EDITORIAL

Galeria mogiana

Mogi das Cruzes começa a manter interessante acervo público de arte, com o apoio do governo municipal, das entidades sociais e da iniciativa privada. Isso muito se deve ao conjunto de artistas radicados no conjunto de ateliês em fase de plena capacidade de criação, de onde saíram peças expostas na galeria mogiana (como o pai e filho, Rodrigo e Lúcio Bittencourt, Mauricio Chaer e Belini). Deve-se a algo mais: também ao senso estético predominante na expansão urbana da cidade e à decisão de quem tem o poder político e econômico que atua na contratação dessas obras, ou no apoio editais de fomentos culturais.

Não fosse isso, praças e espaços seriam abertos sem as obras que ajudam a traduzir a história, o gosto e os interesses da sociedade, o olhar para a beleza. A arte traduz o espírito de um tempo, de uma comunidade.

A oferta desse acervo artístico aos olhos de todos inclui positivamente Mogi das Cruzes em um movimento observado desde meados do século passado, quando mais fortemente o que era restrito a espaços fechados (museus, pinacotecas e galerias) passou a ser instalado em praças e pontos públicos, popularizando a cultura e arte com a facilitação do acesso a essas expressões.

Monumentos sempre fizeram parte da vida das cidades (civilizações como a grega e a romana são exemplos ao perenizar esse modelo), porém, o estreitamento do contato entre o artista contemporâneo e o público é processo mais recente.

Mogi começou a ganhar algumas de suas principais obras a céu aberto na metade do século passado. O monumento ao soldado expedicionário é de 1953 – e resiste ao tempo muito entre trancos e barrancos. Ainda hoje, os problemas encontrados na estrutura há alguns anos não foram sanados por completo. Da década de 1960, há obras clássicas, a família de imigrantes japoneses, de autoria de ntônio Josephus Maria Van de Wiel, e a peça de Manabu Mabe, a Mãe Grávida, encontrada na sede da Associação dos Agricultores de Cocuera.

Em nossa edição de domingo, depois de percorrer a maior parte dos locais que possuem instalações artísticas, o jornalista Heitor Herruso apontou falhas a serem sanadas. As mais graves são encontradas no monumento ao Expedicionário, alvo constante de nossas reportagens sobre o mesmo motivo: a falta de restauro para preservar a homenagem aos ex-combatentes mogianos.

Já em outras, o sumiço de peças e a falta de limpeza vão desvirtuando as produções, e merecem atenção do poder público.