Ganhos e perdas

Mogi das Cruzes avançou posições importantes no Ranking de Saneamento elaborado pelo Instituto Trata Brasil, mas ainda tem grandes desafios para melhorar a distribuição da água e o tratamento do esgoto lançado 24 horas por dia na Bacia Hidrográfica do Alto Tietê.Em 2015, a Cidade ocupou o 29º lugar entre os 100 maiores municípios brasileiros. Em 2014, aparecia na 39ª colocação. O levantamento deixou Mogi das Cruzes à frente de 21 capitais, como Belo Horizonte e Vitória. Com serviço próprio de água e esgoto, o Município também se destaca por praticar a menor tarifa na Região do Alto Tietê. O nosso preço para a primeira faixa de consumo, de até 10 mil litros de água por mês, é de R$ 32,18 (incluindo água e esgoto), um valor, segundo o Semae, 40% menos que os R$ 44,76 cobrados pela Sabesp, responsável pelo saneamento nas demais cidades da Região.
Vamos combinar que os dados demonstram o acerto na política de saneamento básico praticado em Mogi das Cruzes, que difere positivamente da maioria absoluta das cidades brasileiras, inclusive capitais, detentoras de índices sofríveis na oferta de água de boa qualidade e do tratamento do esgoto.
Porém, alto lá nas comemorações. Quando se analisa um pouco mais detalhadamente os resultados, descobre-se que embora mensure resultados positivos da atuação do Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae), a pesquisa expõe problemas como o desperdício de água.
Os vazamentos, ligações clandestinas e incorreções nas medidas para a posterior cobrança provocam uma perda de quase metade da água tratada. O estudo anterior, o desperdício era de 53,44% do produto tratado em 2014. No ano seguinte, houve uma redução para 48,53%, mas, ainda assim, temos um percentual extremamente elevado quando se considera que praticamente metade do dinheiro e dos recursos humanos e materiais gastos para a distribuição da água, quase a metade é em vão.
Esse percentual já foi muito maior. Investimentos na fiscalização e em projetos como o de setorização da rede de água e a substituição dos hidrômetros combatem os prejuízos gerados pela idade e pela rápida ampliação da estrutura necessária para atender ao crescimento populacional da Cidade.
Desafio do governo municipal, que tem como prefeito Marcus Melo (PSDB), o ex-diretor do Semae, é acelerar a velocidade impressa na implantação de soluções para sanear esse déficit. Algo que pode ser inspirado dentro da própria autarquia. O histórico de tratamento de esgoto mostra que nos anos 2000, apenas 5% dos dejetos jogados no Rio Tietê eram devolvidos à natureza livres de impurezas pesadas. Em 2015, segundo índices divulgados pelo Semae, o índice era de 61%. Um salto que se não é o ideal, não pode ser desconsiderado.