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Folclore Político (LXXXV) As meninas e a Zona Azul

Após alguns dias de trabalho,

elas foram até à Prefeitura

para reclamar com o prefeito

Eleito em 1976 para o seu segundo mandato como prefeito de Mogi das Cruzes, Waldemar Costa Filho tinha a Mogi-Bertioga como sua principal e mais importante obra. O que não impediu que ele também construísse os prédios da Prefeitura, Câmara e Justiça do Trabalho, levasse asfalto, creche e saneamento do Projeto Cura para Braz Cubas, implantasse o plano comunitário de asfaltamento na Vila Oliveira e outros bairros mais abastados, entre outras inovações. Uma delas foi a implantação de Zona Azul, para facilitar o estacionamento nas ruas centrais de Mogi, cópia de um sistema semelhante, que havia dado certo na Capital. O motorista estacionava seu veículo no espaço pré-determinado e logo aparecia uma simpática moça para lhe oferecer o cartão que, depois de adquirido, dava direito a permanecer na vaga por uma ou mais horas. Eram várias as garotas que trabalhavam controlando o período de cada usuário da Zona Azul. Tudo parecia funcionar perfeitamente, até o dia em que as funcionárias, reunidas, foram bater à porta do prefeito Waldemar. Entre solícito e curioso, ele as recebeu e ouviu a seguinte reclamação: elas estavam irritadas com o fato de serem chamadas de “meninas da zona”, numa referência a seus locais de trabalho, que sequer lembrava o motivo de tais brincadeiras de mau gosto. Waldemar ouviu e prometeu solução. Pensou, pensou e, por fim, enviou um projeto à Câmara alterando a denominação de Zona Azul, para Área de Estacionamento Controlado. As antigas placas foram substituídas nas ruas e, pouco a pouco, a maneira pejorativa e politicamente incorreta (termo inexistente à época) de tratamento dado às fiscais foi caindo no esquecimento. Até desaparecer por completo.

A propósito

O jornalista Claudio Humberto, em seu Poder Sem Pudor conta uma história envolvendo o ex-presidente Michel Temer, com um título no mínimo sugestivo para os dias atuais – “Viveiro não é gaiola”: Em campanha à presidência da Câmara nos anos 1990, Michel Temer foi orientado pelo amigo Heráclito Fortes (PFL-PI) a ser mais simpático: “Lá vem o deputado Augusto Viveiros (RN). Diga-lhe pelo menos bom dia…” Temer seguiu a recomendação, mas, horas depois, ao reencontrar o deputado potiguar no Salão Verde, pisou na bola: “Como vai, deputado Gaiola?” Viveiros, claro, lembrou-se da gafe na hora de votar.

Arma safada

Em tempos de presidente que se elege fazendo sinal de armas de fogo com os dedos, vale lembrar mais uma história do Poder Sem Pudor, envolvendo desafetos nordestinos. Coreaú, no interior do Ceará, é terra de gente valente. O vereador Zé Galvão amarrava a carga de um caminhão, quando um desafeto político chegou de revólver na mão. “Desce daí pra morrer, Zé Galvão.” E Galvão na maior calma: “Diabo de revólver é esse teu que num bota a bala aqui em cima?”

No palitinho

A campanha para presidente da Câmara de Mogi, em1990, foi disputada como nunca e teve um final ainda mais inusitado. Cuco Pereira e Norberto Mangueira Engelender eram os candidatos na eleição que terminou empatada. Como não havia jeito de definir o vencedor, optou-se por uma saída salomônica. Dois papéis com os nomes de Cuco e Mangueira foram colocados num chapéu e o funcionário Odair Teixeira da Silva, o Dadá, foi chamado para retirar um deles. Deu Cuco na primeira eleição decidida por sorteio na história do Legislativo.

Na pancada

O mineiro Aureliano Chaves, amigo de mogianos como o ex-vereador Tarcísio Damásio, era um desportista, ele costumava nadar, todas as manhãs, na piscina do Palácio das Mangabeiras, quando era governador de Minas. Durante a natação, praticava um preceito da ioga que consiste em ficar em posição de “lótus” no fundo da piscina, pelo tempo que aguentava prender a respiração. Certo dia, uma sentinela desavisada do esporte ouviu de costas o barulho do governador se atirando na piscina e depois o silêncio. Achou que Aureliano se afogara. Largou a baioneta, tirou o capacete e caiu n’água para salvar sua excelência. Deixou a piscina debaixo de porrada de Aureliano, que imaginou estar sendo vítima de um atentado.

Política é espera o cavalo passar arreado.

Getúlio Vargas (1882-1954), foi presidente da República em dois períodos