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Folclore Político (XCVI) Uma história e duas versões

AMIGOS... Padre Melo e Chico Bezerra se distanciaram após episódio da candidatura: “Me arrependo até hoje; gostava muito dele”, disse à coluna. (Foto: arquivo O Diário)
AMIGOS… Padre Melo e Chico Bezerra se distanciaram após episódio da
candidatura: “Me arrependo até hoje; gostava muito dele”, disse à coluna. (Foto: arquivo O Diário)

Chico Bezerra apresenta uma outra explicação para sua candidatura, em 2000

O vereador licenciado e atual secretário municipal de Saúde, Chico Bezerra (PSB), dá uma nova versão para a história de sua candidatura a prefeito de Mogi no ano 2000, contada aqui neste espaço, no domingo passado. À época, lembra ele, o cacique político Manoel Bezerra de Melo, o Padre Melo, era filiado ao PSDB e, ao mesmo tempo, presidente de honra do PMDB. Ou seja, dominava as duas legendas, e queria que seu conterrâneo de Crateús (CE), Chico Bezerra, médico recém-formado pela UMC, fosse o candidato a prefeito peemedebista de Mogi naquela oportunidade. Tanto que já havia até convocado Ari Silva, funcionário de sua confiança na Universidade e provedor da Santa Casa, para ser o tesoureiro da campanha. “Já tínhamos feito, inclusive, a programação de lançamento da candidatura”, conta Chico, lembrando que no domingo seguinte, seria a convenção do PSDB na cidade. O governador, à época, Geraldo Alckmin, não compareceu, mas enviou o presidente regional do partido, José Aparecido, ao evento. A conversa de bastidores entre José Aparecido e Melo foi animada, longe dos ouvidos de terceiros. Depois de muitas confidências com o visitante, Padre Melo deixou o local exultante. Logo cedo, na segunda-feira, mandou chamar Chico Bezerra e lhe deu a surpreendente notícia: “Você não é mais candidato. Estou preocupado com o futuro da UMC e é melhor você desistir dessa candidatura”. O médico quis saber o motivo de tamanha mudança de planos e Melo teria lhe contado que José Aparecido havia lhe prometido para a Universidade o controle administrativo do Hospital Luzia de Pinho, adquirido pelo Estado durante o governo de Orestes Quércia, anos antes. E ele não poderia jogar fora tal oportunidade patrocinando um candidato do PMDB, partido adversário dos tucanos. Chico Bezerra não pensou duas vezes. Recém-saído de um mandato de deputado, foi a São Paulo e procurou o presidente do PMDB, Jaime Jimenez, que não teve dúvidas. Tirou o Diretório das mãos de Melo e bancou a candidatura de Chico Bezerra a prefeito. “Lancei minha candidatura contra todo o mundo em Mogi”, relembra Chico, que saiu com Marcos Damásio como vice e só perdeu para o candidato situacionista, Junji Abe (PSDB), no segundo turno. Mas perdeu também a amizade de Padre Melo, como quem ficou sem falar por quase dez anos. “Me arrependo disso até hoje; eu gostava muito dele”, confessa. Quanto ao acordo para a administração do Hospital Luzia, também não foi cumprido pelo governo estadual. No jogo do perde-perde, Junji acabou levando vantagem e governando Mogi por oito anos de dois mandatos consecutivos.

Monólogo…

Vice-prefeito e amigo pessoal de Waldemar Costa Filho, o vice Melquíades Portela foi convidado a acompanhá-lo numa visita a um famoso causídico, cujo escritório ocupava o 20º andar de um dos mais famosos prédios da Capital. Uma solícita secretária os encaminhou ao encontro e mal a conversa começou, o telefone tocou e o profissional atendeu: “Olá ministro, como vai?” – e prossegui num rápido diálogo. Mal o papo havia se reiniciado, outra interrupção telefônica: “Meu caro senador, como vai essa força?” – dizia o interlocutor, demonstrando intimidade. A cada ligação, Waldemar chutava as pernas de Melquíades por baixo da mesa.

… de loroteiro

A conversa se estendeu por mais algum tempo e a dupla deixou o escritório sem que o profissional tivesse sido contratado pelo prefeito, mesmo com toda sua fama e prestígio. Já na rua, Melquíades quis saber a razão das caneladas durante os telefonemas. Waldemar explicou: “Eu estava do lado dele. E ouvia a voz da telefonista quando passava as ligações e, a partir dali, só ouvia a voz dele, falando sozinho. Não havia ninguém do outro lado da linha. O farsante só fez aquilo para nos impressionar”. “Só que, pelo visto, não deu certo”, garante Melquíades, divertido, ao se lembrar da história.

O DVD…

Houve um tempo em Mogi, entre os anos 80 e 90, em que a moda era visitar o Paraguai, em excursões rodoviárias, para adquirir os moderníssimos (à época) videocassetes de quatro cabeças, capazes de oferecer imagens de melhor qualidade, a preços bem em conta. O ex-vereador Luiz Alves Teixeira se aventurou numa dessas viagens e voltou de lá com um aparelho zerinho, da melhor marca do mercado. Só que ao chegar em casa, o videocassete não funcionou. Levou a uma assistência técnica e… surpresa! Ao abrir a tampa metálica, descobriu-se que havia apenas um tijolo em seu interior.

… e o CD

Teixeira se indignou. O sangue nortista ferveu nas veias e ele tomou o primeiro ônibus de volta ao Paraguai. E lá, devidamente investido das atribuições de Classe Distinta (CD) da antiga Guarda Civil, fez valer suas prerrogativas. Foi até a loja onde havia sido enganado e passou uma descompostura em regra naquele que se dizia dono, após exigir um novo aparelho, devidamente vistoriado antes de ser colocado na caixa para a viagem de volta até Mogi das Cruzes.

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