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Folclore Político (LXXIII) O “golpe da ata” em Biritiba

Um pequeno detalhe. E a cidade ganhou também uma feira de cama e mesa

Joaquim Ribeiro Coelho, o Joaquim Padeiro, era prefeito de Biritiba Mirim e resolveu enviar à Câmara um projeto de lei disciplinando o funcionamento da feira livre da cidade. Sua proposta, entretanto, não autorizava a comercialização de produtos para cama, mesa e assemelhados. O vereador Antonio Carlos Salgado de Abreu apresentou uma emenda à proposta do prefeito contemplando os produtos não autorizados e que foi aprovada. O Legislativo tinha, à época, nove vereadores. Oito de situação, oito de oposição e o presidente Elias Tomé da Silva Pires. Padeiro não gostou de ser confrontado e vetou a emenda. O veto retornou à Câmara para ser avaliado pelos vereadores e, para derrubá-lo, seriam necessários os votos de dois terços dos vereadores, algo praticamente impossível numa Câmara tão equilibrada entre prós e contras. Mas não na Biritiba daqueles tempos. A emenda acabou promulgada pelo presidente Elias Tomé. O prefeito ingressou na Justiça com um mandado de segurança contra a decisão tomada pelo Legislativo. Alegava não ter havido os dois terços dos votos necessários para a derrubada de seu voto e, sim, o empate lógico. No Tribunal, o representante do Executivo, ao ler a ata feita após a votação, sentiu que ele e seu representado haviam sido passados para trás. Eles haviam sido vítimas do “golpe da ata”. Afinal, na sessão em que o veto do prefeito fora rejeitado, todos os vereadores presentes assinaram a ata confirmando a decisão relativa à derrubada do veto de Padeiro. Até mesmo os integrantes do grupo da situação. O prefeito jamais perdoou Elias Tomé por ter perdido aquela votação de maneira quase infantil. Algo inaceitável para um político com sua experiência.

Jânio na praia

“O Poder Sem Pudor”, do jornalista Claudio Humberto, completa as histórias de hoje do nosso folclore com conhecidos personagens de nossa política. Conta ele que Jânio Quadros levou a mulher, Eloá, para um passeio no sul da Espanha, em 1989. Por sugestão do amigo Augusto Marzagão, que os acompanhava, foram passear na praia de Marbella, onde viram mulheres em topless: “Que falta de respeito!”, exclamou Jânio, “caminhamos para o apocalipse!” Voltaram para o hotel. Dona Eloá subiu para descansar no quarto. Quando Marzagão se preparava para pedir desculpas, Jânio se revelou: “Marzagão, Eloá tem sono pesado. Vamos dar um mergulho naquela praia e ver se pegamos uma boa onda…”

Nome do jegue

Informado que os nomes “Severino” e “Juvenal” eram finalistas na votação para batizar o jumento que se tornaria mascote de um programa da MTV, o então presidente da Câmara, deputado federal Severino Cavalcanti, não perdeu a esportiva: Nem essa eleição eu perco.” Acertou: os internautas da MTV deram ao jegue o seu nome.

Bicho à solta

Ao ser corrigida quando chamou o deputado João Leão (PL-BA) de “João Leitão”, a deputada federal Denise Frossard (PPS-RJ) se explicou: “Nunca tive intimidade com bichos…” Foi ela, como juíza, quem prendeu os bicheiros do Rio de Janeiro.

Toró de besteiras

Diplomatas ainda contam com deboche o diálogo entre Lula e Celso Amorim, no governo petista, testemunhado por várias pessoas. Ao final de um assunto complexo, o ministro propôs: “Na volta, nós reunimos o ministro Zé Dirceu e fazemos um brainstorm”. Lula não entendeu: “Brein o quê?” O megalonanico tentou explicar: “É uma conversa que provoca ‘chuva’ de ideias, sugestões, presidente.” Lula captou a mensagem: “Ah, na minha terra a gente chama isso de ‘toró de palpites’…” E caíram na gargalhada.

O governo não passa de um aglomerado de burocratas e políticos, que almoçam poder, promoção e privilégios. Somente na sobremesa pensam no “bem comum”.

 Roberto Campos (1917-2001), economista, professor, diplomata, escritor e político brasileiro