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Folclore Político (LXII) Histórias de poder sem pudor

PROVOCAÇÃO Jânio Quadros levava um rato para o palanque com objetivo de atazanar a vida de seu principal adversário na disputa pelo Governo do Estado, Adhemar de Barros. (Foto: Arquivo)

O dia em que Tancredo e Ulysses Guimarães arrumaram namoradas

O jornalista alagoano Claudio Humberto Rosa e Silva é daqueles tarimbados repórteres que conhece como poucos os bastidores da política e do poder, em Brasília, onde encontra-se radicado faz muito tempo. Para quem dele não se lembra, uma dica: ele foi o assessor do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que implantou o sistema “bateu, levou”, uma forma agressiva de relacionamento entre o chefe do governo e seus adversários e também com a Imprensa. Com Collor cassado, escreveu o livro Mil Dias de Solidão¸ contando os bastidores do governo e do impeachment do presidente. Logo em seguida, publicou o Poder Sem Pudor, com histórias do folclore político nacional, ouvidas e coletadas por ele no dia a dia e nos eventos da Capital Federal e outros estados. O jornalista edita atualmente uma coluna que é distribuída para dezenas de jornais em todo o país – O Diário do Poder -, além de participar, como comentarista, de programas noticiosos da Rede Bandeirantes de Rádio. O seu livro de histórias será a fonte de algumas delas mostradas na coluna de hoje, como a que envolveu o saudoso mineiro Tancredo Neves. Conta ele que em agosto de 1983, Tancredo Neves promovia reuniões secretas para articular sua vitória no Colégio Eleitoral, e precisava driblar os jornalistas: marcou encontro com dois governadores e Ulysses Guimarães, na casa de um amigo no Lago Sul, em Brasília. Passou pelos repórteres apressado: – Ulysses e eu arranjamos umas namoradas e vamos encontrá-las. – É mesmo? Aonde é o encontro? – perguntou uma repórter, sorrindo. – Na QL 8 do Lago Sul. Ninguém acreditou, nem seguiu a dupla. Que se dirigiu tranquilamente para a reunião com os governadores. Na QL 8 do Lago Sul.

Alagoices
O deputado Chico Arlindo frequentava assiduamente a Assembleia Legislativa de Alagoas, e fez um discurso criticando os deputados faltosos, lembrando que ele ali comparecia “cotidiariamente”. O deputado Aurélio Viana aparteou, com ar irônico: – Não é “cotidiariamente”, deputado; o certo é “cotidianamente”. Chico Arlindo devolveu: – Cotidianamente para Vossa Excelência, que só aparece aqui uma vez por ano. Para mim, que venho todos os dias, é cotidiariamente mesmo.

Limite da paciência
Na disputa pelo Governo de São Paulo com Adhemar de Barros, o do “rouba, mas faz”, Jânio Quadros exibia um rato morto nos palanques, comprando-o ao adversário. Adhemar engolia calado: sua mulher, muito religiosa, pedia para ele não ceder à baixaria. Mas um dia Adhemar perdeu a paciência. Ao ser anunciado num comício, saudou a todos polidamente, voltou-se para esposa, pediu-lhe licença, beijou um terço e, vermelho de raiva, explodiu: – Esse Jânio é um filho da p(*)! Mais que isso, é um… e xingou o adversário com todos os palavrões que aprendeu na vida.

Longa disputa
A briga de Paulo Maluf com Mário Covas, em São Paulo, durou mais de meio século. Começou numa eleição para o Diretório Acadêmico da Escola Politécnica de Engenharia. Covas ganhou, mas firmou a convicção de que Maluf usa e abusa do poder econômico: ele distribuiu canetas Parker 100 entre os eleitores. Maluf guarda os boletins escolares dos dois, só para mostrar que sempre foi melhor aluno que o adversário. E quando se recorda do assunto, lembra com bom humor: – Só faltou o Covas dizer que eu superfaturava os boletins.

Montes Claros
O autor do atentado a Jair Bolsonaro é de Montes Claros (MG), progressista cidade que tem experiência histórica no assunto. No dia 6 de fevereiro de 1930, em plena campanha eleitoral, partidários da Aliança Liberal (getulistas) atacaram a tiros de espingarda um comício dos prestistas (apoiadores do rival Júlio Prestes). Mataram quatro prestistas e feriram quase mortalmente o mineiro Fernando de Mello Viana, vice-presidente da República. Acabou não havendo a eleição, mas sim a revolução que levou Getúlio Vargas ao poder.

Cotidiano

PROVOCAÇÃO Jânio Quadros levava um rato para o palanque com objetivo de atazanar a vida de seu principal adversário na disputa pelo Governo do Estado, Adhemar de Barros. (Foto: Arquivo)

Nota do Editor:

Em razão da uma falha no momento da transmissão do texto para a Redação deste jornal, a coluna de domingo último deixou de ser publicada, sendo reprisada a do dia 9 do mês passado. Pedimos desculpas aos leitores e publicamos hoje o texto que deixou de ser apresentado.