ATUALIZADO

Governo de São Paulo muda critério de ocupação de UTI em plano de reabertura

SãoPaulo SP 27 07 2020 No Palácio dos Bandeiranstes o Governador João Doria o prefeito Bruno Covas e a equipe de Saude durante entrevista coletiva sobreo Coronas Virus.Foto GOVESP

O governador paulista João Doria (PSDB) anunciou nesta segunda-feira, 27, mudanças no programa de reabertura econômica e flexibilização da quarentena, chamado Plano São Paulo. A principal alteração permite que regiões com taxa de ocupação abaixo dos 75% nos leitos de UTI para Covid-19 entrem na fase 4 verde, enquanto o índice previsto anteriormente era de menos de 60%.

A alteração facilita que os municípios façam o remanejamento dos leitos exclusivos de Covid-19 para outros pacientes sem mudarem de fase no plano.

A mudança é especialmente defendida pela Prefeitura de São Paulo, que pretende utilizar parte desses leitos para retomar a realização de cirurgias eletivas. Na prática, a mudança não coloca nenhum município hoje na fase verde, que ainda considera outros critérios epidemiológicos.

“O município de São Paulo não estaria verde neste momento (embora tenha taxa de ocupação de 66%). Lembrando que a calibragem é para garantir estabilidade. São Paulo não atenderia aqueles indicadores absolutos, de internações e óbitos a cada 100 mil habitantes. Estes fatores são indicadores utilizados mundialmente e o centro insistiu muito de ter essa trava, além das 4 semanas”, destacou a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen.

“Agora com os 25%, lembrando que a gente mais que dobrou a capacidade, nós estamos garantindo que 2.275 leitos estão sempre disponíveis e leitos porque mudou o nosso cenário com a ampliação dos leitos. Além disso, nenhuma região vai transicionar para verde se não alcançar menos de 40 internações e 5 óbitos por 100 mil habitantes, e sem ficar pelos menos 4 semanas na fase amarela”, explicou. “Esses leitos continuam disponíveis para covid. Os leitos não podem ficar parados se tem gente precisando.”

‘Calibragem técnica’

Doria chamou as mudanças de “calibragem técnica”. Segundo ele, o objetivo foi “aprimorar” e tornar mais “eficiente e adequado” ao atual momento da pandemia. “Foram profundamente estudadas e discutidas pelo Centro de Contingência.”

João Gabbardo, coordenador-executivo do Centro de Contingência da Covid-19 também comentou sobre as mudanças. “Buscam dar estabilidade na transição das fases. É muito ruim quando a região altera de uma fase para a outra e na semana seguinte tem de retornar. Isso causa muitos problemas. Esse ajuste dá uma estabilidade maior no faseamento. Quando ocorrer uma transição do amarelo do verde, nós teremos uma segurança um pouco maior.”

O coordenador do Centro de Contingência, Paulo Menezes, disse que o Estado faz uma “progressão lenta e segura de uma fase para outra, sem colocar em risco a saúde da população”.

O Plano São Paulo dividiu o Estado em 22 regiões e sub-regiões, reunindo grupos de municípios sujeitos às mesmas regras. As fases de restrições e flexibilizações do funcionamento de serviços, comércios e atividades variadas são divididas em 1 (vermelha), a mais grave, 2 (laranja), 3 (amarela), 4 (verde) e 5 (azul).

A fase amarela, em que está a cidade de São Paulo, permite o funcionamento de bares, restaurantes e salões de beleza em horário parcial, além de ampliar a taxa de ocupação de espaços liberados pela fase laranja, como shoppings centers.

“Na cidade de São Paulo, temos 333 mil pessoas que estão sendo monitoradas – 207 mil casos já confirmados, 225 mil altas e chegamos a 9.278 óbitos na cidade. Estamos com uma taxa de ocupação dos leitos de UTI administrados pela prefeitura de 55%. Estamos com 66,2% de ocupação de todos os leitos de UTI aqui somados, não apenas os dos municípios, mas os do governo do Estado e os privados”, disse o prefeito Bruno Covas (PSDB).


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