PLANEJAMENTO

Futuro de Mogi das Cruzes é debatido no Fórum de Desenvolvimento Econômico

Melo destacou o fortalecimento de vínculos. (Foto: Ney Sarmento/PMMC)
OTIMISMO Prefeito Marcus Melo destacou o fortalecimento dos vínculos com o setor empresarial. (Foto: reprodução – Ney Sarmento – PMMC)

A aposta da Prefeitura de Mogi da Cruzes de melhorar a economia da cidade tem nome: Desenvolve Mogi. O programa lançado em junho deste ano vem promovendo diversos eventos, com a intenção de criar emprego e renda na cidade. A proposta é abrir 10 mil postos de trabalho e de requalificar 40 mil pessoas em dois anos. Mas, também, de criar um ambiente de otimismo. Na manhã da última sexta-feira, cerca de 100 empresários e representantes das principais empresas da cidade – responsáveis por 70% do Produto Interno Bruto (PIB), se reuniram no Club Med Like Paradise para debater o futuro do desenvolvimento econômico.

O prefeito Marcus Melo (PSDB) disse que o objetivo do evento organizado pela administração municipal era fortalecer o vínculo com as empresas, não só na relação com o poder público, mas entre elas próprias. “Nós temos uma cidade que tem cumprido com as suas responsabilidades, trabalhando muito na área de saúde, educação e segurança, e tudo isso só é possível com as empresas instaladas em Mogi, sejam elas de serviço, indústria e comércio, mas agora também com bastante preocupação na área de desenvolvimento tecnológico. É uma opção para poder conversar dos caminhos que a gente tem a nível de Brasil”, pontuou.

Segundo Melo, Mogi conquistou uma infraestrutura muito boa, mas que exige muito trabalho em conjunto para manter e também no sentido de ser atrativa para novos investimentos dentro de uma política que ele nomeia de “ganha-ganha”: boa para a empresa, boa para o poder público e, principalmente, para a população.

“Quando a cidade se desenvolve, todos saem ganhando. Pela primeira vez temos um evento deste tipo. Mogi caminha nos três pilares da Economia, Com o projeto +Mogi Eco Tietê, nós estamos buscando recurso para poder fortalecer e melhorar a questão ambiental. Temos sido reconhecidos com a melhor Educação da região. Então, nós estamos no caminho certo, mas manter tudo isso funcionando não é um caminho fácil, por isso a gente tem de estar muito próximo da atividade econômica”, destacou.

O evento foi organizado pelo diretor da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mogi, Claudio Costa, que fez um balanço positivo do encontro, pela qualidade dos debates e quantidade de público presente. “O nosso grande propósito é o de cada vez mais criar uma linha de pensamento comum com os empresários da cidade, de estarmos juntos, discutindo temas de importância da questão econômica, não só do ponte de vista das necessidades deles, mas também de criar oportunidades para a geração de emprego. A gente identifica que as empresas que de maneira geral compra serviços fora de Mogi. Com a interação, eles se conhecem e podem fazer negócios entre si”, pontuou.

O evento da última sexta-feira marca o fim da série de fóruns realizados pelo Desenvolve Mogi este ano. A programação deve ser repetida no ano que vem, mas com novas medidas, entre elas a de lançar um aplicativo com oportunidades de emprego na cidade.

Cônsul quer mais atenção do Brasil à educação e meio ambiente 

No ano passado, a União Europeia investiu mais no Brasil do que na China e Índia juntas, foi o que destacou o representante deste bloco econômico, o cônsul-geral de Luxemburgo, Jan Eichbaum, em entrevista a O Diário, durante o Fórum de Desenvolvimento Econômico. Eichbaum fez uma análise da situação econômica do País frente aos investidores, e destacou pontos que precisam melhorar e outros que estão caminhando.

Cônsul de Luxemburgo fez análise do Brasil atual. (Foto: Divulgação)

Ele avaliou que o governo atual está falando da coisa certa, que é eficiência do Estado, diminuição da burocracia, e liberdade para a economia. Entre os pontos a serem melhorados, na avaliação do cônsul, é a diversidade social, por meio da atenção à educação e à cultura a quem ainda não tem acesso a esses dois setores, mas com a garantia que ela será igual a praticada em todo o País. “Hoje, 14 milhões de pessoas no Brasil sobrevivem com R$ 190 e a educação é uma coisa que tem de ser uma prioridade.Só assim, a gente consegue adiantar também na questão digital, que eu acho que o Brasil tem um grande potencial”, ressaltou.

Mas, de extrema importância e urgência, destaca o cônsul, é a questão ambiental. A série de desmatamentos e queimadas expõe um País que não está preocupado com a sustentabilidade. “O Brasil precisa firmar e mostrar o compromisso social com a preservação do meio ambiente”, pontuou.

Por fim, e o ponto que o governo tem acertado na visão do cônsul, é a desburocratização. Ele diz que a máquina brasileira ainda é muito cara frente ao que é praticado nos outros países. “Enquanto hoje, na Europa, se gastam 200 horas para pagar imposto, no Brasil se gastam 1.600 horas. Obviamente que isso emprega muita gente, mas é ineficiência. Neste ponto, o governo está indo na direção certa em diminuir o custo de pagar imposto. Um investidor me falou que hoje, no Brasil, ele tem mais dificuldade de encontrar alguém que entenda dos impostos do que um engenheiro, que é da atividade-fim”, detalhou.

