SUJEIRA

Garrafas, plásticos e até sofás poluem trecho do rio Tietê em Mogi

DEGRADAÇÃO Acima do nível por causa das chuvas, o rio Tietê apresenta pontos sujos e plantas aquáticas que dificultam o escoamento e são resultado da poluição do manancial. (Foto: Elton Ishikawa)

O período chuvoso registrado durante o verão abre o debate sobre a situação dos rios. O Tietê, principal na cidade, acumula algas em alguns pontos e a vegetação das margens avança para o meio do manancial. Além disso, o lixo é encontrado em vários trechos. Essas situações foram encontradas nesta semana pela reportagem de O Diário, que visitou quatro regiões do rio que passa pela cidade.

O primeiro dos pontos visitados foi a ponte sob o rio na avenida João XXIII, na divisa entre o Socorro e César de Souza. No local, há uma grande concentração de alga, além de outros tipos de vegetação que crescem das margens para o centro do leito do rio, afunilando a passagem da água. Há garrafas pet, embalagens plásticas, madeiras e até pedaços de estofados presos nesses obstáculos.

Na avenida Antonio Almeida, no bairro do Rodeio, bem como na rua Pedro Meloni, na Ponte Grande, os problemas são a vegetação e a quantidade de plástico acumulado.

O melhor trecho encontrado foi na ponte do bairro da Volta Fria, em que a água corre sem algas e a vegetação está mais contida. O Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) informa que está em contato com a Prefeitura de Mogi das Cruzes para, em conjunto com o município, fazer um levantamento dos pontos críticos do Rio Tietê na cidade. Vencida esta etapa, o Daee promete viabilizar os recursos necessários para desassorear o rio, limpar as margens, remover as algas e outros tipos de vegetação. A medida deverá minimizar os riscos de alagamentos, mas não há uma data para ser executada.

Atualmente, o Daee faz o desassoreamento de 44,2 quilômetros do Rio Tietê no trecho entre o córrego Três Pontes, na divisa de São Paulo com Itaquaquecetuba, e o córrego Ipiranga, em Mogi das Cruzes, resultando na retirada de 459 mil toneladas de sedimentos, como areia argila e materiais não inertes depositados no fundo do canal.

“Todo lixo que eventualmente esteja flutuando durante a operação consequentemente é retirado com esses sedimentos. Vale frisar que a participação da população é fundamental para auxiliar na limpeza urbana e no correto descarte dos resíduos. Os trabalhos estão em andamento e as máquinas trabalham, neste momento, no trecho do Parque Leon Feffer, em Mogi das Cruzes”, detalhou a nota do DAEE enviada a O Diário.

A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) disse que a presença de algas na água alterou a coloração e gosto do líquido, e causou uma crise na capital do estado. Mogi das Cruzes já enfrentou situação parecida com o manganês. Apesar do ponto de captação do Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) ser antes da ponte sobre a avenida João XXIII, O Diário questionou a autarquia se houve alguma alteração na qualidade do líquido coletado para o abastecimento da população mogiana.

Em nota, o Semae informou que não foram identificadas algas na região da captação. O que existe naquele ponto são outras plantas aquáticas que não interferem na dosagem de produtos químicos utilizados no tratamento da água.


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