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Folclore Político (XCVIII) “Mas será o Benedito?”

Contam que a expressão surgiu na política mineira, na época de Getúlio Vargas

Em Mogi, a expressão já foi até nome de um grupo cultural que promoveu bailes de carnaval e até serestas no bairro do Mogilar. “Será o Benedito?” – geralmente é uma indagação que demonstra espanto diante de uma situação pouco usual ou inesperada, difícil de ocorrer. A origem dela, no entanto, está ligada à política brasileira, em especial ao estado de Minas Gerais, onde Benedito Valadares chegou a ser governador, antes de se tornar nome de cidade. Diz a lenda que após a Revolução de 30, Getúlio Vargas assumiu o governo provisório do Brasil, com plenos poderes, graças à suspensão da Constituição de 1891 e do fechamento do Congresso Nacional e assembleias legislativas. A ele cabia indicar os interventores estaduais, que ocupavam os lugares dos governadores de Estado. Três anos após o movimento revolucionário, morreu Olegário Maciel e o presidente/ditador teria de definir o seu sucessor no comando do governo mineiro. Dois homens fortes de seu grupo político pressionavam pelos seus indicados: o ministro da Fazenda, Osvaldo Aranha, postulava a nomeação de Virgílio Melo Franco, que tinha também o apoio de seu pai, o ministro das Relações Exteriores, Afrânio de Melo Franco. Outro poderoso era Flores da Cunha, interventor do Rio Grande do Sul, que apoiava Gustavo Capanema. Tudo indicava que um dos dois seria o ungido, mas Getúlio surpreendeu, indicando Benedito Valadares, político mineiro de pouca fama, mas que havia apoiado sua candidatura, em 1930. Contam os historiadores que a surpresa foi tão grande  que até mesmo a mãe de Valadares teria indagado, incrédula: “Será o Benedito?”. E foi dessa forma que a expressão passou a ser sinônimo de espanto e perplexidade diante de fatos inusitados, caindo no gosto da população. Mas o que teria levado Getúlio Vargas a tomar tal decisão? O professor de História do Brasil, Jorge Ferreira, explicou à publicação Aventuras na História: “Primeiro porque, nomeando alguém sem grande expressão na política regional, Vargas teria maior controle sobre o interventor e sobre o quadro político do Estado. Segundo porque esse era o seu estilo: arbitrar conflitos, mediar interesses e conciliar disputas. Não deu outra, Benedito Valadares manteve-se fiel e, em 1935, acabou eleito governador constitucional de Minas Gerais e permaneceu no posto até 1945, quando Getúlio também foi deposto.

Gauchices – 1

Luiz Manica, desde que abriu a Varanda II, conhecida churrascaria da avenida Francisco Ferreira Lopes, costumava trazer rapazes do Sul para trabalhar na casa. Eles começavam fazendo serviços gerais e iam se adaptando ao ambiente, até se tornarem garçons, vestidos a caráter, com bombachas, botas e cinturões de couro, aspiração máxima de todos eles. Um desses jovens já trabalhava havia um bom tempo, quando, num Dia das Mães, com a falta de dois titulares, ele recebeu a esperada ordem do patrão: “Vá lá dentro, tome banho e troque as roupas, pois você irá servir às mesas”. Ao novato foi dada a incumbência mais simples: servir frango e linguiça, algo fácil, sem riscos de erros.

Gauchices – 2

Luiz só não contava com a empolgação do recém-promovido. Com o espeto numa das mãos e a enorme faca na outra, ele quis, logo de cara, mostrar serviço e ser gentil. E logo na primeira mesa, onde estavam um casal e seus filhos,  ele serviu primeiro as crianças e, em seguida, virando-se para a mulher, indagou, num gauchês cantado e arrastado: “E você, que é gorda e forte, vai dois pedaços?” A mulher não gostou do “gorda e forte”, armou o maior barraco no restaurante lotado, pondo fim, ali mesmo, à carreira do azarado estreante.

Alckmin

Uma de Geraldo Alckmin, para lembrar o ex-governador e exemplar contador de causos. É dele a história ocorrida em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, sua terra natal. Certa vez, um vereador da oposição chamou o prefeito de “desleixado” por não ter reformado o muro do cemitério, caído durante uma tempestade que se abateu sobre a cidade. Um vereador da situação saiu em defesa do prefeito, pondo fim ao debate na Câmara: “Consertar o muro do cemitério não deve mesmo ser prioritário. E por dois motivos: quem está fora não quer entrar e quem está dentro não quer sair!”

Ajuda eleitoral

Esta quem conta é Joel Avelino Ribeiro, morador de César de Souza. Na década de 90, um sujeito com jeitão de roceiro visitou o escritório político da candidata a vereadora Cássia Magalhães, filha do advogado trabalhista Rubens Magalhães. Em troca de 50 votos, pediu que levassem um motor de Brasília até o distrito de Taiaçupeba. A proposta não cheirou bem e alguém se lembrou de indagar se ele teria a nota fiscal da peça. O visitante, candidamente, disse que não, pois teria conseguido o tal motor de um outro candidato a vereador. “Coisas de eleição”, diz Joel.

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