Anfavea defende mais etanol em veículos

O futuro sustentável é uma questão de amplo debate. No setor automobilístico, quase uma prioridade, por conta da emissão do gás carbônico pelos veículos. Quando esse assunto entra em discussão, na maior parte das vezes, o norte é o carro elétrico. No entanto, durante a fala na manhã de sexta-feira, durante o Fórum de Desenvolvimento Econômico, o diretor de assuntos governamentais da General Motors e vice-presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Adriano Barros, trouxe uma alternativa já praticada no País: o etanol. Segundo ele, se hoje 85% da frota nacional migrasse para apenas este tipo de combustível, a redução na emissão do Co2 seria de 60%.

Adriano e o futuro sustentável. (Foto: Ney Sarmento)

“Na verdade, quando a gente pensa em sustentabilidade do setor, eu acho importante frisarque a sustentabilidade não é exclusividade da eletrificação. No Brasil, nós temos a característica do etanol, que é um biocombustível cuja emissão de Co2 é muito reduzida. O veículo elétrico hoje tem uma característica boa, mas ainda é mais caro. O papel da pesquisa é de baratear essa tecnologia, porque ela é fundamental, com ganho de escala. A gente vê que países desenvolvidos têm dado até R$ 27 mil, como incentivo, para a compra de veículo elétrico. O Brasil não dá nada, então por que migrar para essa tecnologia, se a gente não dá a mesma condição? As tecnologias têm de ser complementares, e não excludentes”, destaca.

Governo federal quer desburocratizar

Para falar sobre a desburocratização e o reflexo dela para atrair novos investimentos o Fórum de Desenvolvimento Econômico convidou o advogado e diretor de Desburocratização do Ministério da Economia, Geanluca Lorenzon. Ainda no caminho para Mogi das Cruzes, ele descobriu que o presidente Jair Bolsonaro havia sancionado o decreto chamado de “Revisaço”, pelo qual todas as normas federais terão de ser revisadas e, sejam elas da Receita Federal, Anvisa, entre os outros órgãos, terão de ser revogadas, revisadas e republicadas em até 18 meses.

Geanluca Lorenzon diz que governo federal trabalha para desburocratizar a máquina pública. (Foto: Ney Sarmento)

“Nós temos hoje o sistema regulatório mais complexo e pesado do mundo. Então isso é um dos principais fatores do custo Brasil. Conforme um estudo divulgado nessa semana, a nossa desatualização e falta de modernização representa um custo anual de R$ 170 bilhões. Então se a gente fizer isso em um prazo de 18 meses, vamos ter uma redução pesada da burocracia que é investir no Brasil, para alinhar com outros países”, destacou.

Em relação à visão de Brasil nos mundo econômico, Lorenzon disse que o mundo está vendo como um país que está passando por reformas. Já na questão ambiental, o diretor diz que, ao contrário do que muita gente pensa, a desburocratização não diminui a garantia às leis ambientais, mas sim aumenta a proteção. “Hoje nós olhamos todas as questões de risco ambiental de uma forma linear. Uma pequena e grande barragem enfrentam o processo burocrático parecido. O que nós estamos fazendo é que os analistas e fiscais parem de olhar as coisas pequenas e se dediquem ao que mesmo verdadeiramente precisa. O mundo inteiro já faz isso há, pelo menos, três décadas”, pontuou.

Uma oportunidade para ouvir e expor

Entre representantes de empresas mogianas presentes ao Fórum, Jamyl Jarris Júnior, chefe comercial da Movida Rent a Car, especializada em aluguel e comercio de veículos, do Grupo JSL, antiga Julio Simões Logística.

Jamyl: chance de apresentar o momento e planejar o futuro. (Foto: Ney Sarmento)

Para ele, o Fórum foi uma oportunidade de expor o momento que a empresa passa no mercado. Além disso, disse Jarris, o assunto mobilidade, sobretudo os automóveis, é importante para todas as cidades. “Mogi das Cruzes proporcionar este debate é muito importante porque nos permite colocar o nosso ponto de vista sobre o futuro da mobilidade e tudo o que a gente passa hoje e encara neste momento. E, ao mesmo tempo, como as locadoras de veículos participam desses momentos de mudanças nos costumes sociais. Mas é importante também ouvir os outros segmentos, como Prefeitura e governo, sobre o que eles pensam sobre a gente”, detalhou.

O vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Adriano Barros, falou sobre o futuro da mobilidade e as tecnologias embarcadas nos veículos. Para Jarris Júnior, a noção de futuro tanto do setor quanto dos governantes é primordial para a empresa nortear as suas ações. “A gente traça muito plano com as aspirações da sociedade, com o que governo e cidades esperam das empresas para, assim, a gente poder desenhar ações melhores para suprir essas necessidades e aspirações”, destacou. 


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