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Folclore Político (LXXXVIII) Padre, velhinhos e mato

O fato foi contado a esta coluna, já faz algum tempo, pelo arquiteto e urbanista Rubens Guilhemat, que teve oportunidade de acompanhar pessoalmente o encontro entre o então prefeito Waldemar Costa Filho e uma vereadora da cidade, mantida no anonimato. O diálogo teria ocorrido numa tarde em que o prefeito concedia audiências à comunidade. A presença da vereadora naquele dia se devia ao fato de Waldemar não recebê-la pelas vias normais, já que era de oposição. Tal situação fez com que ela se inscrevesse para o encontro como uma simples cidadã. O diálogo entre os dois obedece ao relato feito por Guilhemat e se refere ao Lar dos Velhinhos, que o padre Vicente Morlini mantinha junto à Serra do Itapeti:

Vereadora: Waldemar, eu preciso que você ajude o padre… O trabalho que ele faz na Serra com os velhinhos é muito bom…

Waldemar: O quê??? Você é evangélica e tá pedindo coisa para padre???

Vereadora: Waldemar, não o caso, ele precisa que alguém corte o mato que está invadindo a rua. Não daria para a Prefeitura dar uma ajuda e cortar o mato?

Waldemar (ligando o telefone do gabinete): Laudicir (secretário de Obras da época), anota aí… A vereadora está aqui me dizendo que tem mato chegando na rua do terreno do Lar dos Velhinhos, lá na Serra. Manda o fiscal lá, agora, e taca multa nele!!!

Vereadora: Waldemar… pelo amor de Deus! Eu vim aqui pedir uma ajuda e você não só não colabora, como ainda vai multar o padre e a entidade… eles não têm dinheiro para pagar alguém que possa fazer o serviço…

Waldemar (de novo, no telefone): Laudicir, hoje não… multa só amanhã… Mas vai lá amanhã e multa o padre…

Vereadora: Mas… mas…

Waldemar (abrindo a carteira e tirando certa quantia em dinheiro): Tó… isso ajuda. Agora você tem até amanhã para conseguir o resto e botar gente lá prá limpar o mato… senão, eu toco multa!

Vereadora:

Waldemar: Próximo…

Asfalto caro

Caso semelhante foi relatado pelo também arquiteto e urbanista Paulo Pinhal, testemunho da ação do então vereador Edson Camillo junto a Waldemar, em favor de uma senhora que não tinha dinheiro para pagar o asfalto comunitário colocado na rua de sua casa. Diante dos argumentos do vereador, Waldemar indagou por que ele não pagava o asfalto para a idosa de seu próprio bolso. “Eu não tenho esse dinheiro!”, retrucou o vereador, ao que Waldemar disse: “Não se preocupe, vereador. Eu lhe empresto o dinheiro e depois você me paga!”. Até hoje, Pinhal não sabe quem pagou pelo asfalto.

Veneno

Joel Avelino Ribeiro conta que, certa tarde, ao deixar o serviço na Eletropaulo, atravessou a avenida Narciso Yague e foi direto para o gabinete do prefeito Waldemar, dividir um cafezinho e o inevitável cigarro com o amigo. Lá, um cidadão também intercedia em favor de uma senhora. A certa altura, eu o xeque-mate: “Olha prefeito, se a gente não resolver o problema da mulher, ela acabará se matando”. Waldemar abriu a gaveta da mesa, apanhou a carteira, retirou uma cédula e indagou: “Isso dá para comprar uma lata de formicida?” Entregou a nota e deu um tapa na mesa, sacramentando: “Assunto encerrado.”

Tresoitão”

Odair Cardoso conta que na entrega do ginásio de esportes da empreiteira Vidal, em César de Souza, o prefeito foi convidado a descerrar a placa de inauguração. Na confusão, ele e Waldemar acabaram próximo e, velhos amigos, se cumprimentaram efusivamente. “Quando bati a mão nele, acabei esbarrando no revólver que ele trazia na cintura”. O prefeito viu a cara de susto de Odair e o tranquilizou: “Calma, calma, isso não é para você, não…” E a cerimônia prosseguiu.

Tapinha dói…

Alexandre Antunes, radialista dos bons, era setorista na Prefeitura e já estava acostumado com um antigo hábito do prefeito Waldemar: receber as pessoas com um sonoro tapa nas costas. Certo dia, o prefeito recepcionou uma comitiva das cidades-irmãs de Seki e Toyama. Quase instintivamente, Waldemar cumprimentou o primeiro da fila com o tradicional tapaço. O japonês sentiu a “gentileza” e, imaginando tratar-se de um costume local, respondeu da mesma forma, com um pouco mais de força. “A resposta foi tão forte que o prefeito deu um passo à frente, já enfrentando uma crise de tosse”, lembra Antunes, que se divertiu com a reação do visitante.

Tem alguma boa história do folclore político da cidade para contar? Então envie para: darwin@odiariodemogi.com.br