EDITORIAL

Garagem municipal

Algo não vai bem na proteção do patrimônio público

O furto de peças em 22 ônibus do transporte escolar municipal não pode ser tratado como sintoma da criminalidade ou da insegureança em Mogi das Cruzes porque, nesse caso, especificamente, o crime revela uma grave falha na preservação e proteção do patrimônio público.

Há respostas a serem apontadas pelas investigações anunciadas pela Prefeitura. Os ladrões encontraram tantas facilidades para invadir a garagem e agir durante a madrugada da quinta-feira última em 30% da frota municipal.

Além disso, durante o período da ação, nem a Guarda Municipal e nem o sistema de câmeras da Central Integrada de Emergências Públicas (Ciemp) flagraram os marginais durante o tempo da ação criminosa.

Não se concebe que um setor estratégico para a Prefeitura, como a garagem do transporte escolar, não tenha vigilância capaz de coibir um furto dessa natureza. O setor integra a rede municipal de educação que se vale desse recurso porque falta de escola perto da casa onde moram 4 mil estudantes matriculados na Cidade – esse grupo depende do transporte para ir à aula.

Pontualmente, os prejuizos gerados por esse crimes foram minimizados. Na manhã após a descoberta da invasão à garagem, 37 dos 4 mil alunos assistidos pelo serviço, não foram à aula. Em um comunicado, a Prefeitura pediu desculpas aos pais e alertou para os danos da crmininalidade. Fez a obrigação.

O caso registra uma falha lamentável. Mais ainda, alerta sobre o uso dos recursos públicos no monirotamento eletrônico e na Guarda Municipal.

Há pouco, as manchetes foram o sumiço de uma imagem sacra da Pinacoteca Municipal, considerado como uma tentativa de furto em frente, veja só, da sede da Polícia Millitar. Não raramente, outros espaços públicos são vítimas de ladrões e vândalos, como escolas e os ecopontos.

ASecretaria Municipal de Segurança Pública passou a receber mais aportes financeiros para os projetos como o armamento e capacitação de guardas municiipais. O setor trabalha atualmente em um projeto para a adoção de novas tecnologias na Ciemp, como o uso de reconhecimento facial de quem age fora da lei.

De nada adianta gastar com recursos técnicos e humanos, sem cuidar do trivial. Algo precisa mudar na segurança pública. As câmeras estão mesmo em funcionamento o tempo todo, ou o sistema possui equipamentos parados, ineficientes? Há mesmo funcionários em número capaz de monitorar todos os olhares eletrônicos a tempo de inibir e flagrar furtos como o na garagem do transporte escolar?