INFORMAÇÃO

Folclore Político (LXXIII) Relógio solar ou ambulância?

Presente de cidade-irmã abre crise política na Mogi de Waldemar

A oferta de um relógio solar feita pela cidade-irmã de Toyama, no Japão, acabou provocando uma crise política em Mogi, no final dos anos 80. A confusão envolveu o prefeito da época, Waldemar Costa Filho, o vereador Olimpio Tomiyama e outros políticos e dirigentes de entidades ligados à colônia japonesa. Tudo começou quando o prefeito recebeu uma carta do Município de Toyama informando sobre a doação de um relógio solar de 1.400 quilos, no valor de US$ 80 mil. O gigantesco mimo seria parte das comemorações do centenário de emancipação político-administrativa da Cidade japonesa e do décimo aniversário do convênio que tornou Mogi e Toyama cidades aliadas. Ao ler a tradução da carta, o prefeito descobriu que poderia substituir o presente, se achasse adequado. Waldemar não pensou duas vezes e respondeu que, em lugar do relógio solar, preferia receber seis ambulâncias equipadas, que o Município tanto necessitava e não tinha dinheiro para adquirir. Encaminhado ao Japão, o pedido provocou reação irada do vereador Olimpio Tomiyama que, da tribuna da Câmara, considerou a troca “uma indelicadeza”, já que o adendo do final da carta seria apenas uma “mera formalidade”, que não deveria ter sido seguida “ao pé da letra”. Disse ainda que boa parte dos 50 mil japoneses e descendentes que integravam os cerca de 300 mil habitantes de Mogi à época, havia ficado “aborrecida” com a medida do prefeito, o qual, segundo ele, deveria reconsiderar sua posição. O assunto virou polêmica. O presidente do Sindicato Rural, Junji Abe, saiu em defesa do prefeito, assim como os vereadores Sethiro Namie e Pedro Komura. Já o presidente do Bunkyo, Suehiro Kano, ficou em cima do muro vendo importância nas ambulâncias e também no relógio que poderia se transformar em atração turística da Cidade. Uma pesquisa feita pela antiga Rádio Diário de Mogi mostrou que 70% dos entrevistados eram favoráveis à troca. Olimpio continuou batendo o pé até fim, mas Waldemar fez ouvidos moucos a seus argumentos. E Toyama cumpriu o que prometeu, enviando as seis ambulâncias que foram apresentadas com festas pelo prefeito à Cidade.

Fora da lei

A Casa do Advogado, que hoje é referência para a categoria, ao lado do Fórum de Mogi, já foi o centro de uma grande polêmica na Cidade. Em meio a substituições de projetos por diferentes dirigentes da entidade, a construção acabou avançando 3m66 sobre o alinhamento da calçada da Avenida Cândido Xavier de Souza. Foi o que bastou para que Waldemar, encrenqueiro como poucos, não concedesse o “habite-se” para a obra, considerando sua ilegalidade. A chiadeira foi geral, mas a Casa permaneceu embargada por um bom tempo, até que um acordo com um novo prefeito permitiu sua utilização.

Pé de…

Waldemar e o governador da época, Orestes Quércia, nunca se alinharam. Tanto na administração, como na política. O malufismo os separava. Quércia veio a Suzano e criticou o prefeito de Mogi, que mandou publicar, em Seção Livre que ocupava toda a primeira página deste jornal, uma série de fatos que atestavam a inércia e inépcia quercista em relação à Cidade. Quércia não respondeu.

…guerra

O tempo passou e, certo dia, alguém provocou Waldemar em relação a um revólver que ele trazia sempre consigo, numa valise preta, mantida estrategicamente a seu alcance, sobre a mesa de seu gabinete. O prefeito não titubeou. Abriu a maleta, sacou a arma e atirou contra a foto oficial do governador, dependura na parede, quase à sua frente. A bala perfurou a “testa” de Quércia e o quadro lá permaneceu, até que um colunista do Estadão publicou uma nota questionando o estranho buraco sobre a fronte do governador na foto oficial do gabinete do prefeito de Mogi. Dias depois, o quadro sumiu da parede. Misteriosamente.