Folclore Político (CXXI) A guerra das pesquisas

Após um longo período como inimigos mortais, Waldemar e Jacob Cardoso Lopes se reconciliaram e atuaram juntos politicamente

Campanha eleitoral de 1976 para prefeito: em Mogi, Waldemar Costa Filho, da Arena, decide enfrentar sozinho, mesmo com o voto vinculado, os três candidatos do MDB, Rubens Magalhães, Padre Herval Brasil e Américo Kimura. Apesar de ter de enfrentar a soma dos votos de seus adversários, Waldemar estava na frente e monitorava sua campanha por meio de pesquisas feitas pelo Instituto Gallup. Reta final de chegada, no fim do prazo para divulgação, Waldemar divulgou para este jornal o resultado da última pesquisa, que lhe garantia a vitória. Quando soube que a consulta seria publicada, Jacob Cardoso Lopes, ideólogo e financiador do MDB, procurou a direção do jornal solicitando a divulgação de outra pesquisa, que teria sido encomendada por ele ao desconhecido Instituto de Opinião Pública de Ferraz de Vasconcelos. O jornal publicou os dois resultados, com grande destaque. Veio a eleição e confirmou as previsões do Gallup. Waldemar ganhou, o tempo passou, e, certo dia, este repórter entrevistava Jacob Lopes, no interior da Madeireira Santana, na rua Dr. Deodato, quando, a certa altura, mexendo num de seus arquivos, Jacob sacou um calhamaço de papel e disse: “Quero lhe dar um presente; aqui está”. Pois a papelada nada mais era do que os originais da pesquisa do Instituto de Ferraz de Vasconcelos. Entre risos, Jacob confessou: “Você nem queira saber o trabalho que deu produzir todos esses números. Foi uma noite inteira de trabalho.” Ou seja, o tal Instituto de Ferraz nunca existiu. Jacob e seus aliados foram os autores da falsa pesquisa.

Foi o caos!

A chuva forte que atingiu a região de Biritiba Ussu, no final dos anos 80, fez estragos por toda a parte. O vereador que representava o distrito ligou para a rádio em Mogi para relatar a calamidade. E entre apelos aos mogianos, ele justificou: “Mandem ajuda porque a situação aqui está caônica!”. Ele queria
dizer caótica.

Aviso

Contam que certo prefeito suzanense, logo após a eleição, inaugurou uma nova praça na cidade e, preocupado com a possível depredação de sua obra por adversários políticos, mandou colocar a seguinte placa: “Proibido pisar na grama. Quem não souber ler, favor perguntar ao guarda.”

Cantadores

O consultor Gaudêncio Torquato conta que, certa vez, o presidente Juscelino Kubitscheck foi levado por um de seus ministros para conhecer um desafio de cantadores, no Ceará. Um cego estava lá com sua viola e ao saber da presença do presidente, lascou: “Kubitscheck, ai meu Deus, que nome feio. Dele só quero o cheque, porque do resto ando cheio”. Por via das dúvidas, o presidente não voltou a ouvir repentistas nordestinos.

Aviso

Chagas Freitas, ex-governador do Rio, mantinha uma frase em destaque, no seu gabinete: “Não peço a Deus que me dê, mas que me ponha onde encontrar”.

O segredo do fracasso é querer contentar a todos.

Frase de John Kennedy, usada como espanta favores, no gabinete, pelo ex-prefeito Waldemar e depois herdada por Marco Bertaiolli


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