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Folclore Político (XCVII) Dois velhos rabugentos

Um rolou pela escada com a esteira; o outro surpreendeu na vacinação

Amigos como poucos, o Professor Tuta e Miguel Nagib viviam às turras, cada qual procurando atribuir ao outro as mais escatológicas situações. Algo com que os amigos mais próximos já haviam se acostumado. E, mais que isso, sempre provocavam um ou outro para que contasse a última do “desafeto”. Reproduzindo, na vida real, histórias parecidas com as de John Gustafson e Max Goldman, interpretados pelos excelentes Jack Lemmon e Walter Matthau, os vizinhos ranzinzas do filme “Dois Velhos Rabugentos” (EUA-1993), que viviam discutindo, anos a fio. Tuta e Nagib dividiram ótimos “causos”, até pouco antes da partida do primeiro, no começo deste mês. Tuta comentava, por exemplo, o tombo que o amigo havia levado, dentro de sua casa quando, já octogenário, tentou descer do mezanino da residência com uma pesada esteira de ginástica, se estatelando, escada abaixo, machucando-se bastante. A história era verdadeira, mas o professor fazia questão de dar a ela um final bem a seu estilo: “Graças a Deus que ele não caiu de cabeça; senão seria excremento por toda a sala”. A frase maldosa não ficou sem resposta. Tempos depois, foi a vez de Nagib dar o troco. ‘Epoca de vacinação contra a gripe, lá foram os dois, acompanhados das esposas, para o posto de saúde mais próximo de suas residências. O dentista conta que foi o primeiro a ser submetido à picada da dolorida injeção. As mulheres também foram imunizadas e, só então, teria chegado a vez de Tuta. A enfermeira, atenciosa ao extremo, dirigiu-se ao senhor de cabelos brancos e perguntou em qual dos braços ele gostaria de receber a vacina. Miguel Nagib, também ao seu estilo, assumia o final da narrativa, disposto a se vingar da história da queda: “Bastou a enfermeira lhe indagar se ele queria ser vacinado no braço esquerdo ou direito para ele surpreender a todos, baixando a calça do abrigo até os joelhos, deixando à mostra as nádegas róseas, e dizer para a moça, tanto envergonhada como todos nós que o acompanhávamos: ‘É aqui!’”. Nagib jura que a vacina foi aplicada exatamente onde ele exigia. Histórias que somente grandes amigos e parceiros podiam dividir.

Desculpas

Junji Abe, prefeito de Mogi, em certos momentos deixava de lado a calma oriental para despejar broncas homéricas sobre seus assessores. Foi assim, certo dia, ao receber os originais de um folder que iria para a impressão, com informações sobre um inexistente “distrito industrial do Cocuera”. Junji chamou o assessor de imprensa, Luiz Suzuki, e o secretário Rubens Solovjevas, de Desenvolvimento, despejando sobre ambos uma série de impropérios, acompanhados de alguns palavrões impublicáveis. Irreverente ao extremo, o saxofonista Solovejas ouviu tudo aquilo calado. E, só no fim, se manifestou, imitando voz de japonês: “Honolável chefe, desculpa por eu ter nascido, né?!” O caso passou a fazer parte do folclore da Prefeitura.

Sindicância

Vice-prefeito de Junji, o médico Roberto Luiz Zanetta era fã do tempero das cozinheiras que faziam as refeições servidas no gabinete. Apostando na qualidade do trabalho, Zanetta levou uma enorme língua bovina, trazida de uma de suas fazendas, para ser preparada por elas. O produto foi colocado na geladeira e de lá desapareceu, misteriosamente. Indignado, Zanetta teve um acesso de fúria e passou a exigir sindicância para apurar o sumiço da língua. Por sorte, a ideia não foi levada a sério e a inusitada investigação acabou não acontecendo. De mesma forma que a língua até hoje não apareceu.

Sem-água – 1

O atual secretário de Transportes, José Luiz Freire de Almeida, já viveu dias igualmente atribulados como diretor regional de Ensino. Waldemar Costa Filho era prefeito e vivia lhe ameaçando: “Zé, vou cortar sua água!”. A ameaça era resultante dos atrasos no pagamento pelo uso da água na sede da DRE, devido a demora na liberação de verbas pelo Estado. Depois de alguns alertas, Waldemar cumpriu a promessa e realmente suspendeu o fornecimento da água. Zé Luiz não chiou. Passados 30 dias, o prefeito o chamou ao gabinete para um cafezinho. “Vocês estão sem água durante todo esse tempo e não reclamam?” – quis saber o prefeito. Zé se resignou: “Não tem problema…”

Sem-água – 2

Somente hoje, décadas mais tarde, o professor conta o segredo que ele e os funcionários da Delegacia Regional de Ensino guardaram a sete chaves. Quando ocorreu o corte da água, eles descobriram uma ligação clandestina num dos cômodos do antigo prédio da DRE. A interrupção no fornecimento da água que chegava pelo hidrômetro não impediu que os funcionários e todo o prédio continuassem abastecidos pela ligação irregular. Zé Luiz relembra a história, divertido: “Eu não podia contar isso ao Waldemar, pois ele mandaria cortar a ligação ilegal e ainda seria capaz de mover um processo pelo uso irregular da água”. Nessa, o esperto Waldemar acabou passado para trás.

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