EDITORIAL

Governo municipalista

“Mais veículos, mais receita. Elementar, meu caro Watson”

Em maio deste ano, instado por este jornal em entrevista que concedia no Palácio dos Bandeirantes, o governador João Doria definiu-se, a exemplo do ex-governador Franco Montoro, como um municipalista, o conceito ideológico que prega maior autonomia para os municípios.

Pois chegou a hora de o governador se provar: dois dos mais importantes vetores do processo de concessão rodoviária em curso, são obras municipais. Tocadas à galhardia de sua população, as estradas Mogi-Dutra (1972) e Mogi-Bertioga (1982) integram, hoje, a malha administrada pelo DER (Departamento de Estradas de Rodagem).

E vem então, com aval do governador, a Agência de Transportes do Estado de São Paulo com o projeto de conceder tais rodovias à iniciativa privada, outorgando-lhes, também. o direito de instalar e explorar praça de pedágio no quilômetro 45 da Mogi-Dutra.

Por que ali? Porque ali passam em torno de 45 mil veículos/dia, enquanto na Mogi-Bertioga a média é de 12 mil veículos/dia. Mais veículos, mais receita. Elementar, meu caro Watson.

Pois é contra a instituição de pedágio que se levanta, há uma semana, a unanimidade de forças atuantes do município de Mogi das Cruzes. Contra o projeto está, inclusive, o prefeito Marcus Melo, correligionário de João Doria no PSDB e conhecido por sua índole apaziguadora. Também o deputado federal Marco Bertaiolli, aliado de Doria com quem, disse há alguns meses, tem encontros semanais.

Incluam-se, nessa lista, todos os vereadores, entidades de classe e, esta semana, também o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, braço da portentosa Fiesp.

Pode ser que aconteça… mas nos parece difícil, neste estágio das avenças, que o projeto de concessão da Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga chegue a um final, qualquer final. Pode acabar na gaveta. Não apenas pela grita em torno do pedágio, também pelas falhas do projeto de concessão: ela é proposta depois dos investimentos estatais na duplicação completa da Mogi-Dutra e da consolidação dos taludes da Mogi-Bertioga. E, cá entre nós, as contrapartidas exigidas são tímidas, muito tímidas.

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