ARTIGO

Fróide e Biagê

Gê Moraes

Dois psiquiatras amigos, que há muito não se viam, quando foi lá um certo dia acabaram se encontrando. Abraçaram-se com a devida efusão e começaram a conversar sobre um monte de coisas e, como era de se esperar, a conversa acabou desembocando na área profissional.

– Amigo Raimundo Fróide, ao longo dos seus longos anos de atuação na área da psiquiatria teria ocorrido em seu consultório algum caso engraçado?

– Caro João Biagê, nos tempos alucinantes em que vivemos, onde muitos perdem o trambelho e acabam ficando sem rumo a perambular pelas quebradas da vida, procurando o que não perderam, casos risíveis é que não faltam, como o caso daquele homem que entrou no consultório e foi logo dizendo: – Doutor sinto na cabeça um grande oco, veja se estou louco. Só gosto de viver na praia tomando água de coco, surfando o dia todo nas ondas dos cabelos das mulheres. Será que isto é loucura?

– Não, é preguiça. Deixe de se “coçar” e vai trabalhar – respondi.

– E você Biagê, tem algo para contar?

– Sim. Certo senhor me procurou e disse: – Doutor, ouça o que vou lhe contar e diga-me se é doidice. Tranco-me no banheiro e me ponho sob o chuveiro. Ah, como é gostoso tomar banho o dia inteiro! Só que tem um porém: há três meses venho notando que não pinga uma gota sequer. Será que cortaram meu fornecimento? Só devo doze contas! – Sabe o que fiz? Paguei as contas e pedi que retornasse outro dia, pois o homem não cheirava, fedia. Ô louco!

– Conte mais uma Raimundo.

– Certa vez tive o consultório invadido por um motorista. Mas só que, ao invés de vir só, entrou com carro e tudo. Desceu e me pediu que lhe servisse uma dose. Mandei internar o cara e consultei o carro que, por sinal, apresentava um excelente nível de sanidade mental. Onde é que já se viu confundir o conceituado consultório psiquiátrico de Fróide com um lugar onde o boêmio adora ficar? E cá para nós, até que poderia ter atendido ao motorista, mas pensando bem, resolvi que não, pois era a minha última dose, meu irmão!

Fróide e Biagê mandam abraços para você.

Gê Moraes é cronista


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