INFORMAÇÃO

Folclore Político (XCIX)

 

MEMÓRIA Rubens Nogueira Magalhães, advogado trabalhista, disputou a Prefeitura de Mogi das Cruzes, sempre pela oposição       Foto Arquivo

O 1º celular não se esquece O comitê de campanha do PMDB de Mogi das Cruzes, em 1996, vivia sempre cheio. Eram simpatizantes naturais da legenda, ou mesmo desocupados que iam até lá em busca de
algum “bico”, como entregar folhetos de campanha, segurar bandeiras nas esquinas e outras atividades comuns de épocas eleitorais. Por lá também marcavam ponto os candidatos a vereador, sempre em busca de alguma verba extra que pudesse lhes ajudar na confecção de santinhos ou mesmo a contratar algum cabo eleitoral que viesse a acrescentar algo ao potencial de votos de cada um deles. Enfim, o local pulsava o
dia todo, afinal, havia também a preparação para os comícios noturnos, algo indispensável a uma campanha que ainda não dispunha de televisão local e muito menos de redes sociais, coisas impensáveis àquela altura da história. O professor José Ruiz Neto, recém-incorporado ao esquema político liderado pelo cacique Jacob Cardoso Lopes, já não suportava mais a presença de um candidato a vereador que, religiosamente, pela manhã e à tarde, passava pelo comitê exigindo um telefone celular, a grande novidade da época. Ele dizia que, para se eleger, necessitava de um aparelho como aquele. Amolava a todos com a insistência, até que certo dia, ao passar pela Avenida Voluntário Fernando Pinheiro Franco, Ruiz deparou com a banca de um camelô que vendia réplicas de celulares, realmente muito parecidas com as originais, os famosos “tijolões” da época. Ele não pensou duas vezes: adquiriu um daqueles brinquedos, ainda na caixa, embrulhou para presente e, logo que o candidato passou pelo comitê para a cobrança diária, lhe entregou o pacote com o simulacro de telefone móvel. O político iniciante quase explodiu de tanta alegria. Saiu com o mimo ainda embrulhado e, meia hora depois, voltou, com um sorriso amarelo, mas irritado. Descobriu que havia sido enganado. O sonhado celular não veio, mas Guaraci Galocha, com o apoio da Igreja Universal – da qual, mais tarde, seria excluído –, foi eleito para a Câmara Municipal. O que aconteceu depois de tudo isso? Ah, aí é outra história, para outra coluna.

Gato bravo

Essa quem conta é Claudio Humberto, no Diário do Poder: Três dias após renúncia de Jânio Quadros (28 de agosto de 1961), o deputado
udenista Adauto Lúcio Cardoso subiu à tribuna para atacar os ministros militares que se opunham à posse do vice João Goulart, que visitava a China. Adauto, adversário de Jango, propôs enquadrar os militares na Lei de Segurança Nacional e por crime de responsabilidade. Seu colega Aliomar Baleeiro (UDN) pediu um aparte para concordar com ele “em gênero, número e grau”, mas fez uma pergunta incômoda: “Quem é
que vai colocar guizo no gato? Eu é que não vou…”

Um só homem

Lúcio de Melo, advogado mogiano dos bons, era candidato a vereador na eleição municipal de 1976, pela oposição, ao lado do prefeiturável e também advogado, Rubens Nogueira Magalhães. Lúcio falava num comício na Vila Natal, quando alguém da plateia o interrompeu: “”Mogi é do Waldemar Costa Filho!” Ao que ele, respondeu, de pronto: “Mogi, és muito grande para pertencer a um só homem!” Acabou sob aplausos.

Coveiro eleitoral

Outra de Claudio Humberto: O exsenador e ex-deputado Heráclito Fortes era prefeito de Teresina (PI) pelo PFL, em 1992, quando lançou candidato à sua sucessão o vereador Geraldin Oliveira (PDT), moderno
“papa defunto”, dono de um cemitério. O tucano Augusto Basílio, oposicionista, surpreendeu ao chamar a escolha de “bem-vinda” e “coerente”. Mas depois se explicou no plenário da Câmara: “A candidatura
é bem-vinda porque o prefeito está matando o povo com sua administração. Nada mais coerente: Heráclito mata e Geraldin enterra!”

Ouvidos moucos

Um conhecido político do Alto Tietê tinhaera de muito prestígio e pouco saber. Analfabeto, ele tinha um empregado que traduzia para ele as coisas que exigiam leitura. Certa vez, o político brigou com a mulher
e os dois acabaram indo parar na Justiça, num rumoroso processo de separação. Um belo dia, chega carta da mulher, recheada com inúmeras folhas de papel almaço, onde ela fazia um balanço nada proveitoso dos anos de vida a dois. Ele não poderia dar a carta para o empregado ler, apesar da confiança nele depositada. Resolveu então chamar seu melhor amigo e lhe disse: “Você pode ler essa carta para mim? Mas vai ter que me fazer um favor. Eu sei que ela vem contando tudo, falando de tudo. Então, leia em voz alta para mim, mas se quiser continuar meu amigo, tape os ouvidos.”

Tem alguma boa história do folclore político regional para contar? Então envie para darwin@odiariodemogi.com.br