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Folclore Político (LIII) Tempos de futebol e brigas

ETERNO Argeu Batalha foi um personagem ímpar na história da Prefeitura de Mogi, servindo, indistintamente, a prefeitos de diferentes épocas e partidos. (Foto: Arquivo/O Diário)

Caminhões levaram os “torcedores” para o jogo que terminou em confusão

Do alto de seus 87 anos completados no último dia 30, o professor e desportista José Carlos Miller da Silveira, o Tuta, revela à coluna o que ele considera a versão definitiva do episódio envolvendo o ex-prefeito Waldemar Costa Filho e o time da antiga Mineração Geral do Brasil, lembrado dias atrás, aqui neste espaço. Conta Tuta que o Poaense, cujo campo se localizava na entrada da Cidade de Poá, era temido por todos os times da região, por conta da dureza de seus atletas e de sua torcida, igualmente belicosa. Quando foi marcado o confronto entre o Poaense e Minerasil, formado por atletas da siderúrgica da Vila Industrial, alguns líderes foram procurar o responsável pelo Departamento Pessoal da empresa, o próprio Waldemar, que já tinha fama de encrenqueiro, antes mesmo de ingressar na política. Os líderes disseram que temiam apanhar, senão na bola, mas no braço, dos jogadores e torcedores poaenses. Waldemar, relembra Tuta, prometeu ajudar a equipe e começou por escalar dois briguentos de mão cheia no onze mogiano: Hélio Brasil, um parente do relator da história, e Cabecinha, cuja família era dona de uma padaria onde hoje se localiza o restaurante Feijão & Cia, na Coronel Souza Franco. Junto com isso, Waldemar arranjou alguns caminhões da própria Mineração e convocou para fazer parte da torcida, os mais fortes e brigões da empresa. Algumas quadras antes do campo, os “torcedores” desceram, deixaram os veículos e foram, em grupos para o campo, onde frágeis grades de madeira substituíam os alambrados. O local estava praticamente cercado quando a partida começou. Passada mais de meia hora de jogo, Waldemar deu um sinal para Cabecinha, que entrou em ação. Ao dividir a bola com Romeu, que tinha a fama de ser o mais bravo da Poaense, o mogiano lhe desferiu uma tremenda bofetada que o deixou estirado no chão. Era o mote para a confusão se generalizar com a entrada em campo dos “torcedores” da Minerasil, disparando socos, pontapés e rabos de arraia para todos os lados. “Bateram em todo mundo”, sustenta Tuta, garantindo que até hoje ninguém conseguiu fazer o balanço final das vítimas daquele malfadado jogo de futebol.

Famoso quem?
Mesmo numa situação pouco favorável nas pesquisas eleitorais, o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) não perdeu sua verve de grande contador de histórias. A mais recente, ele relatou em Brasília, num encontro da semana passada, lembrando um encontro num sinal de trânsito de São Paulo, em janeiro, quando governava o Estado.  Uma senhora teria se aproximado de seu carro para entregar-lhe um jornal. Trocaram sorrisos e, na despedida, ela olhou bem para o tucano, quatro vezes governador paulista, e disparou: “Tchau, Paulo Maluf!”

Dor nas pernas
Suplente de vereador que assumiu o cargo em meados do mandato, o médico Duílio Rossi costumava lembrar o episódio por ele testemunhado, quando recebeu, em seu gabinete, um eleitor da zona rural reclamando de fortes dores numa das pernas, já inchada. “Vá ao meu consultório”, recomendou Duílio, que recebeu imediata resposta do visitante: “Tô só esperando inchar a outra também, seu doutor. Assim já aproveito uma consulta e examino as duas”.

Quem é ele?
Argeu Batalha, o mogiano que serviu, com fidelidade canina, perto de uma dezena de prefeitos da Cidade, sempre contava o milagre; jamais o santo. A história que se segue envolveu um chefe do Executivo pouco letrado que, certo dia, chamou seus principais auxiliares e exigiu: “Tragam as folhas de pagamento, que quero ver se tem alguém aqui ganhando mais do que eu!”. Com a papelada nas mãos, ele olhou tudo, de cima a baixo, analisou, e disparou: “Tão vendo? Bem do modo que imaginei. Um baita de um marajá comendo o dinheiro do povo!” Todos se entreolharam, surpresos com a revelação e, quase em uníssono, perguntaram: “Quem!” E o prefeito: “Esse tal de Total, que eu nunca vi trabalhando aqui.”

Desastre
Contam que numa noite escura, voltando de um comício no interior, um ônibus de dois andares, lotado de políticos, sai da pista, capota duas vezes e cai numa fazenda. O dono acorda assustado e vai ver o que ocorreu. Ao encontrar a dramática cena de pessoas estateladas, faz um grande buraco e começa a enterrar os corpos. Dias depois, um investigador de Polícia bate à porta de sua casa para fazer perguntas sobre o acidente. “Aonde estão os políticos?” “Ué, eu enterrei eles naquela cova ali”, responde o fazendo, ao que o investigador retruca: “Mas estavam todos mortos?”. E o caipira: “Bão… Alguns diziam que não. Mas o sinhô sabe como esses políticos são tudo uns mentirosos…”

Cotidiano

ETERNO Argeu Batalha foi um personagem ímpar na história da Prefeitura
de Mogi, servindo, indistintamente, a prefeitos de diferentes épocas e partidos. (Foto: Arquivo/O Diário)

Frase
Não há nada mais inútil do que discutir política com os políticos.
António de Oliveira Salazar (1889-1970), chefe de Estado nacionalista português e professor catedrático da Universidade de Coimbra