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Folclore Político (CXXXIV) Uma ausência de 19 anos

Waldemar Costa Filho, um dos principais políticos mogianos, deixou histórias

No dia 26 de abril de 2001, há exatos 19 anos, Mogi das Cruzes perdia um político que fez história e deixou outras tantas para serem contadas. Era uma tarde de quinta-feira, quando o mineiro Waldemar Costa Filho, aos 77 anos, foi vencido na luta contra um câncer de pulmão, descoberto meses após ele ter encerrado o quarto e último mandato de prefeito e transferido o cargo a seu sucessor, o mogiano Junji Abe. O político de pavio curto e radical, que começou na UDN, passou pela Arena, PDS, PDT e PL, é lembrado até hoje pelas obras que mudaram radicalmente o perfil de Mogi, ao longo de seus 18 anos no comando da Prefeitura – como a construção das estradas Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga, só para ficar nas mais conhecidas –, mas igualmente como protagonista de histórias incríveis, muitas delas já contadas aqui neste espaço, sempre aos domingos. Waldemar e seus “causos” tiveram lugar constante, ao longo das 134 colunas dominicais, dedicadas ao folclore da política mogiana e de outras plagas. Folclore, todo mundo sabe, tem muito de verdade, mas também de imaginação das pessoas que vão modificando as histórias à medida que passam, de boca em boca, até chegarem ao receptor final, que se encarrega de lhes dar forma jornalística. No caso de Waldemar, a maioria delas foi acompanhada e vivenciada pelo repórter, que cobriu o Executivo local ao longo dos três últimos mandatos do prefeito, chegando a testemunhar muitos dos episódios que viraram lendas na vida política de Mogi das Cruzes. Numa homenagem ao personagem, vamos lembrar algumas de suas histórias. Começando pelo fim.

Último desejo

Internado no Hospital Ipiranga, com sérios problemas respiratórios, Waldemar tinha as horas contadas. E sabia disso, quando recebeu a visita do deputado – e fumante inveterado, como ele –, Estevam Galvão de Oliveira. Bastou os dois ficarem a sós no quarto, e veio o inevitável pedido: um cigarro. Estevam, que sabia do estágio avançadíssimo do câncer, atendeu à vontade do amigo. Foram algumas baforadas, até a chegada do médico Olavo Ribeiro Rodrigues, que aplicou uma sonora bronca nos dois. Waldemar morreria no dia seguinte.

Lições

Em campanha eleitoral, Waldemar e Antonio Lino, candidatos a prefeito e vereador, vão a uma reunião no Botujuru, onde o assunto descambou para insegurança. Uma moradora perguntou a ele o que fazer para ter segurança. Waldemar abriu uma maleta, retirou o calibre 38 de lá e aconselhou: “Compre um desse aqui, mas antes aprenda a atirar para não errar o f. da p.”. Mal proferiu o palavrão, viu o padre Attilio Berta a seu lado: “Perdão, padre, perdão”. Na saída do encontro, notou que o delegado Marcos Batalha também estava presente. Virou-se para Lino, com o mea culpa definitivo: “Fiz uma cagada!”

Tapas e ônibus

O diretor de Trânsito de Mogi, Euzébio Carlos Gritti, participava de uma reunião em que exigia melhorias da Eroles, monopolista por décadas do transporte coletivo na cidade. Antonio Eroles, um dos donos da empresa, se desentendeu com Gritti, levantou-se e desferiu um tapa no rosto do diretor. A confusão chamou a atenção de Waldemar que invadiu a sala e partiu para cima de Eroles com socos e pontapés. A turma do “deixa disso” entrou em ação, mas Eroles acabou expulso de vez da Prefeitura.

Fio de bigode

Waldemar, prefeito, e Fleury Filho, governador, não se entendiam, até que após muita insistência do amigo comum, Angelo Albiero Filho, foram juntos para um palanque. O governador iria prometer obras para Mogi. No discurso, Fleury disse que não precisava assinar qualquer documento, pois entre ele e Waldemar, o que valia era o compromisso na base do “fio do bigode”. As obras nunca saíram. E o prefeito se vingava, cada vez que alguém lhe indagava sobre o assunto. “O Fleury disse que valia o fio de bigode, mas só depois foi que notei que ele nunca teve barba e muito menos bigode. Era só conversa fiada mesmo”.

Tem alguma boa história do folclore político da região para contar? Então envie para:

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