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Folclore Político (XCII) Como Melo se tornou prefeito

CAMPANHA A história de Padre Melo mostra que eleições, em alguns casos, começam a ser vencidas, inicialmente, dentro de sua própria casa. (Foto: arquivo)
CAMPANHA A história de Padre Melo mostra que eleições, em alguns
casos, começam a ser vencidas, inicialmente, dentro de sua própria casa. (Foto: arquivo)

Livro relata bastidores da chegada do ex-padre à Prefeitura de Mogi

O livro “Desafios e Escolhas de Uma Liderança – a vida profissional do ex-reitor da USP e da UMC, escrito a quatro mãos por Roberto Leal Lobo e sua mulher, Maria Beatriz Lobo, mostra como a história da UMC sempre esteve, de alguma forma, relacionada com a vida política da cidade. A autora revela detalhes de uma viagem de avião feita por ela e Melo, no início dos anos 90, onde ambos discutem crise instalada na instituição de ensino mogiana, que começava a enfrentar a concorrência das faculdades recém-abertas na Capital e Zona Leste, reduzindo os alunos e vestibulandos da UMC, até então reinando quase absoluta na região. Diante de um quadro pouco alentador, Padre Melo, que estava no Ceará, decide voltar para Mogi e assumir as rédeas da escola, deixada em mãos de pessoas de sua absoluta confiança, mas incapazes de reverter o quadro que lhe era desfavorável. Melo, revela Beatriz, tinha outros planos, além de cuidar da UMC. E o mais ousado deles era se tornar prefeito de Mogi, como primeiro passo para chegar ao Senado ou ao Palácio dos Bandeirantes. A decisão dividiu a família, já que a UMC sempre “sofreu em razão dos pedidos políticos e das campanhas eleitorais para deputado”. Uma eleição local poderia inviabilizar a instituição, relata a autora. A reação contrária mais forte veio da esposa, Maria Coeli Bezerra de Melo, que teria ameaçado “pedir o divórcio”, caso o marido insistisse na ideia da candidatura. A filha Regina, sempre apegada ao pai, era totalmente favorável à candidatura. Depois de muito debate em família, a matriarca Maria Coeli concordou em voltar para Mogi – onde Regina já se encontrava, estudando Jornalismo –, desde que Melo se candidatasse a vice e não a prefeito. Melo foi o vice de Chico Nogueira e, juntos, venceram o pleito municipal, com a denominada “Dobradinha da Esperança”. O destino, no entanto, mudou tudo. No segundo ano do mandato, Chico sofreu um infarto e veio a falecer, no início de uma viagem de avião para Brasília. Melo tornou-se prefeito e governou Mogi até o fim do mandato.O divórcio não aconteceu; pelo contrário, Maria Coeli cumpriu à risca suas funções de primeira dama e presidente do Fundo Social.

Na foto – 1

A última grande enchente do rio Tietê deixou o Mogilar e adjacências debaixo d’água por pelo menos uma semana, fazendo com desabrigados fossem levados para o antigo CIP, que hoje abriga o Pró-Híper. Melo era prefeito e, num final de tarde, a primeira dama, Maria Coeli, foi cumprir agenda de visita às crianças que lá estavam.

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Sempre elegantemente trajada e perfumada, Maria Coeli só não contava com a sugestão de um jornalista para que se sentasse no chão, para uma foto ao lado da garotada, que assistia televisão num aparelho improvisado no canto do salão, em meio a um amontoado de cobertores e colchões. Um tanto sem jeito, ela topou o desafio. E a foto foi feita e publicada.

Melhor de longe

O comentarista da Rádio Bandeirantes, Claudio Humberto, excelente contador de causos, é autor dos dois próximos: Jânio Quadros só perdeu no Maranhão, na disputa presidencial de 1960, com Henrique Teixeira Lott, graças ao apoio que o pesadíssimo marechal recebeu do cacique Vitorino Freire. Um pouco antes da eleição, um repórter perguntou a Vitorino: “Há perigo de o Jânio ganhar no Maranhão?” Ele não precisou pensar muito para responder, convicto: “Perigo existe. Basta que o Lott volte duas vezes ao Maranhão.” Não voltou e venceu.

Terra boa

Pós-graduado em política e dificuldades, ainda assim o saudoso deputado pernambucano Thales Ramalho tinha muito a aprender. Em campanha para novo mandato, ele viu que a seca tornara desoladora a paisagem Serra Talhada, em seu Estado. Puxou conversa com um agricultor: “A terra está ruim, não é, meu amigo?” Ele contou depois que a resposta do homem representou a lição do dia: “A terra até que tá boa, dotô. O céu é que não está prestando…”

Tem alguma boa história do folclore político da região para contar? Então envie para:

darwin@odiariodemogi.com.br

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