lados opostos dos prefeitos Massayuki Uono, de Salesópolis, e Benedito Freitas, de Biritiba Mirim. Os dois queriam ver o nome das respectivas cidades junto à denominação oficial do radar. O caso ganhou contornos de disputa. E a palavra final ficou para o governador da época, Orestes Quércia. No dia da inauguração, a grande expectativa em relação ao descerramento da placa onde estaria o nome do equipamento. Em cima do muro, Quércia decidiu dar o nome de “Radar Meteorológico de Ponte Nova”. Acabou desagradando a todos.

Amizade sincera

A história de dois vereadores muito amigos se passou no Ceará e é lembrada por um filho da terra, o médico e ex-vice-prefeito de Mogi, Melquíades Portela. Ambos moravam na mesma rua, trabalhavam no mesmo emprego e, todas as tardes, passavam juntos pelo boteco do Zuza para uma “saideira”, antes de seguirem para suas respectivas casas. A fraternal ligação os levou a um pacto: quando um deles morresse, o sobrevivente continuaria bebendo a cachaça do outro. Tempos depois, um se foi e o amigo passou a cumprir o prometido. Foi assim até um dia o velho freguês recusou um dos dois copos que o dono do boteco habituara a servi-lo. “Que é isso, está quebrando o juramento?” – indagou Zuza. E o vereador explicou: “Deixei de beber. Agora estou tomando somente a cachaça do meu amigo”.

Tem uma boa história do folclore político regional para contar? Então envie para:

darwin@odiariodemogi.com.br


Deixe seu comentário