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Folclore Político (XCVII) Carros para a campanha

Tesoureiro Elias deu R$ 5 mil para Buiú comprar 10 veículos

André Silva, mais conhecido como Buiú, decidiu deixar o emprego de vendedor de carros numa conhecida loja da cidade para trabalhar na campanha à reeleição do então prefeito de Mogi, Junji Abe, em 2004. Encarregado de comprar alguns carros para serem utilizados na propaganda política do dia a dia, ele foi bater à porta do tesoureiro Elias Tomé da Silva Pires, que lhe deu R$ 5 mil para ir às compras. Experiente no negócio, logo ligou de volta para Elias dizendo que achara o carro ideal, mas que faltava ainda algum dinheiro para completar o valor exigido pelo vendedor. Recebeu de volta uma surpreendente notícia: todo aquele dinheiro teria de ser utilizado para a compra de pelo menos dez veículos. Buiú ficou apavorado com a missão, mas não perdeu a pose. E foi à luta, ou melhor, às piores “bocas” da cidade, atrás de modelos que se ajustassem à verba disponível. Numa revenda de carros antigos acabou encontrando o que precisava e o que Elias esperava. Alguns veículos não tinham sequer os faróis dianteiros; outros estavam sem para-lamas; enquanto pneus carecas eram regra geral em todos. Mas havia outras desgraças à vista, como falta de lanternas, freios de qualidade duvidosa, motores que rateavam, estofamentos esburacados, assim como a maioria das latarias, seriamente atacadas pela ferrugem. Mas nada que uma adesivagem em regra não encobrisse a maior parte dos defeitos. Os dez carros custariam os exatos R$ 5 mil que lhe foram disponibilizados pelo tesoureiro. E nosso herói voltou para o comitê consagrado pelo verdadeiro festival de lata-velha que acabara de conquistar. Foi direto questionar com Elias. Afinal, por que na campanha anterior, no ano 2000, só havia carrões à disposição do comitê de campanha, e àquela hora, na reeleição, só as velharias? O tesoureiro, é claro, não lhe disse que os financiadores já não eram os mesmos. Mas encontrou a saída ideal: “Sabe por que trocamos os carros? Porque esta campanha é em Mogi e não nas praias de Bertioga, para onde nossos cabos eleitorais iam com os carrões do comitê, toda vez que chegava a tarde”. Buiú ouviu e silenciou. Afinal, aquilo fazia mesmo algum sentido…

Acidente

Valdemar Costa Neto, deputado federal, retornava de uma viagem à região centro-oeste do País, num sábado à tarde, quando o jatinho emprestado por Fernando Simões derrapou na pista de Congonhas, em São Paulo, vindo a cair numa rua próxima ao aeroporto, ferindo apenas uma das mãos do parlamentar e um pipoqueiro que por ali passava. O fato ganhou destaque até no Jornal Nacional. Mas só depois de algum tempo é que se soube a real origem do voo: Costa Neto havia participado da festa de aniversário de Delúbio Soares, o famoso tesoureiro do PT, na residência da família dele, em Buriti Alegre (Goiás).

Caos

A Câmara de Mogi já contou com um representante da região de Biritiba Ussu, que costumava exagerar no vocabulário, nele inserindo palavreado pouco usual. Ou inexistente mesmo. Choveu muito no distrito e um repórter da antiga Rádio Diário ligou para saber do vereador como estava a situação da localidade, após o temporal. “A situação está caônica”, respondeu, ao vivo. Ele queria dizer “caótica”.

Jânio & Erundina

O jornalista Claudio Humberto, que a partir de amanhã irá contar com a companhia do professor Marco Antonio Villa nos jornalísticos da Rádio Bandeirantes, é quem conta: Eleita prefeita de São Paulo, Luiza Erundina foi a Jânio Quadros, ainda no cargo. Ele quis saber o que ela trazia na bolsa. “Documentos”, respondeu. “Creio que a senhora deveria trazer muitos carros e cargos.” Erundina estranhou: “Me desculpe, não estou entendendo”. Jânio explicou: “Carros para a CMTC, que o povo está faminto por transporte; e cargos para os vereadores, que estão famélicos para dar emprego a seus apaniguados…”

Fome do cupim

Mais uma do Poder Sem Pudor, de Claudio Humberto: Figura folclórica em Florianópolis, o ex-assessor da Assembleia Legislativa catarinense, Alcides Ferreira, era coletor de impostos em Indaial quando, endividado, apostou com um juiz os móveis da coletoria e perdeu. Respondeu por telegrama ao então governador Udo Deeke, que o interpelara furioso sobre o sumiço dos móveis: “Exmo sr. Governador. Móveis coletoria cupim comeu. Alcides Ferreira, coletor.”

Tem alguma boa história do folclore político da região para contar? Então envie para:

darwin @odiariodemogi.com.br