ASSISTÊNCIA SOCIAL

Frio coloca serviços em estado de alerta

ASSISTÊNCIA SOCIAL Cidade apresenta opções para receber as pessoas em situação de rua que sofrem com baixas temperaturas. (Foto: Eisner Soares)

A queda na temperatura registrada nos últimos dias coloca em alerta os serviços de atenção às pessoas em situação de rua em Mogi das Cruzes. Os agentes da Guarda Civil e as equipes de abordagem da Secretaria Municipal de Assistência Social acompanham as condições dessas pessoas, sobretudo nas noites e madrugadas, que são mais frias, e parte dessa população acaba utilizando entorpecentes para vencer tais intempéries.

Atualmente são 156 vagas oferecida pela Administração Municipal, sendo 50 na Abomoras e as demais nas três casas Maranatá, que estão sob intervenção da Prefeitura – há um processo em andamento para a escolha de nova entidade para assumir a administração. Esses locais têm bastante rotatividade, porque, segundo a secretária municipal de Assistência Social, Neusa Marialva, essa população em situação de rua não costuma ficar por muito tempo nos abrigos.

“Mogi é final de linha e caminho para aqueles que deixam São Paulo rumo ao Vale do Paraíba ou ao litoral; então, muitos fazem apenas uma parada aqui, além de a gente ser conhecida também pelo trabalho que oferece. São muitos os motivos que levam essas pessoas a virem aqui”, explica a secretária.

Além dessas vagas, a Secretaria começa a disponibilizar, durante a Operação Inverno, serão abertas mais 15 vagas para atender aqueles que queiram se abrigar.

“As equipes de abordagem vão em todos os locais onde surge a demanda de apontamento da população ou nos roteiros programados das equipes, porque a gente sabe da permanência dessas pessoas em situação de rua. A nossa equipe tem um trabalho a fim de minimizar os reflexos das pessoas que estão na rua. Geralmente elas não têm a noção dos riscos que correm, porque usam muito álcool para conseguir vencer as noites e madrugadas frias. Então a gente aumenta as abordagens e oferta de vagas”, explicou Vera Lucia de Freitas, diretora do Departamento de Proteção Especial, da Secretaria Municipal de Assistência Social.

Vera lembra ainda que, nesta época do ano, as igrejas e outras entidades da cidade também se mobilizam para ajudar as pessoas em situação de rua, por isso eles acabam recebendo um pouco mais de auxílio (vide matéria ao lado). “O trabalho deles ajuda a complementar o nosso”, conclui.

Voluntários evangélicos são atuantes em Jundiapeba

Há quase um ano, todos os domingos pela manhã, o pastor Bruno Heric Luciano da Silva Ferreira, 30 anos, da Igreja Cristã Amor e Vida, se une aos voluntários e vai em busca das pessoas em situação de rua do distrito de Jundiapeba, para oferecer um café da manhã. Aqueles que aceitam, são levados à sede da igreja, onde é oferecido banho, atendimento psicológico e um almoço. A ação atende entre 35 e 40 pessoas por ação. Os que têm interesse em deixar as ruas, são encaminhados para as casas de tratamento parceiras da igreja.

O pastor conta que o trabalho “é de formiguinha”, frente ao cenário de sem-teto, não só em Mogi, mas que ainda há uma resistência na maioria deles em deixar a rua. “A maioria alega que vai parar na rua, a princípio, por problemas familiares e falta de condição de trabalho. Nestes atritos eles encontram as drogas e quando veem, já estão afundados nas drogas e na bebida. A família acaba não aceitando e eles vão ficando nessa”, conta o pastor.

Ferreira acredita que em quase um ano de trabalho voluntário, cerca de 500 pessoas diferentes foram atendidas. Dessas, apenas 17 aceitaram ir para o abrigo. Lá, eles ficam por seis meses em tratamento. Na última etapa, a família é contatada e ajuda na ressocialização do paciente. Hoje, duas pessoas atendidas pela clínica são voluntárias aos domingos. “Se tornou até uma forma de motivar aqueles que estão começando”, ressalta.

Os interessados em ser voluntário aos domingos ou ajudar com alimentos podem ir até a sede da igreja, na Rua Nito Sona, 922, em Jundiapeba, ou ligar direto para o pastor, no telefone 11- 96348-2177.