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Folclore Político (LXXXVII) Nova versão para candidatura

Com foi que Padre Melo tornou-se candidato a vice de Chico Nogueira, em 92

O vereador licenciado e atual secretário municipal de Saúde, Chico Bezerra (PSB), procurou a coluna para dar uma outra versão para a candidatura de Manoel Bezerra de Melo a vice-prefeito de Mogi no ano de 1992. A leitura do vereador diferencia, em alguns pontos, daquela revelada pela coluna na última terça-feira, com base no relato de Maria Beatriz Lobo, no livro “Desafios e Escolhas de Uma Liderança”, que conta a trajetória de Roberto Leal Lobo com reitor da USP e da UMC. Segundo o político, o primeiro incentivo para Melo se candidatar a prefeito decorreu de uma visita feita pelo próprio Chico, acompanhado de seus colegas vereadores, Taubaté Guimarães e Luiz Teixeira, ao gabinete do então deputado federal pelo Ceará, em Brasília. Padre Melo, então morando em Fortaleza com a família, gostou da ideia de voltar a Mogi para sair candidato à Prefeitura. Mas havia um, ou melhor, dois empecilhos. A oposição da mulher, Maria Coeli, e a excelente performance de Francisco Ribeiro Nogueira, o Chico Nogueira, nas pesquisas de opinião. As avaliações indicavam que Melo corria sério risco de ser derrotado no pleito, o que inviabilizaria seus planos de voos mais altos no futuro. Numa reunião, o grupo político do cearense decidiu que seria mais seguro lançar alguém como vice de Nogueira. O indicado de Melo foi Chico Bezerra, que reagiu: “Por que não o senhor?”. Era o que ele queria ouvir. De sua sala, ligou para a mulher que, após algum tempo, concordou com a ideia, já que, imaginava, Melo seria um mero coadjuvante do prefeito. No embalo, Padre Melo pediu a Bezerra que marcasse um almoço com Chico Nogueira para apresentar a proposta ao prefeiturável. O encontro viria a ocorrer no antigo restaurante Don Pepe de España, na praça Norival Tavares, e teria sido testemunhado pelo empresário Henrique Borenstein, que almoçava numa mesa próxima. Padre Melo, sempre um trator quando o assunto era política, chegou, sentou-se à mesa e, antes que seu interlocutor falasse alguma coisa, foi logo dizendo que seria o seu vice e desfiando planos para a campanha. Dinheiro e prestígio, é claro, falaram mais alto e Padre Melo terminou o almoço como vice de Chico Nogueira. O que houve dali para frente, a maioria já sabe: a “Dobradinha da Esperança” venceu o pleito e, no segundo ano de governo, Padre Melo assumiu de vez a Prefeitura, após a morte súbita de Nogueira, vítima de um infarto, numa viagem aérea para Brasília. Melo fez um bom governo e Maria Coeli cumpriu, com méritos, o papel de primeira dama.

Prefeitos

Waldemar Costa Filho havia acabado de assumir a Prefeitura de Mogi para o seu terceiro mandato. Cuco Pereira, que não escondia de ninguém sua aspiração de chegar ao Executivo, era presidente da Câmara. Certo dia, numa visita ao gabinete, Waldemar lhe perguntou: “Cuco, você quer ser prefeito de Mogi?” Ele se assustou: “Claro… mas por quê? O senhor vai me apoiar daqui a quatro anos?” Waldemar não respondeu e mudou de assunto. Passados alguns dias, chegaram à Câmara dois pedidos de licença. Do prefeito e de seu vice, Nobolo Mori. A Câmara aprovou e, pela ordem sucessória, quem acabou assumindo a Prefeitura, pela primeira vez, foi Cuco, que só então entendeu o real sentido da pergunta, feita pelo amigo que lhe ofereceu o cargo temporário, de presente..

No brejo

Conhecido pelo pavio curto, no início de sua carreira política, Cuco Pereira foi, certa vez, se queixar ao então prefeito Padre Melo, de certas imposições que lhe eram feitas na Câmara. Em tom professoral, o experiente político o alertou: “Meu filho, na política você precisa aprender a engolir sapos”. Cuco saiu mais irritado do que chegou. Hoje, décadas depois, reconhece: “Ele estava certo. Olha, o que eu já engoli de sapos na vida é uma coisa muito séria…”, diz o vereador, bem humorado.

Na madrugada

Essas duas últimas quem conta é o “Poder Sem Pudor”, livro de ótimas histórias do jornalista Cláudio Humberto. Lula conhecia mesmo os companheiros de boemia. Certo dia, ele então presidente ouviu do deputado Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP) a garantia de que sua candidatura a presidente da Câmara era pra valer, até porque na noite anterior havia fechado um acordo com o deputado Virgílio Guimarães (PT-MG). Lula o interrompeu: “…a que horas vocês fecharam esse acordo?” Fleury contou: “…uma e meia da manhã, presidente”. Ele deu uma risada: “Ah, então foi o Virgílio mesmo!”

Entrevista

Mais uma da terra de Chico Bezerra e Padre Melo. A imprensa do Ceará não falava em outra coisa. Nos anos 1980, faltando três meses para acabar o governo de Manoel de Castro, ele já tinha assinado mais de 15 mil nomeações. O repórter Nelson Faheina, da TV Verdes Mares, foi pautado para repercutir o escândalo. “Governador, é verdade que o senhor nomeou 15 mil pessoas?”. Castro não se fez de rogado: “É mentira. Nomeei 30 mil. São pessoas humildes e, como elas, ainda vou nomear muito mais. E não me pergunte mais nada. Não admito ninguém me cutucar com vara curta.” E foi embora.

Quando um político diz “sim”, quer dizer “talvez”; quando diz “talvez”, quer dizer “não”. Se disser “não”, não é político.

Do livro “Ironia – Frases soltas que deveriam ser presas”, de autoria de José Francisco de Lara