Folclore Político (CXXXVII) “Vá à PQP! E dá o alvará!!!”

Uma cena escatológica no gabinete do prefeito de Mogi das Cruzes

Paulo Machado fazia parte da Diretoria Regional do Ciesp quando, acompanhado do diretor Angelo Albiero Filho, foi visitar o gabinete de Waldemar Costa Filho para lhe fazer um pedido nada ortodoxo. Para atender à solicitação de um dos filhos, Paulo solicitou ao prefeito que fosse concedido o alvará para funcionamento de um estacionamento numa área paralela à linha férrea, no trecho da rua Navajas aberto à época, entre a Moreira da Glória e Dr. Deodato Wertheimer. O proprietário do imóvel já havia recebido uma resposta negativa quando apresentou idêntico pedido a uma secretária de Obras linha dura que Waldemar escolhera a dedo para, justamente, evitar que problemas desse tipo acabassem por cair diretamente em seu colo. Naquele dia, no entanto, caíra e ele tinha interesse de colaborar com o amigo. Mandou chamar a secretária linha dura ao seu gabinete e deu a ordem na frente dos dois visitantes. “Libere esse alvará para o Paulinho!”, ordenou ele. Ao que ela retrucou: “Eu não posso, seu Waldemar, isso é irregular, pois a lei manda que haja um recuo de 10 metros a partir da faixa da linha do trem…” Waldemar insistiu: “Dá o alvará para ele!” E a secretária linha dura fez jus à fama: “Mas eu não posso, prefeito, é contra lei…” Foi o que bastou para Waldemar perdesse a linha e a compostura. E, dando um murro sobre a mesa, que fez estremecer copos, xícaras, caixas de processos e tudo mais que por lá estava, vociferou: “…vá prá puta que te pariu e dá o alvará por Paulinho!!!” Paulo Machado diz que não sabia onde colocar o rosto, enquanto Angelo Albiero, vermelho como um pimentão, abaixava a cabeça para não ter de encarar a secretária que, irritada com tudo aquilo, deixou o gabinete, constrangida, mas sem perder a pose. Resumo da ópera: o alvará saiu e o estacionamento funciona até hoje naquele trecho da rua Navajas. “E eu, envergonhado, nunca mais conversei com a secretária”, diz Paulo Machado, ao recordar o episódio, nesta última sexta-feira.

Vai…

Oliveiros Rodrigues era pessoa de confiança. Estava para Waldemar, mais ou menos como Gregório Fortunato para Getúlio Vargas. Certo dia, o prefeito recomendou que Oliveiros lotasse uma kombi com cães vadios que, segundo consta, teriam sido enviados à cidade por um prefeito da região. Para evitar problemas maiores com os vizinhos, recomendou que os animais fossem soltos em alguma praia deserta de Santos. Oliveiros cumpriu a tarefa quase à risca, pois alguém viu, anotou as placas do veículo e enviou à prefeita santista e petista, Telma de Souza.

…e volta

A prefeita não pensou duas vezes. Mandou recolher os animais e mandou soltá-los, novamente, em Mogi. Mas não parou por aí. A vingança haveria de ser maligna. Em seguida, chamou a imprensa da Baixada Santista e contou toda a história, mostrando fotos dos cães na praias e classificando o prefeito de Mogi como algo parecido a um monstro insensível. Waldemar, por muito tempo, tinha urticárias só de ouvir o nome de Telma.

Ponto de vista

Uma professora requereu licença-gravidez para o parto do oitavo filho. O prefeito da cidadezinha mandou investigar e soube que ela tinha votado com a oposição. Pegou o processo, deu o despacho: “Indefiro. Nego a licença. Gravidez não é doença. Apanha-se por gosto.”

Origens

Chico Buarque veio jogar futebol com Lula no campo da Escola do MST, em Guararema. Foi cumprimentado por um aspirante a candidato a vereador da Zona Leste da Capital. Apresentaram-se:

“Prazer… Sou Chico Buarque de Hollanda.”

E o político:

“Prazer é meu… Sô Joaquim Oliveira, de São Miguel Paulista.”

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