Golf 1.0 TSI é um sopro de ousadia

Das marcas de automóveis com fábricas no Brasil, a Volkswagen é a que investe mais fundo no “downsizing”, como é chamada a adoção de motores de baixa cilindrada, mas com desempenho semelhante ou até superior a propulsores maiores. O hatch médio Golf, por exemplo, já usava um 1.4 litro turbinado quando a maior parte de seus concorrentes investia em motorizações 1.8 ou 2.0 aspirados. E, em setembro do ano passado, já fabricado no Brasil, a linha do modelo ganhou a sua atual configuração de entrada, a Comfortline 1.0 TSI. Mais barata que com o propulsor 1.6 aspirado, ela tem melhor desempenho e uma lista de itens de série capaz de atrair consumidores de variantes de entrada dos hatches médios concorrentes.

O motor 1.0 TSI do Golf é fruto de reajustes realizados no propulsor que equipa as versões TSI do compacto Up! Enquanto no hatch menor ele rende 105 cv máximos, no médio é rapaz de entregar 125/116 cv com etanol/gasolina e 20,4 kgfm de torque com ambos os combustíveis, já a partir dos 2.000 giros. E, assim como no Up!, trabalha em conjunto com um câmbio manual, mas com seis velocidades – no Up! são só cinco.

O comportamento do hatch médio impressiona e seus 20,4 kgfm de torque, já disponíveis aos 2.000 giros, empurram com bastante disposição os 1.223 quilos da versão. As marchas têm relações curtas e o carro ganha agilidade com uma rapidez atípica neste tipo de litragem. Os engates da transmissão de seis velocidades são macios e precisos, algo já habitual nos modelos da marca alemã.

As acelerações se mostram vigorosas desde as arrancadas até as retomadas e ultrapassagens. Chega até a surpreender o fato do Golf 1.0 ser mais barato que o equipado com motor 1.6 MSI, nitidamente inferior no desempenho.

Mesmo em alta velocidade, o equilíbrio nas curvas chama atenção, com boas entradas e saídas. A direção é extremamente leve nas manobras de estacionamento, mas ganha uma firmeza e precisão em movimento dignas de elogios. Além disso, a configuração traz sistemas de segurança – caso dos controles dinâmicos de estabilidade e tração e do bloqueio eletrônico de diferencial – capazes de auxiliar os condutores que gostam de levar seus carros ao limite.

Talvez, o problema maior do Golf 1.0 na dirigibilidade seja a falta de uma transmissão com trocas automáticas. Trata-se de um conforto cada vez mais requisitado por consumidores de veículos médios no Brasil.

Em termos de equipamentos, o Golf Comfortline 1.0 TSI se sai bem. De série, traz sete airbags, alarme, controles de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, bloqueio eletrônico do diferencial, central multimídia, trio elétrico, direção elétrica, faróis de neblina, sistema Isofix de fixação de cadeirinhas infantis, rodas de liga leve de 16 polegadas e sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, além de outros itens, por iniciais R$ 77.247.

Já os pacotes opcionais englobam desde teto solar elétrico, piloto automático e limitador de velocidade a ar-condicionado digital de duas zonas, bancos de couro e sistema de entretenimento capaz de espelhar celulares Android e IOS e navegador GPS. Mas a conta assusta quando o hatch é configurado com tudo que tem direito: em cor sólida atinge R$ 96.489. (Márcio Maio/AutoPress)

Ponto a ponto – VW Golf 1.0 TSI
Desempenho – O motor 1.0 TSI tem 125 cv a 5.500 rpm, com etanol no tanque, e torque de 20,4 kgfm já a partir dos 2 mil giros. Esses números são suficientes para proporcionar acelerações vigorosas para retomadas, arrancadas e ultrapassagens. Tanto que o zero a 100 km/h acontece em apenas 9,7 segundos, uma performance que impressiona por se tratar de um modelo 1.0. Nota 9

