ARTIGO

Formidável

Gê Moraes

Tudo muda tudo passa neste mundo de ilusão. Esta é uma premissa que se aplica também ao universo das palavras. Há palavras que em determinada época estão na crista da onda e vivem a derramar o seu charme em todos os cantos e recantos, dependuradas nos lábios e nos escritos de meio mundo.

Quem é que se lembra da palavra formidável, um adjetivo de dois gêneros, que antigamente se usava muito para expressar a idéia de ótimo, excelente, fantástico?

Pois é, hoje o dito adjetivo jaz na câmara escura do esquecimento, desbancado que foi pelo seu irmão extraordinário, que chegou todo cheio de pompa e falando, a quem quisesse ouvir, que ele sim, era o adjetivo mais correto e apropriado ao uso.

Como um preito de saudade, vamos resgatar um pouco da aura desse áureo reinado, com a seguinte colocação: o atual estado de insegurança em que vivemos, é um FORMIDÁVEL rolo de fumo que a população é obrigada a fumar, mesmo sendo avessa ao tabaco. Você não acha?

Uma outra página das mais escabrosas é a formidável carga tributária imposta ao costado de cada um de nós, não é mesmo?

Outra coisa de causar inveja à seca nordestina é a FORMIDÁVEL aridez que grassa na cabeça da maioria dos eleitores deste Brasil, que aceleraram os passos rumo às urnas para reconduzirem ao galinheiro as velhas raposas que haviam saído de chouto, por força dos mensalões e de outros arranhões na decência e no decoro parlamentar.

Outro item que faz jus ao adjetivo em pauta é a aviltante degradação a que está relegado o sentido da ética e da moral.

O esperançoso morre, a esperança segue em frente! Um FORMIDÁVEL abraço a todos e qualquer hora a gente se encontra – mesmo que seja um encontro breve – para estreitar mais e mais o laço que une quem lê ao que escreve.

Gê Moraes é cronista


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