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Folclore Político (CXXII), Histórias de Jânio Quadros

MEMÓRIA Propaganda política de uma das campanhas de Jânio Quadros que começou vereador e chegou a presidente, cargo ao qual ele renunciou.
MEMÓRIA Propaganda política de uma das campanhas de Jânio Quadros
que começou vereador e chegou a presidente, cargo ao qual ele renunciou.

A renúncia foi sempre um tema que atormentou o ex-presidente do Brasil

A história a seguir é enviada à coluna pelo escritor e colunista deste jornal, João Anatalino e lembra um fato ocorrido numa das passagens de Jânio Quadros pela cidade. Ele conta que lá pelo início dos anos 60, depois de sua malograda experiência como presidente da República, Jânio Quadros disputou a eleição para governador de São Paulo. Seu principal oponente era Adhemar de Barros. Naquela época, os comícios, feitos em praça pública, sempre tinham uma claque de apoiadores do candidato, que ficava aplaudindo tudo que ele falava. E geralmente também aparecia um ou outro apoiador dos adversários que, na contrapartida, vaiavam. Num comício feito em Mogi das Cruzes, um simpatizante do Adhemar tentou embaraçar Jânio com uma pergunta feita á queima-roupa: “Ei Jânio”, disse ele, “conta a verdade: por que você renunciou?” Jânio, com aquele estilo que lhe era peculiar, respondeu, na lata: “Meu senhor, em primeiro lugar, intimidades a gente só toma com a mulher com quem a gente dorme. Em segundo lugar, só dou satisfação aos meus eleitores e o senhor, seguramente, não é um deles.” Os janistas deliraram com a resposta. O ademarista, vendo as caras hostis que se aproximavam dele, mais que depressa saiu de fininho. Mas não escapou de uma calorosa vaia.

Eterna renúncia

Contam que Jânio, ao lado de um grupo de políticos cassados pelo golpe de 64, participava de uma feijoada na casa do ex-deputado socialista Wilson Raal, quando este, fazendo referência à situação política dos presentes, quis saber do ex-presidente por que ele havia renunciado. Jânio ficou vermelho de raiva e, prestes a explodir: “Perguntaste, queres resposta. Dir-te-ei, Wilson. Renunciei porque a comida do Palácio da Alvorada era uma merda. Uma merda, Wilson, como a da tua casa.” Leventou-se e foi embora, como contou o jornalista Sebastião Nery.

Caipirinhas

Não foi o que houve em Mogi, numa das visitas do ex-presidente à cidade. Aqui ele foi levado para almoçar no Terraço Paulo, restaurante que marcou época na esquina da Ricardo Vilela com Manoel Caetano. O proprietário da casa, Paulo Pereira de Carvalho, fez questão de preparar um arroz à carreteiro de um jeito que, até hoje, só ele sabe fazer. Jânio não só elogiou a comida, como fez questão de acompanhá-la com pelo menos quatro caipirinhas e algumas cervejas.

Carne de vaca

Amigo pessoal de Jânio, Quintanilha Ribeiro estava em casa, quando foi chamado, às pressas, ao Planalto, onde o presidente lhe mostrou a carta de renúncia. “O que o País vai dizer de nós?” – indagou Ribeiro. “Dentro de 48 horas, estaremos de volta, nos braços do povo”, respondeu o presidente. “Ora, Jânio, em 48 horas outro estará em seu lugar e seremos carne de vaca”. Jânio não deu ouvidos a Ribeiro. E deu no que deu…

Asa ou chifre?

Dizem que quando Jânio Quadros morreu, surgiu no velório um homem que não parava de chorar. Questionado, ele contou que muito tempo atrás, encontrava-se no alto de um prédio, pronto para se matar, quando Jânio, vereador paulistano à época, gritou para que ele não fizesse a enorme bobagem. O tal homem insistiu que iria pular porque a esposa o havia traído. Jânio foi cirúrgico: “O que tua mulher te arrumou foi um par de chifres, não um par de asas. Desça já daí”. E salvou o cidadão.


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