Estabilidade – O Golf sempre chamou atenção nesse quesito. É verdade que, com sua nacionalização, a suspensão traseira deixou de ser multilink para ganhar eixo de torção. Mas mesmo em velocidade elevada e trechos sinuosos, o equilíbrio impressiona. E, no caso de algum excesso cometido pelo motorista, há ainda controle eletrônico de estabilidade para manter tudo em ordem. Nota 8

Interatividade – Os comandos estão todos à mão do motorista, sem grandes mudanças entre as versões ou mesmo diferentes gerações do modelo. O sistema multimídia de navegação tem informações legíveis e navegador GPS. Com motor 1.0 TSI, no entanto, só há opção de transmissão manual de seis velocidades. Alerta de perda de pressão dos pneus é item de série, o que facilita a vida do motorista. Nota 8

Consumo – O InMetro testou o Golf Comfortline 1,0 TSI e aferiu médias de 8,4/10,1 km/l na cidade/estrada com etanol e 11,9/14,3 km/l nas mesmas condições, com gasolina. O consumo energético foi de 1,66 MJ/km e a versão recebeu nota A tanto entre os modelos da categoria quanto no geral. Nota 10

Conforto – O conjunto de suspensão é firme, mas não chega a comprometer o bem-estar dos passageiros. Sacolejos só são mesmo sentidos em pisos muito irregulares. O isolamento acústico é eficiente, mesmo quando se aperta mais o acelerador. Os bancos recebem bem os ocupantes e possuem boa densidade. Nota 8

Tecnologia – Construída sobre a plataforma MQB, a mesma do Audi A3, a sétima geração do Golf é bem equipada. São sete airbags, controles de estabilidade e tração, bloqueio eletrônico de diferencial, sistema de informação e entretenimento com tela sensível ao toque de 6,5 polegadas, entre outros, e uma lista extensa de opcionais. O motor é moderno, de três cilindros e com turbocompressor. Já está alinhado com a nova tendência de “downsizing” adotada pelas fabricantes. Nota 8

Habitabilidade – Quatro ocupantes viajam sem apertos no interior do Golf. Com o opcional teto solar elétrico, a percepção de espaço é ainda maior. O porta-malas tem 313 litros, ou seja, fica na média dos concorrentes. Nota 8

Acabamento – A Volkswagen não é uma marca que surpreenda nesse aspecto. Os acabamentos plásticos até são macios e agradáveis ao toque, mas o design geral é um tanto conservador. Os encaixes são bem feitos e não apresentam nenhum tipo de rebarba. Não impressiona, mas também não faz feio. Nota 7

Design – O Golf 1.0 TSI é praticamente igual ao 1.4 TSI. As diferenças se limitam à saída única no escapamento, à falta de lanternas com luzes de LED e ao logo TSI apenas com a letra I em vermelho, exatamente como acontece no Up!. Nas propagandas, inclusive, chama a configuração apenas de TSI, sem valorizar o fato de ser 1.0. A atual identidade visual da Volkswagen está inserida, mas a sétima geração do modelo, lançada em 2013, conservou suas linhas tradicionais e dispensou qualquer ousadia. Nota 7

Custo/benefício – O Golf Comfortline 1.0 TSI começa em R$ 77.247 e já traz boa lista de equipamentos, incluindo controles eletrônicos de tração e estabilidade, sete airbags e central multimídia com tela de 6,5 polegadas. Completo, porém, chega a R$ 96.489, com a adição de uma central multimídia melhor, com app-connect e GPS, teto solar elétrico, bancos em couro, controle de velocidade de cruzeiro e ar-condicionado digital e de duas zonas, entre outros itens. Sem opcionais, é uma boa opção frente aos hatches médios, pela boa economia de combustível do motor 1.0 e desempenho até melhor que alguns propulsores maiores. Na configuração repleta de opcionais, se torna caro demais. Nota 7

Total – O Volkswagen Golf Comfortline 1.0 TSI somou 80 pontos de 100 possíveis.


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