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Folclore Político (XCI) Mulheres em plenários

MEMÓRIA Político bom de palanque e de conversa, Juscelino Kubitscheck foi candidato a presidente, se elegeu e levou a Capital Federal para Brasília. (Foto: reprodução)
MEMÓRIA Político bom de palanque e de conversa, Juscelino Kubitscheck foi candidato a presidente, se elegeu e levou a Capital Federal para Brasília. (Foto: reprodução)

Em Mogi e na Inglaterra, elas também estão em ação nas atividades políticas

As duas histórias que se seguem fazem parte do repertório do jornalista Chico Ornellas e envolve personagens da Câmara Municipal de Mogi e da austera Câmara dos Comuns da Inglaterra. Ambas já devidamente incorporadas ao folclore da política daqui e de lá. Vale a pena acompanhar o texto brilhante do mogiano nestes “causos” que têm em comum os discursos nos respectivos cenários de atuação de seus personagens. Chico conta: Dia destes um antigo vereador de Mogi das Cruzes recordava passagem ocorrida em plenário, ao tempo em que exercia a vereança uma provecta senhora. Na disputa política, como se sabe, costuma-se ignorar a deferência que a boa educação concede às mulheres. E foi assim que, na ausência da vereadora, alguns de seus pares criticaram pesadamente algumas ações da colega ausente. Informada do fato, na sessão seguinte ela foi à tribuna: “Soube que, na minha ausência, alguns nobres colegas meteram o pau em mim. Quero ver é se, esses que fazem isso por trás, têm a coragem de fazê-lo pela frente, na minha presença”. Dos anais da Câmara dos Comuns na Inglaterra consta um passagem não muito distinta, respeitadas as diferenças entre os vereadores mogianos e os lordes ingleses. Discursando em plenário, Winston Churchill concedeu um aparte a Nancy Astor, a primeira mulher eleita para a Câmara dos Comuns: “Winston, se você fosse meu marido, eu poria veneno no seu café”, esbravejou Nancy. Winston, segurando entre os dedos um dos 4 mil charutos que fumava por ano, devolveu: “Senhora, se eu fosse seu marido, tomaria o café.”

Aviso

José Aparecido de Oliveira, governador do Distrito Federal nos anos 80 e, em seguida, ministro da Cultura do presidente Sarney, morava no Rio, nos anos 40, onde dividia um apartamento com o cronista, compositor e inveterado boêmio, Antonio Maria. Certa manhã, ao se levantar, José Aparecido deparou com o bilhete deixado pelo colega: “Tenho o dormir muito tranquilo, fruto da serenidade interior. Se você me encontrar dormindo, deixe. Morto, acorde-me”.

Simpatia

Juscelino Kubitscheck, conta o jornalista Claudio Humberto, era um craque na arte de agradar plateias. Certa vez, quando governador, visitou a cidade de Tombos (MG), na divisa com o Estado do Rio, cujo nome era uma referência à belíssima queda d’água no rio Carangola. E causou estupor ao se referir à cachoeira, no discurso: “Isso não é natural…”. A plateia ainda estava boquiaberta, perplexa, quando JK completou: “…é tão linda que só pode ser obra do povo de Tombos!”. Saiu do palanque carregado nos braços.

Inútil

Mauricio Najar, mogiano e advogado criminalista dos bons, se elegeu deputado federal e permanecia em Brasília durante toda a semana, participando das sessões e comissões da Câmara. Certo dia chega a seu gabinete um prefeito do Alto Tietê com uma solicitação, digamos, pouco ortodoxa. Najar leu, releu e sacramentou: “Isso é ilegal, não vai ser possível…”. O prefeito, que não esperava tal despacho, rebateu, amuado: “Ora, se fosse legal, eu não iria precisar de um advogado e deputado…”

Bananas

Mais uma de Claudio Humberto, para fechar o domingo. Em campanha para presidente, no ano de 1950, o brigadeiro Eduardo Gomes (UDN) mandou avisar que sobrevoaria Maceió em voo rasante, a bordo do DC-3 que utilizava em suas viagens. Silvestre Péricles (PSD), governador populista-maluco de Alagoas, saiu à sacada do Palácio dos Martírios e iniciou uma série espetacular de bananas para o alto, em “saudação” ao adversário. A certa altura, avisado por um assessor que sua mãe o chamava, o governador passou a tarefa ao funcionário: “Meu filho, fique aqui dando bananas enquanto vou verificar o que mamãe deseja”.

Frase

Existem homens de bem; homens que se deram bem; e homens que são flagrados com os bens.

Laurence J. Peter (1919-1990), educador e administrador canadense vaticinando algo que viria a ser banal entre políticos brasileiros